Você já deve ter lido algo (ou pelo menos ouvido falar) sobre “veículos inteligentes” do futuro: autônomos, eles vão dispensar o uso de motoristas e devem se guiar sem problemas por pistas especiais adaptadas para isso.

Entretanto, apesar de a ideia de você não “perder tempo” dirigindo enquanto se locomove para algum lugar ser bastante agradável, nem tudo são flores para os veículos autônomos. O principal receio sobre eles acaba sendo algo bem simples e vivenciado por muita gente diariamente: e se o computador trava?

É claro que o sistema usado em um carro que será guiado “automaticamente” é bem mais complexo e robusto do que aquele empregado em seu smartphone, por exemplo. Mas ainda não foi inventada uma máquina à prova de falhas, sejam da ordem que forem, o que deixa algumas pulgas atrás da orelha de quem quer que pense um pouco sobre esse avanço tecnológico.

Carro autônomo da Google (Fonte da imagem: Divulgação/Google)

Carros hackeáveis?

Tudo o que envolve computador e informática pode, de uma forma ou de outra, sofrer influência humana. Tal influência pode ser positiva, como a definição da rota a ser traçada, limites de velocidade e tudo mais que envolva precisão e segurança, ou negativa, como acesso não autorizado ao “coração” do veículo.

Este último caso levanta questões inevitáveis sobre a real segurança desses sistemas que, usados de forma imprudente ou mal-intencionada, podem resultar em graves acidentes. E se um carro fosse hackeado? O sistema de transmissão de informações do veículo será, muito provavelmente, sem fio, o que acaba permitindo a interferência de terceiros.

Por mais seguro e robusto que seja um sistema, ele poderá ser violado em algum aspecto, em algum nível. Não por acaso, estima-se que a indústria de segurança cibernética gastou cerca de US$ 60 bilhões apenas em 2011, o que mostra o quanto ainda precisa ser feito mesmo (e principalmente) quando o assunto está relacionado às megacorporações da web.

Prevenção

Apesar de ser um ramo bem incipiente, com carros autônomos funcionando basicamente em fase de testes em algumas partes do mundo, a indústria do setor já se mobiliza para minimizar as chances de hacking. Um dos projetos mais consolidados é o da Intel, que usa a experiência em segurança da McAfee (adquirida em 2010 pela companhia de hardware) para aprimorar os níveis de segurança em carros inteligentes.

Falhas = acidentes graves

Uma máquina de lavar roupas, por exemplo, trabalha com diversos processos automatizados, restando a você apenas encher seus recipientes e pressionar alguns botões. Se tudo ocorre bem, ao final do processo você tem um monte de roupas lavadas e centrifugadas, com quase nenhuma participação humana.

No caso de um carro autônomo, o processo pode ser bem semelhante: você define um destino, pressiona alguns botões e a máquina faz o restante. Convenhamos que uma falha aqui pode resultar em danos bem mais graves do que o mesmo ocorrendo em uma máquina de lavar.

É claro que precisamos levar em conta que estes sistemas estão em fase de testes, período em que é normal o acontecimento de falhas. É nessa fase também em que os erros mais graves e recorrentes são identificados e corrigidos, mas sabemos também que é relativamente comum ver montadoras fazendo recall para corrigir defeitos que passaram pelo controle de qualidade.

Um exemplo de recurso automático que falhou vem da Volvo, durante testes de um sistema de frenagem automática. O vídeo, que circula na web até hoje (e você confere aqui embaixo), é de uma prova realizada em 2012 e mostra uma falha durante um teste do sistema de aviso de colisão.

Alternativas

Além de carros autônomos estarem em fase relativamente inicial, os projetos que preveem a diminuição da participação dos motoristas na pilotagem são bem variados. A própria Volvo aposta na primeira leva de veículos do gênero já para o ano de 2014 e faz previsões bem otimistas. “A nossa visão é que ninguém seja ferido ou perca a vida em um Volvo até 2020”, afirma Anders Eugensson, representante da companhia sueca.

Há ainda um outro conceito, chamado de Platooning, que coloca os carros em comboios, sendo todos guiados apenas pelo primeiro. Nele, os motoristas seriam alertados para retomarem a direção sempre que alguma pane fosse identificada.

Sistemas anticolisão

Está em desenvolvimento nos Estados Unidos um sistema que não pretende criar carros autônomos, mas sim veículos e pistas inteligentes para zerar o número de colisões. Por meio de um sistema de rádio, que colocaria em uma mesma conexão veículos, sinalização e até mesmo a rua em si, os carros se comunicam entre si para evitar qualquer choque.

Quem sabe, uma tecnologia como essa aplicada à ideia de carros autônomos seja uma solução viável para tentar reduzir ainda mais as chances de acidentes com veículos sem motoristas. Mas talvez a previsão da Volvo seja otimista demais e o uso em larga escala deste tipo de tecnologia deva demorar mais algumas décadas.

Outra saída viável seria o não abandono dos motoristas, com a automatização de somente alguns processos, como sistemas anticolisão e estacionamento, por exemplo.