Carros vão interpretar gestos como o Kinect (Fonte da imagem: Baixaki/Tecmundo)

Possibilidades impressionantes de interação digital vão redefinir a forma como pilotamos um carro. Pelo menos é o que a Mercedes-Benz pensa para os próximos 5 a 10 anos. Visitando o estande oficial da empresa na CES 2012, pudemos testar um recurso de telemática conceitual que já está em desenvolvimento.

Do que se trata?

Imagine que o seu painel é digital e o para-brisas possui realidade aumentada. Desta forma, enquanto dirige pode acessar a internet e realizar diversas ações gestuais para que o carro faça reconhecimento e as execute imediatamente. É como um Kinect sobre rodas. 

Mas se o celular já causa acidentes, como vamos dirigir com apps e vários dados no para-brisas? O pessoal da Mercedes logo avisou que isso não é um problema, pois o sistema só é acionado apenas em piloto automático! Logo, para a próxima década eles já acreditam que carros vão poder andar sozinhos, enquanto você curte um filminho.

Duas câmeras com infravermelho reconhecem o corpo do motorista (Fonte da imagem: Baixaki/Tecmundo)

A experiência

Assim que sentei na cabine de simulação, um funcionário explicou que as duas câmeras com infravermelho do teto rastrearam o meu corpo em 3D, assim como ocorre no Kinect. Desta forma, bastava levantar o braço no ar e fazer pequenos movimentos com as mãos para controlar o painel e o para-brisa. Neste momento, a tecnologia apenas reconhece o motorista, porém futuramente será capaz de enxergar outras pessoas. 

Ele então me pediu para erguer o braço direito para que pequenos pontos virtuais me distinguissem e aparecem no para-brisas. Nada aconteceu. Tive que sair e voltar de novo para a câmera realizar o rastreamento. Enquanto eu estava na fila, este tipo de problema era comum, pessoas com bermudas ou até mesmo carecas tinham uma dificuldade imensa em serem compreendidas. Não era meu caso, mas vale lembrar que este era apenas um protótipo.

Novamente no banco do motorista, ergui o braço direito e pequenos globos digitais surgiram no para-brisa. Escolhi o de uma ponte que estava vendo e fiz um movimento para frente, como se estivesse pegando uma bola. Informações sobre ela surgiram na tela com dublagem. Para voltar, bastava puxar o braço para trás.

(Fonte da imagem: Baixaki/Tecmundo)

Ao longo do percurso, vários destes globos iam surgindo na medida em que o carro ia identificando outros veículos, lojas, hotéis, restaurantes e pontos turísticos. No painel, era possível alternar entre três menus principais movendo a mão: social, multimídia e lugares.

O primeiro era para meus contatos, no qual eu poderia realizar chamadas de voz, por exemplo. Em multimídia é possível tocar e alterar músicas e vídeos, embora estes últimos ainda não estejam em desenvolvimento ainda. 

No menu de lugares, o motorista pode traçar rotas ou receber informações de lojas e restaurantes, como análises de clientes com nota, preços e até mesmo descontos imediatos, caso o estabelecimento assim quisesse. E toda informação nova disponível tinha a opção para favoritar e armazenar no painel.

Assim, caso um carro à frente fosse de um amigo, o para-brisa já exibia e perguntava se eu gostaria de ligar para ele. Procurando por um hotel? Basta falar o preço e ele tentará encontrar o mais próximo e ir direto para lá, permitindo até fazer reservas antes de chegar. 

No entanto, se muitos globos informativos aparecessem ao mesmo tempo no para-brisa -- e isso era comum --, ficava muito difícil a câmera escolher com precisão o que eu queria, devido à poluição visual. Algo que certamente deve ser muito testado antes de chegar à fase final do projeto.

Em 5 a 10 anos, carros vão ganhar piloto automático (Fonte da imagem: Baixaki/Tecmundo)

Muito trabalho a ser feito

A tecnologia ainda está crua. O potencial de inovação é absurdo, o uso de realidade aumentada e interação digital em veículos está apenas na sua infância e já nos espantam. Definitivamente os carros poderão ser nossa estação virtual favorita no dia a dia, aumentar a produtividade e amenizar o estresse do trânsito, porém no Brasil esta realidade pode estar longe demais.