Como é produzido um carro que vale mais de R$ 8 milhões? Desde o lançamento do Veyron, ter um Bugatti não é para qualquer um. Com o lançamento do Chiron, então, a montadora francesa está trabalhando forte para que o novo hipercarro se torne ainda mais icônico e lendário que seu antecessor.

O Veyron foi um divisor de águas no mercado automotivo ao quebrar inúmeros recordes, entre eles o de carro de produção mais rápido do mundo, então o Chiron já é concebido com uma desvantagem. Ainda assim, é um veículo que custa a bagatela de US$ 2,6 milhões e segue a mesma premissa de ser superlativo em todos os seus aspectos.

A produção do modelo já começou e as primeiras unidades devem sair da linha de montagem em breve. Sendo assim, a Bugatti achou que seria interessante compartilhar algumas informações curiosas a respeito do que é necessário para produzir um dos 70 Chiron que serão montados em 2017.

O processo, inclusive, é encarado como uma arte: não é à toa que a Bugatti não chama a sua fábrica de – bem – “fábrica”, mas de “atelier”. A planta foi criada em 2005 para a produção do Veyron e passou por melhorias para que o Chiron pudesse ser concebido por lá.

Cada unidade leva cerca de seis meses para ser produzida e o processo é inteiramente feito por pessoas: nada de robôs ou produção em massa através de esteiras. Na verdade, a única ferramenta eletrônica utilizada no processo serve para apertar os 1,8 mil parafusos presentes no veículo com o torque exato necessário, sendo que 1.068 deles precisam ter essa informação documentada em um computador.

São, também, 1,8 mil peças que precisam ser combinadas para que um Chiron ganhe forma e vida – para montá-las, um time de apenas 20 pessoas.

O futuro-novo-ícone da marca conta, inclusive, com um programa de customização chamado de “La Maison Pur Sang”, que permite que os seletos clientes escolham a pintura do veículo e quais os tipos de materiais que serão utilizados no interior do automóvel, que leva cerca de três dias para ser montado.

São 31 cores diferentes para couro, 8 para a Alcantara, 30 cores para as costuras, 18 para os carpetes e até mesmo os cintos podem vir em uma das 11 tonalidades disponíveis (ou em todas elas, caso você seja bem excêntrico).

Mas nem só de design vive o Chiron. Assim como seu “pai”, o motor é a joia escondida dentro do cofre. O monstruoso W16 8.0 com quatro turbos agora gera o equivalente a 1.479 cavalos de potência e entregam absurdos 160 kgfm de torque.

Isso é o suficiente para fazer com que o titã esportivo – que, apesar de ter o chassi e incontáveis peças em fibra de carbono, está longe de ser o que se pode chamar de leve  alcance a impressionante marca de 420 km/h.

Algumas outras curiosidades a respeito do Chiron, segundo a Bugatti:

  • A fábrica na qual ele é montado tem mais de 1 quilômetro quadrado e o piso é feito de um epóxi que repele cargas eletroestáticas
  • O processo de produção do Chiron passa por 12 estações de trabalho
  • Apesar de manter os mesmos 628 kg, o motor W16 do Chiron produz cerca de 300 cavalos a mais que o do Veyron
  • Para conseguir medir a potência do motor, inclusive, a Bugatti teve que instalar aquele que é considerado o dinamômetro mais potente do mundo
  • Durante os testes no dino, o Chiron gera o equivalente a 1,2 mil ampere de energia elétrica que são retornados para o sistema elétrico da fábrica
  • O exterior conta com 23 opções de cores, enquanto a fibra de carbono vem com 8 tonalidades possíveis. São necessárias até oito camadas de tinta que são todas aplicadas à mão
  • Além das 20 pessoas envolvidas na produção, a Bugatti conta com 17 profissionais de logística e 15 especialistas em qualidade
  • Um teste coloca o carro sob condições de chuva forte durante 30 minutos para checagem de possíveis vazamentos
  • A Bugatti afirma que o chão de sua fábrica é tão limpo, mas tão limpo, que você pode comer caviar nele se quiser

Como se trata de um veículo feito para uma clientela exclusiva e exigente, nada menos do que a perfeição é aceitável.

É por isso que, depois de pintado, o Chiron passa por uma câmara iluminada onde o time de qualidade faz uma inspeção de 6 horas para atestar que não há qualquer tipo de imperfeição na pintura. O processo de correção pode levar de 3 horas até três semanas, dependendo da gravidade da imperfeição.

Então, caso você tenha conseguido guardar ou tenha R$ 8 milhões dando bobeira por aí, talvez o novo hipercarro da Bugatti seja uma boa forma de você “investir” o seu rico dinheirinho.