Um dos convidados de destaque da Campus Party 2015 foi o jovem Shubham Banerjee, o menino de apenas 13 anos responsável pela criação de uma impressora braile feita com base no famoso brinquedo de montar, o LEGO. Antes de sua apresentação no evento, o empreendedor mirim realizou uma rápida sessão de perguntas e respostas com a imprensa, e o TecMundo esteve presente para saber mais sobre o gênio juvenil.

Segundo o próprio Banerjee, tudo começou quando ele resolveu perguntar para seus pais como as pessoas com deficiências visuais faziam para ler e eles, que estavam ocupados na hora, recomendaram que ele procurasse no Google. Ele então descobriu sobra a escrita em braile e ficou sabendo que as impressoras capazes de produzir esse tipo de texto custam muito caro, indo de US$ 2 mil em suas versões mais simples até US$ 15 mil nas mais completas.

O estudo sobre o assunto na internet também revelou ao jovem que atualmente 35 milhões de pessoas no mundo inteiro são consideradas legalmente cegas e que, desse total, 90% era constituído por residentes de países subdesenvolvidos. Os números o impressionaram e ele então resolveu usar seus conhecimentos para desenvolver uma impressora braile de baixo custo que facilitasse o acesso de pessoas necessitadas à leitura e alfabetização.

Sucesso de bloco em bloco

Usando um conjunto de peças do LEGO Mindstorms e algumas peças reaproveitadas de outros eletrônicos (como uma bobina de papel de uma calculadora, por exemplo), ele então criou a Braigo 1.0 e compartilhou seu projeto gratuitamente. O que Shubham não sabia então era que a sua ideia rapidamente ganharia destaque na mídia internacional e atrairia a atenção tanto dos deficientes visuais quanto de grandes corporações.

O jovem de 13 anos foi então convidado para vários eventos ao redor do globo e chegou até a conhecer o presidente dos EUA em uma visita à Casa Branca. Recebendo muito encorajamento dos familiares de deficientes visuais e de pessoas interessadas em um modelo que pudesse ser adquirido por um custo reduzido, ele começou a trabalhar na Braigo 2.0 e fundou a empresa Braigo Labs, reunindo uma equipe de dez pessoas para colaborar na criação.

Como os modelos mais avançados de impressora braile costumam ser pesados e desajeitados, Banerjee se inscreveu em um programa de testes do novo SoC da Intel, o Edison, e integrou o hardware em seu projeto. Durante uma apresentação posterior feita pelo garoto em um evento, a fabricante o surpreendeu ao anunciar um investimento de Venture Capital na Braigo Labs, tornando Shubham a pessoa mais jovem a receber esse tipo de apoio até hoje.

Ajudando o mundo todo

Atualmente, a empresa do garoto está estudando formas para desenvolver sua impressora em uma escala industrial, pensando em seu design e em contratos com fornecedores. Até o início do segundo semestre de 2015, a ideia é que entre 20 e 25 protótipos sejam criados e distribuídos para instituições voltadas para deficientes visuais. O feedback desses testes deve ser incorporado ao produto antes que ele seja realmente fabricado em grande escala.

Durante sua visita ao Brasil, Shubham conheceu a Fundação Dorina Nowill, que ampara pessoas por deficiências de visão, e se comprometeu que um desses primeiros protótipos seja enviado diretamente para a instituição brasileira. A notícia é boa porque abre espaço para que o produto final já chegue ao nosso país com suporte verdadeiro ao braile em português.

Segundo o jovem, a ideia principal por traz da Braigo 2.0 é criar algo acessível, que as pessoas possam ter em suas casas e que seja tão fácil de utilizar que tudo possa ser imprimido com rapidez. De acordo com um representante da Intel, alguns deficientes visuais ressaltaram a importância da novidade, que é muita significativa por ser “de baixo custo e, mais do que isso, ser leve e portátil”.

Mais por menos

Banerjee afirma que não começou tudo com a intenção de fazer uma empresa ou ganhar dinheiro, mas sim para poder ajudar as pessoas. O garoto revelou com exclusividade para o público da Campus Party que sua máquina virá com um sistema próprio que permite transcrever automaticamente documentos de texto inteiros no formato de PDF para sua impressão em braile em cerca de 30 segundos – processo que até então envolvia gasto com software de conversão.

Questionado sobre qual seria o próximo passo depois da conclusão da Braigo 2.0, o jovem ressaltou que por enquanto o foco de sua equipe é concluir esse produto para as pessoas cegas. “Mas nada impede que no futuro pensemos em projetos para pessoas com outros problemas, seja surdez ou qualquer outra coisa [...] Tudo o que eu sei é que ela chegará ao mercado, será mais barata e terá impacto”, ressaltou. Quando lançada, a impressora deve custar menos de US$ 500 (cerca de R$ 1.371).

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