Embora a maioria das fabricantes insista na produção de chips cada vez mais rápidos, a Movidius acredita que isso não é exatamente necessário. Para a empresa, o futuro da indústria está em apostar em hardwares mais inteligentes que se mostrem capazes de realizar tarefas específicas de forma mais aprofundada.

Exemplo disso é o Myriad 2, sucessor do coprocessador Myriad 1 presente no Project Tango da Google. A invenção promete oferecer um desempenho até 20 vezes maior do que o visto atualmente em tarefas que envolvem o processamento de imagens, o mapeamento de ambientes em tempo real e a gravação de vídeos panorâmicos, entre outras tarefas — tudo isso com o objetivo de, eventualmente, proporcionar uma experiência tão inteligente quanto a visão humana.

Ambas as gerações do Myriad são exemplos de chips que se focam em tarefas específicas e, com isso, conseguem superar qualquer CPU ou GPU convencional. No caso do Myriad 2, a intenção é fornecer a mesma capacidade de processamento de imagens e vídeos que uma placa de vídeo dedicada oferece — com a diferença de que você não vai depender de um desktop conectado a uma tomada para fazer isso.

Uma nova revolução da imagem

Segundo o CEO da Movidius, Remi El-Quazzane, o novo chip tem o ambicioso objetivo de provocar uma “terceira revolução da imagem”. “A primeira foi a capacidade de capturar cenas em filme, a segunda foi a mudança para o digital. Agora, estamos entrando na 'próxima era das câmeras', na qual o processamento e o entendimento são tão importantes — ou mais — do que preservar o momento exato”, explicou ele em uma entrevista ao SlashGear.

Para realizar essa missão, o Myriad 2 se divide em duas partes. Uma delas apresenta 12 processadores “SHAVE” de 128 bits que foram otimizados para trabalhar com tarefas que envolvam o processamento de imagens — como padrão, cada um deles roda a uma frequência de 600 MHz, embora haja espaço para a realização de overclocks.

A outra fatia do chip é constituída por aceleradores configuráveis chamados de filtros SIPP (Streaming Inline Processing Pipeline), que podem ser usados para realizar tarefas como unir dados de diferentes tipos de câmeras (IR e RGB, por exemplo) ou para “costurar” diversos ângulos de um vídeo de forma a criar uma experiência de 360 graus.

Para completar, o Myriad 2 apresenta um par de processador RISC de 32 bits que gerenciar as tarefas realizadas. Segundo El-Quazzane, tudo isso somado representa “o melhor de dois mundos”: enquanto o lado SHAVE oferece poder computacional bruto que pode ser usado de formas variadas, os filtros SIPP podem lidar com processos mais simples — como bônus, a memória centralizada permite que esses dois lados trabalhem simultaneamente na mesma tarefa.

Hardware versátil

O resultado do trabalho da Movidius é um chip de 6,5 milímetros de lado e 1 milímetro de espessura que aguenta trabalhar de forma simultânea com os dados de 12 lentes de 13 megapixels gravando vídeos a 48 quadros por segundo. Além disso, o chip consome somente 0,5 W para funcionar — quantia 10 vezes menor do que a necessária para operar uma GPU dedicada.

Embora smartphones obviamente devam ser beneficiados pela novidade, a fabricante também acredita que ela pode ser usada em dispositivos de realidade aumentada, scanners 3D, sistemas de reconhecimento de objetos e em vários outros meios — inclusive na fabricação de robôs.

Para completar, o Myriad 2 é tão potente que é possível usá-lo em câmeras fotográficas com o tamanho de um botão, o que deve beneficiar a construção de gadgets vestíveis. A fabricante já firmou acordos com 20 parceiros que devem trabalhar na produção de dispositivos com o chip, cuja estreia comercial deve acontecer em agosto deste ano.

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