Anunciando 2, 5 ou até 12 megapixels, as câmeras de telefones celulares estão cada vez mais presentes no dia a dia das pessoas. Em alguns mercados – como nos Estados Unidos – a venda de câmeras   compactas apresenta queda graças à melhora na qualidade de captação de telefones celulares.

Naturalmente, quando comparados às câmeras maiores – profissionais ou semi-profissionais – como as dSLR ou micro-4/3, a imagem de um celular deixa muito a desejar. O tamanho do sensor, a qualidade da lente e até mesmo a velocidade do disparo influenciam bastante no resultado final.

Mesmo assim, com um pouco de técnica e atenção, é possível obter imagens fantásticas com uma câmera de celular. Tanto isso é verdade que o fotógrafo Lee Morris – do site Fstoppers – criou um editorial de moda usando um iPhone 3GS para capturar as imagens.

Como você viu no vídeo acima, é possível sim ter resultados excelentes com um iPhone – ou qualquer outro celular -, desde que as condições para a captura da imagem sejam boas. Este artigo vai abordar algumas dessas técnicas que podem melhorar consideravelmente suas fotografias com o celular.

Arte e técnica

Fotografar é sempre um exercício do olhar, então boas imagens sempre são resultado de um olhar treinado. Quanto mais você fotografar – aproveitando a liberdade que os cartões de memória gigantescos oferecem – maiores as chances de, com o tempo, a qualidade geral das suas imagens aumentar.

por Stuti ~, usando um Nokia 6233

fonte: Stuti ~

A fotografia tem diversos artifícios para facilitar a obtenção de boas imagens, e quando a câmera escolhida for um celular, todos  contam, em maior ou menor grau.

Graças às limitações do equipamento é difícil, por exemplo, regular com precisão a exposição – quantidade de luz que atingirá o sensor para formar a imagem – de uma cena. Ao mesmo tempo, a composição – a escolha dos motivos que comporão a fotografia – assume importância dobrada, pois será a responsável pela força da imagem.

Bem ajustado

Independente do equipamento que você utiliza para fotografar – dSLR, compacta ou celular – o primeiro passo para obter boas imagens é conhecer as capacidades e limitações da câmera. Qualquer celular – até os mais modernos smartphones – têm diferenças na velocidade de captura e nas regulagens possíveis no momento de fotografar.

por Luciano de Sampaio, com um Motorola A45 Eco   por Luciano de Sampaio, com um Motorola A45 Eco   por Luciano de Sampaio, com um Motorola A45 Eco, em regulagem  por Luciano de Sampaio, com um Motorola A45 Eco

fonte: Luciano de Sampaio

Várias dessas regulagens, por sinal, devem ser utilizadas sempre. Os modos de fotografia – noturno, luz artificial, etc. – oferecem resultados mais satisfatórios do que a captura automática, por aproveitar melhor a qualidade da luz existente. Conhecer e aproveitar a capacidade de balanço de branco – o efeito real desses modos de fotografia – garante melhores resultados às suas imagens.

Na hora do click

Iluminação

Sem luz não há fotografia, e devido ao tamanho reduzido de lentes e sensores, câmeras de celular são um pouco limitadas na capacidade de transformar luz em imagem.

por Or Hiltch, com um Nokia 6500s-1

fonte: Or Hiltch

Dias claros, com poucas nuvens e nas “horas de ouro” do amanhecer e entardecer são os momentos ideais para utilizar a câmera do celular para fotografar. Luz forte e bonita, sombras suaves e cheias compõem a situação clássica para a grande fotografia.

Ruído em áreas escuras

fonte: Luciano de Sampaio

À noite, ou em ambientes escuros, a câmera de celular encontra dificuldades maiores. Com pouca disponibilidade de luz, o sensor que transforma a cena em imagem digital não funciona da mesma forma, exigindo mais do equipamento. Inevitavelmente, isso se torna ruído na fotografia.

Flash

Flash do Nokia N8Para minimizar esse problema, o modo noturno de captura pode ajudar bastante, ou ainda, o próprio flash encontrado em vários aparelhos também pode fornecer iluminação suficiente para a captura.

A utilização dos flashes, inclusive, deve ser pensada. Na maioria das vezes, a luz dispensada pelas pequenas lâmpadas ou LEDs de um celular não é suficiente para iluminar uma cena escura, e nas poucas ocasiões em que isso acontece, a chance de superexposição (“estourar” a foto) é bastante alta.

Uma das poucas ocasiões em que o flash é bastante recomendado, entretanto, é ao ar livre em dias muito claros. Usar a iluminação do flash como preenchimento quando a cena está em contraluz pode garantir resultados surpreendentes.

Enquadramento

Além de acertar a luz e garantir que a exposição da imagem – aproveitando os modos que o celular oferece para isso – deve-se pensar também naquilo que será fotografado.

Para decidir o que fotografar, é necessário ter alguns detalhes em mente:

  1. O sensor de uma câmera de celular é minúsculo, e portanto não lida bem com muitos detalhes em uma mesma imagem;
  2. O obturador de um celular é – via de regra – atrasado em relação ao toque no botão de disparo da câmera.

Essas duas características dos celulares criam a necessidade de adaptações em relação ao procedimento comum às câmeras fotográficas, sejam elas compactas ou dSLR.

Chegue mais perto

Em primeiro lugar, mesmo que o celular conte com muitos megapixels, o tamanho do chip que captura as imagens dificulta a captura de imagens com muitos elementos. Paisagens com muitos contrastes e cenas detalhadas terão – provavelmente – uma qualidade menor do que uma foto mais próxima.

por Luciano de Sampaio, com um Motorola A45 Eco  por Luciano de Sampaio, com um Motorola A45 Eco

fonte: Luciano de Sampaio

Por isso, recomenda-se chegar sempre o mais perto possível do objeto da fotografia, preenchendo o máximo do quadro com o tema principal. Dessa forma, os detalhes capturados pelo sensor estarão nítidos e visíveis, enquanto o fundo torna-se complemento do objeto fotografado.

Zoom

Imagem aproximada 8x com zoom digital

fonte: Luciano de Sampaio

Apesar da maioria dos celulares contarem com algum valor de zoom digital, se a preocupação é ter fotos com qualidade, deve-se evitar utilizá-lo. O processo de ampliação digital desconsidera parte da imagem formada no sensor, efetivamente reduzindo o tamanho real da fotografia, e em consequência a qualidade do resultado.

Braço firme

Fotografar com um celular apresenta certos desafios não encontrados em outros equipamentos. O atraso na captura e a lentidão do obturador são responsáveis pelas fotos borradas e tremidas tão comuns em uma câmera anexa a um telefone.

Eslováquia, por Luciano de Sampaio com o Motorola Milestone

fonte: Luciano de Sampaio

Para minimizar esses problemas, conhecer a sua câmera – e perceber o tempo passado entre o acionamento do disparador e a captura – é essencial. Reconhecer esse intervalo permite que a composição seja melhor resolvida, e evita tremores na imagem.

Talvez até mais importante que o intervalo entre acionamento e disparo é a estabilização do celular na posição certa para a captura. Experimente encostar a mão – ou o aparelho – em algo sólido e firme, como em uma árvore ou parede.

Velocidade não!

Se o obturador de uma câmera de celular não é rápido o suficiente para impedir o registro de tremores na hora da captura, é de se esperar que o dispositivo também não seja capaz de congelar movimentos. Esportes e outras cenas rápidas – quando fotografadas por um celular – quase certamente ficarão borradas. Se este não é o efeito desejado, uma câmera fotográfica – e não um celular – pode ser mais recomendada.

(d)Efeitos especiais

Resista sempre à tentação de usar os efeitos especiais da sua câmera. Filtros coloridos, captura em negativo, tonalidades sépia ou o famoso preto e branco diminuem a quantidade de informação da foto. Além disso, todas essas manipulações podem ser facilmente aplicadas às imagens quando você descarregá-las em seu computador.

Photoshop?

Tratar as imagens obtidas pela câmera do celular pode ser uma forma de garantir a qualidade do resultado final.

por Nevalenx, com um HTC Desire

fonte: Nevalenx

Softwares como Photoshop, GIMP ou Photoscape permitem uma vasta gama de edições, desde a transformação de uma foto colorida em preto-e-branco até a remoção de ruído de um retrato noturno.

Para aproveitar ao máximo as possibilidades do software, entretanto, deve-se utilizar a configuração mais detalhada possível da câmera . Quanto maior a resolução, e menor a compressão, da imagem no celular, mais informação estará disponível para o tratamento.

Fotografar é viver

Agora que você já descobriu algumas maneiras de extrair a melhor qualidade de imagem possível da câmera do seu celular, falta apenas produzir imagens! Fotografe sua cidade, seus amigos e o seu cotidiano. Com o passar do tempo, experiência e maior afinidade com o equipamento também aumentarão a qualidade da sua fotografia.

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