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Informações publicadas hoje pelo jornal Folha de S.Paulo dão conta que o governo brasileiro já conhecia desde 2001 as iniciativas dos EUA de espionar comunicações por meio da internet. Em 2001, o ministro Alberto Cardoso, do Gabinete de Segurança Institucional, falou sobre o chamado projeto Echelon, criado para interceptar emails e ligações telefônicas.

Já em 2008, o engenheiro da Abin (Agência Brasileira de Inteligência), Otávio Carlos Cunha da Silva, voltou a falar sobre o assunto, afirmando que existem também outros projetos semelhantes em alguns governos da Europa. Ele era responsável pelo Cepesc, um centro de pesquisa em segurança da informação que fazia parte do órgão governamental.

Relatórios formulados na Europa confirmam a existência do Echelon e o definem como uma grande rede de computadores, que monitora dados transferidos por satélites, torres e cabos. O sistema estaria em operação desde os anos 70, com sua concepção datando do final da Segunda Guerra Mundial.

Nada de email

Em depoimento diante da Comissão de Relações Exteriores do Senado, o ministro Paulo Bernardo afirmou que o sistema de comunicação brasileiro é extremamente frágil e chegou a falar que emails “secretos” seriam enviados automaticamente para os Estados Unidos. Afirmação semelhante foi feita pelo ministro da Defesa, Celso Amorim, que afirmou não usar o correio eletrônico para mensagens importantes.

Bernardo afirmou estar preocupado com a possibilidade de empresas nacionais terem passado informações sigilosas aos EUA, mas acredita que se esse fosse o caso, tais denúncias teriam sido feitas antes. O foco principal de atenção é a Petrobrás, que lida com informações estratégicas e que atingem a soberania nacional.

O ministro das Comunicações afirmou também que, como uma medida de segurança, qualquer tipo de assunto relevante não é enviado por email. As informações mais sigilosas são armazenadas em computadores desconectados da internet. Ele lembrou ainda as medidas que pretendem diminuir a vulnerabilidade do país, como a contratação de um satélite a ser operado pelas Forças Armadas para o tráfego de informações governamentais.

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