No dia 12 deste mês, Juliano Pinto (29), paraplégico, deu o pontapé inicial da Copa 2014. Ao usar um exoesqueleto desenvolvido pelo projeto “Andar de Novo”, o jovem colocou à prova o trabalho de mais de 150 pesquisadores. “O chute foi dado por todos. Foi um grande gol [de nossos pacientes] e de nossa ciência”, disse Miguel Nicolellis, cientista brasileiro responsável por encabeçar a empreitada. E destravar membros paralisados parece ser um dos campos experimentais mais profícuos da ciência médica contemporânea.

Em um pequeno laboratório do Centro Médico Wexner da universidade estadual de Ohio (EUA, Columbus), outro feito emblemático aconteceu. Ian Burkhart (23), jovem paralisado da cabeça para baixo há quatro anos devido a um acidente de mergulho, conseguiu mover sua mão usando apenas a “força do pensamento”. O processo todo começou em abril – mês em que um chip transmissor foi implantado no cérebro do rapaz. “Implantamos um sensor no cérebro de Ian que, basicamente, lê os pensamentos do paciente e envia sinais a uma ‘luva’ que controla os movimentos de músculos”, esclarece Dr. Ali Rezai, um dos pesquisadores da universidade.

Engenheiros de Battelle também participaram do projeto da universidade.

Localizado precisamente na parte do cérebro responsável por controlar braços e mãos, o chip conta com a tecnologia “Neurobridge”. Graças a 96 eletrodos, o dispositivo é capaz de interceptar sinais impulsionados pela tal região e enviá-los então a um segmento específico de músculos responsável pela movimentação de mãos. “Estamos lendo os sinais diretamente do cérebro, fazendo-os passar por um dispositivo e permitindo a transmissão direta dos impulsos aos músculos”, diz ainda Chad Bouton, pesquisador líder do projeto.

“Pegar um copo de água para beber. Escovar seus próprios dentes ou alimentar a si mesmo. É um diferencial se você consegue fazer estes tipos de coisas por conta própria”, comenta o jovem. De acordo com a equipe responsável pela criação do sistema implantado em Ian, o experimento teria obtido sucesso mesmo se somente um dedo tivesse sido movido; acontece que, na semana passada, até mesmo uma colher foi segurada pelo paciente.

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