Não são raros os relatos sobre celulares e notebooks que explodiram ou pegaram fogo espontaneamente. Poderíamos listar uma série de possibilidades que levam a esse tipo de situação, contudo, na maioria dos casos, as grandes culpadas são as baterias que superaquecem — e é sobre elas que vamos falar hoje.

Com tantas baterias explodindo por aí, as fabricantes são obrigadas a dar esclarecimentos. Algumas relatam que tais problemas ocorrem em uma série limitada de peças. Outras empresas, no entanto, comentam que esses componentes cheios de energia podem representar um perigo real.

(Fonte da imagem: Reprodução/Search for Soft)

Pensando nos tantos smartphones e laptops que carregamos diariamente conosco, resolvemos pesquisar um pouco mais sobre o assunto para trazer a verdade à tona. É bem possível que você também tenha adquirido um desses produtos, portanto saber exatamente o que está no seu bolso (ou na mochila) pode ser de grande valia.

A evolução para os íons de lítio

Antes de chegarmos ao ponto da explosão, devemos pensar como componentes tão modernos podem sofrer de um mal desses. Hoje, a grande maioria das baterias é do tipo íons de lítio, o que, na teoria, significa que são peças mais leves, energéticas, baratas e que contam com a mais alta tecnologia para oferecer cargas de longa duração.

Em um pequeno espaço com cerca de 25 cm² e espessura inferior a 1 cm, por exemplo, uma bateria com a tecnologia mais avançada pode armazenar energia suficiente para sustentar todo o hardware de um smartphone top de linha funcionando por horas seguidas — às vezes, até mais de um dia.

(Fonte da imagem: Reprodução/eBay)

No caso dos laptops, as baterias são um pouco maiores e pesadas, mas o funcionamento é muito parecido. A grande diferença é que os componentes para notebooks precisam fornecer maior quantidade de energia, visto que os PCs portáteis não são tão econômicos.

Em suma, as baterias de íons de lítio podem armazenar mais energia em um mesmo espaço  que as antigas baterias de NiCd, evitam o efeito de “vício” (em que a capacidade de carga é reduzida com o tempo) e são mais leves. O problema é que muitas dessas peças usam óxido de cobalto, um elemento que tende a sofrer com a fuga térmica, explica Joe Lamoreux, vice-presidente da Valence Technology.

Muito calor em um mesmo local

Basicamente, falando dos componentes eletrônicos de forma geral, podemos dizer que a grande maioria não aproveita a energia de forma eficiente, sendo que boa parte dela é transformada em calor.

(Fonte da imagem: Reprodução/Standalone Sysadmin)

Como você bem pode notar em seus dispositivos, a maioria esquenta quando fica muito tempo em funcionamento. Normalmente, esse aumento de temperatura é progressivo até um determinado patamar, mas, depois de um tempo, o calor excessivo é dissipado ou expelido do aparelho (com o uso de ventoinhas).

As baterias também são componentes eletrônicos, portanto seu funcionamento não é tão diferente no que diz respeito ao aproveitamento da energia elétrica. Em algumas situações, quando o óxido de cobalto é aquecido até uma determinada temperatura, ele entra em ciclo infinito de aquecimento.

Em um primeiro momento, a bateria libera determinada quantia de calor (resultado do funcionamento habitual), mas ele não é dissipado e as peças têm sua temperatura elevada. Depois, a bateria libera mais calor e novamente os componentes são aquecidos. Esse processo, conhecido como fuga térmica, continua até que a bateria exploda ou entre em chamas.

O problema não é só a bateria

Conforme comentamos, outros dispositivos eletrônicos e pequenos componentes também esquentam muito. Nos smartphones, por exemplo, quando um jogo está em execução, a GPU e a CPU são usadas severamente, o que ocasiona um aumento significativo de temperatura. A produção de calor e a deficiência na dissipação podem deixar a bateria mais quente — e assim também pode ocorrer uma explosão.

(Fonte da imagem: Reprodução/HWBot)

As baterias também podem sofrer quando são expostas a calor excessivo de uma fonte externa. Digamos que você colocou o notebook no porta-malas do carro e o deixou lá dentro em um dia muito quente. A temperatura ambiente pode estar a 30 ºC, mas, no porta-malas, ela chega facilmente a 60 ºC — justamente o valor para começar uma fuga térmica.

Apesar de algumas baterias de íons de lítio apresentarem problemas, nem todas trazem esse defeito — aliás, uma minoria sofre desse mal. Com o tempo, elas vão sofrer desgastes, mas isso não significa que vão explodir. Aliás, falando sobre a vida útil das baterias, é importante notar que elas devem ser substituídas a cada dois ou três anos, recomendação de Atakan Ozbek, diretor de pesquisa em energia na Allied Business Intelligence.

Cuidados especiais com as baterias

As baterias estão cada vez mais evoluídas, porém isso não quer dizer que você pode explorá-las sem quaisquer cuidados. Ainda que seja possível aproveitar 100% do potencial deles, tal medida nem sempre é recomendada. As baterias de íons de lítio sofrem muito quando a voltagem está muito baixa ou quando há pouca carga disponível.

Uma boa recomendação é não deixar o nível de carga cair muito abaixo de 50%. Vale salientar que as atuais baterias não têm o problema de efeito memória, mas elas são desgastadas com facilidade.

(Fonte da imagem: iStock)

Algumas fabricantes, como a Samsung, apostam na utilização parcial da bateria, ou seja, em vez de carregar a bateria do notebook até 100%, há uma limitação para que a carga não exceda 80%.

Enfim, não precisa ficar com medo do seu smartphone ou laptop, mas é bom tomar as devidas precauções para evitar acidentes. Caso você note que a temperatura está muito elevada, vale ficar de olho para que a bateria ou outro componente não venham a causar problemas graves para os componentes eletrônicos e até mesmo para você.

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