Um grupo de pesquisadores de instituições na Coreia do Sul e Australia afirma ter desenvolvido uma tecnologia de revestimento de membranas que promete melhorar o funcionamento de células combustíveis. Com ela, os carros elétricos podem se tornar muito mais baratos e eficientes, além de funcionarem por mais tempo.

A tecnologia, segundo um artigo publicado na revista Nature, tem como objetivo corrigir uma das maiores fraquezas das células de energia atuais: sua enorme dependência de umidade. O fato é que esse tipo de bateria depende de membranas responsáveis por realizar a mistura de gases como o hidrogênio e o oxigênio; essas, no entanto, precisam estar devidamente hidratadas constantemente para funcionar.

Uma vez que essas baterias podem se deteriorar rapidamente caso não sejam devidamente hidratadas ou mesmo sejam expostas a uma grande quantidade de calor, a solução encontrada atualmente é a utilização de radiadores, reservatórios de água e umidificadores. Tudo isso, porém, faz com que esse sistema seja grande, caro e extremamente frágil.

Eficiente como um cacto

Já o método proposto pela equipe propõe um revestimento especial que funciona de maneira semelhante aos poros de um cacto – sim, aquela planta cheia de espinhos que consegue viver no deserto mesmo com quantidades ínfimas de água –, que parecem inúmeras rachaduras microscópicas. Estes são capazes de se fechar durante o dia, ajudando a reter a água diante do sol forte, e se abrir de noite, absorvendo a umidade do ambiente.

Dentro dos veículos, por sua vez, a ideia é colocar uma camada de um material de fluorino que possa repelir a água, de maneira que, diante de altas temperaturas, as células combustíveis permaneçam fechadas e não percam sua umidade. Já em temperaturas mais baixas e com grande umidade, as mini rachaduras surgem, dando passagem para a entrada da água e do ar.

Por mais estranha que seja a ideia, a equipe mostrou que ela funciona incrivelmente bem. Após ser testada em diversas aplicações nas mais variadas condições de ambiente, o revestimento foi capaz de proteger as membranas mesmo nas mais severas situações, resultando em uma eficiência quatro vezes maior para das células de energia em condições extremas de calor ou de baixa umidade.

E no que isso efetivamente ajudaria para melhorar o desempenho de um carro? Para começar, não haveria mais a necessidade de todo o sistema de umidificação desses veículos, diminuindo o espaço ocupado anteriormente por esses equipamentos. Além disso, esse revestimento faz com que as células se deteriorem a uma velocidade muito menor, diminuindo a necessidade de trocar a bateria.

Não limitando-se a isso, essa técnica, que já está em desenvolvimento há dez anos, também tem possibilidades de aplicação promissoras em outras tecnologias, como para aparelhos de tratamento de água ou de separação de gás. Resta agora esperar e torcer que ela chegue ao mercado.

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