Uma tecnologia atualmente em desenvolvimento por pesquisadores da Holanda pode, no futuro, trocar as baterias voláteis, perigosas e extremamente caras por opções de baixo custo, mais seguras e ainda amigáveis ao meio-ambiente. A solução encontrada por eles é das mais inusitadas: trocar o lítio por bactérias que ajudam no armazenamento de energia.

As “baterias bioeletroquímicas”, como são chamadas, são compostas por duas partes extremamente importantes. De um lado, um módulo de Síntese Elétrica Microbial (MES) absorve elétrons e, com eles, gera acetato – um sal metálico capaz de armazenar eletricidade. Do outro, uma célula de combustível microbial processa o acetato com a ajuda de processos de redução e oxidação, o que libera a energia novamente para ser usada.

Todo esse processo, é claro, pode ser repetido várias vezes, permitindo o armazenamento e a liberação de cargas de energia como em uma bateria comum.

Perfeito para a energia solar

Muitos, a esse ponto, devem estar se perguntando se uma tecnologia dessas realmente funciona. Os testes feitos pela equipe, até o momento, trouxeram resultados promissores: após ser alimentada por energia durante um período de 16 horas, a bateria gerou energia por um total de 8 horas.

Eu sei, pode não parecer uma eficiência das maiores para, por exemplo, nossos celulares, mas isso se encaixa com perfeição nas expectativas iniciais da pesquisa em utilizar sua bateria bioeletroquímica em conjunto de painéis solares.

Tecnologia ainda distante

Apesar de ser uma tecnologia promissora, ainda há um longo caminho a ser percorrido antes que essa bateria de bactérias possa mesmo ter uso no mercado atual. Para começar, esses componentes possuem menos da metade da eficiência das versões de ion-lítio – apenas 30 a 40% de eficiência de ciclo, contra mais de 80% nas melhores baterias disponíveis.

Obviamente, como estamos falando de um material orgânico, essas baterias também pedem um maior cuidado de seus donos. Do contrário, as bactérias vão simplesmente morrer e fazer com que a bateria em si pare de funcionar.

Uma vez que colônias de bactérias se renovam sozinhas, baterias bioeletroquímicas têm potencial para durar um número de ciclos muito maior do que o das baterias convencionais

Como se não fosse suficiente, os pesquisadores conseguiram fazer com que sua tecnologia sobrevivesse a apenas 15 ciclos de carga – um número ridiculamente pequeno, em comparação ao que temos hoje. Isso, contudo, deve mudar com o tempo: uma vez que as colônias de bactérias se renovam sozinhas, elas têm potencial para durar um número de ciclos absurdamente maior.

Da mesma forma, a expectativa é que essas baterias bioeletroquímicas eventualmente sejam tão eficientes quanto as baterias convencionais de hoje, mas que podem ser fabricadas com custos menores e, acima de tudo, que peçam produtos químicos menos voláteis. Resta esperar para ver se, dentro de alguns anos, essa tecnologia vai ser capaz de sair do papel.

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