E se você pudesse tornar uma viagem de avião que normalmente seria extremamente longa, como ir de Nova York a Dubai, em algo que levaria menos tempo do que a maioria das pessoas demora para chegar ao trabalho em seus carros? Pode parecer impossível, mas é isso que a Imaginactive promete em seu conceito AntiPode, um avião hipersônico comercial capaz de alcançar velocidades absurdas.

Com um design dos mais curiosos que lembra bastante o de uma andorinha em voo, o AntiPode seria capaz de alcançar velocidades de 20.000 km/h. Isso, por sua vez, o faria ultrapassar a barreira Mach 24 – o que o faria nada menos do que 12 vezes mais veloz do que o Concorde, o famoso avião supersônico comercial mais rápido do mundo.

Para conseguir essa façanha, o veículo contaria com um motor a jato. Junto disso, o AntiPode utilizaria um par de propulsores a jato reutilizáveis, que, de maneira semelhante ao Blue Origin, o ajudariam a levantar voo de qualquer pista e chegar a Mach 5, antes de se destacarem do veículo para deixar a propulsão principal dar conta do serviço.

Chegando à velocidade máxima, o Antipode passa a simplesmente pairar até o ponto desejado. Um conjunto de propulsores de emergência também estaria presente para ajudar no pouso, vale notar, seja desacelerando o veículo ou ajudando-o a levantar voo novamente para uma segunda tentativa de pouso.

E como lidar com a enorme temperatura e pressão gerada por tamanha velocidade? O segredo está no em um fenômeno aerodinâmico descoberto recentemente chamado LPM (“Long Penetration Mode” ou “Modo de Longa Penetração”, em português), do qual o AntiPode tira proveito.

Basicamente, o veículo utiliza uma saída localizada no nariz do avião para criar um contrafluxo de ar na estrutura, que reduz o calor gerado pelo atrito com o ar, bem como a onda de choque causada pela quebra da barreira do som. Mesmo assim, a fuselagem do Antipode ainda precisaria ter uma pesada proteção contra calor e pressão, já que o LPM não dá fim à esses fatores por completo.

Incrível no papel, complicado na prática

Até aí pode parecer uma ideia perfeita, mas é preciso notar que há uma série de limitações e problemas a serem levados em consideração no projeto. Para começar, ele está mais para um jatinho particular do que um Boeing 747, sendo capaz de carregar apenas dez pessoas por voo.

Obviamente, tanta tecnologia também sairia extremamente caro. Segundo Charles Bombardier, o inventor do conceito, em entrevista à Forbes, o AntiPode “custaria muito mais do que qualquer jato comercial no mercado de hoje”. E quanto seria isso? Aproximadamente 150 milhões de dólares por unidade, na melhor das hipóteses, contou ele ao Daily Mail.

Uma vez que estamos falando de um veículo que chega a velocidades absurdas, é preciso lembrar também que a maioria dos passageiros não conseguiria aproveitar a viagem – afinal, a força G gerada por um veículo desses é capaz de apagar qualquer um. Como se não fosse suficiente, criar um motor tão poderoso e estável é outro enorme desafio.

Todos esses problemas, é claro, são compensados pela eficiência do veículo. Viagens de Nova York para Londres ou Paris, por exemplo, levariam pouco mais de dez minutos; já para locais distantes como Tóquio ou Dubai, a mais de dez mil quilômetros de distância pediriam aproximadamente 22 minutos de voo. Mesmo ir até Xangai, Hong Kong ou Sidney deixaria de levar um dia inteiro para tomar apenas meia hora de seu dia.

Mesmo em meio a tantas complicações, por fim, Bombardier afirma que o projeto do Antipode poderia se tornar realidade, caso houvesse demanda. “Mas antes, maiores pesquisas têm de ser conduzidas”, avisa ele.

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