Ter um avião particular – e pilotá-lo – não é exatamente a tarefa mais fácil do mundo. Além de ser preciso ter uma grana considerável em caixa para investir em um brinquedinho desses, aprender a cruzar os céus a bordo de um veículo do tipo exige um treinamento árduo. Querendo jogar para escanteio ambos os conceitos, a empresa norte-americana Icon Aircraft projetou seu elaborado Icon A5, uma aeronave anfíbia que simplifica consideravelmente seus controles por um valor, digamos, menos proibitivo.

Com um preço estimado em US$ 189 mil – cerca de R$ 756 mil, em conversão direta –, o modelo faz parte da categoria “esportivo leve” e ficou em desenvolvimento por quase dez anos, alguns dos quais foram gastos para conseguir passar na rigorosa aprovação do órgão de aviação dos EUA. Agora, finalmente, o pássaro metálico se prepara para ganhar a autorização final para ser comercializado e já pode voar em trajetos experimentais pelo espaço aéreo de Manhattan – dando uma bela visão da ilha e de seus pontos turísticos.

Estilo ousado

Para conquistar pilotos de fim de semana e entusiastas em potencial dos passeios pelo ar, o Icon A5 aposta em uma simplicidade ímpar e, claro, em um design arrojado. Se você alguma vez já viu de perto o painel de controles de um avião de verdade – ou sua reprodução virtual em games como Flight Simulator –, sabe que o emaranhado de botões, luzes e indicadores é capaz de dar um nó na mente de iniciantes no setor.

Assim, o projeto da Icon concentra sua instrumentação em apenas oito itens, um leitor de altitude digital e um tablet acoplado ao cockpit, que agrega boa parte das informações de navegação do veículo. Em questão de visual, tanto as linhas agressivas do exterior quanto o aspecto de carro esportivo do interior ajudam a fazer com que o dono de uma dessas belezinhas se sinta como se estivesse dentro de um automóvel um pouco mais sofisticado do que o que vemos aqui embaixo.

Com espaço para somente duas pessoas, a cabine não é exatamente espaçosa, mas dá conta de receber os integrantes da pequena tripulação com conforto – além de oferecer espaço para bagagens de mão em viagens curtas. Como um destaque adicional, a dupla de asas do avião se dobra e deixa o conjunto ainda mais compacto, fazendo com que seja descomplicado transportar o avião por terra, com ele acoplado a um carro, por exemplo.

Mudando o cenário da aviação

Segundo Kirk Hawkins, CEO da Icon e um dos pais do A5, cada detalhe da aeronave foi pensado para destilar o ato de voar para a sua forma mais pura – permitindo que apenas o essencial da prática fosse mantido em sua empreitada no setor. “Criar produtos realmente bons como esse para os consumidores, com a capacidade de se conectar a você emocionalmente, requer um esforço em um patamar completamente diferente”, explicou o executivo ao site Engadget.

A introdução da classe esportiva leve e a “briga” pela aprovação com a FAA (Federal Aviation Administration ou Administração Federal de Aviação, em português) também ajudaram a moldar o produto final e até a preparar o terreno para que concorrentes fizessem parte da brincadeira. “Eles consideravam a aviação algo difícil, perigoso e não feito para o público geral”, analisou Hawkins ao falar sobre como a instituição norte-americana regulou novos projetos nos últimos 50 anos.

Embora monomotores usados da marca Cessna possam ser encontrados lá fora por valores entre US$ 20 mil e US$ 50 mil – algo como R$ 80 mil e R$ 200 mil, respectivamente – e tenham mais chances de atrair aficionados pelo tráfego aéreo, novas aeronaves nos moldes da Icon A5 trazem vantagens difíceis de serem ignoradas. Além da tecnologia mais atual e das facilidades na hora de voar, as chances são de que os produtos da Icon sejam atualizados de forma mais rápida e, eventualmente, possam ter seus preços suavizados ao longo da produção.

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