Bugatti 100P permaneceu escondido durante toda a Segunda Guerra Mundial (Fonte da imagem: SWNS)

A Segunda Guerra Mundial durou, oficialmente, entre 1939 e 1945, envolvendo diversos países e deixando milhões de mortos, o que resultou em um dos conflitos mais sangrentos já registrados na História da humanidade. Durante este período, a Alemanha nazista dominou boa parte do território europeu, estabelecendo administrações militares nos países ocupados.

Na França, o domínio alemão ocorreu durante basicamente toda a guerra, entre 1940 e 1944, quando as tropas aliadas derrotaram o exército nazista. Mas, apesar de ter metade do país dominado pelo exército de Adolf Hitler, os franceses conseguiram manter alguns de seus segredos intactos, como o avião Bugatti 100P.

O equipamento havia sido planejado por ninguém menos do que Ettore Bugatti, o lendário designer de automóveis — você já deve ter ouvido falar da marca de carros esportivos que leva o sobrenome de seu criador.

Um segredo escondido

Ettore Bugatti foi o responsável pela concepção do projeto do Bugatti 100P, um avião de velocidade que seria capaz de alcançar 800 km/h — lembre-se de que estávamos em plena década de 1930 e que, hoje, o canadense Bombardier CRJ1000 NextGen, quinto avião mais rápido do mundo, chega a no máximo 871 km/h.

Caso tivesse sido fabricada durante a ocupação da França, a máquina poderia ter sido decisiva para que a força aérea nazista vencesse a Batalha da Grã-Bretanha, por exemplo. O duelo foi travado entre as forças aéreas de Alemanha e Inglaterra logo no início da Segunda Guerra e vencido pelos ingleses.

Originalmente pensada como um avião de corrida para competir na Deutsch de la Meurthe de setembro de 1939, a aeronave não ficou pronta a tempo. Com a invasão alemã em 1940, o projeto do avião foi suspenso e Bugatti resolveu escondê-lo mesmo inacabado em algum lugar do interior da França durante os anos seguintes, até o fim do conflito.

(Fonte da imagem: Divulgação/Le Rêve Bleu Project)

O mais rápido do seu tempo

O projeto de Bugatti contou com a participação de Louis de Monge, seu principal engenheiro, e tinha como coração da máquina dois motores capazes de gerar uma potência de 900 cv, alcançando assim 800 km/h. Os motores seriam montados um à frente do outro, atrás do cockpit, mas desalinhados, sendo cada um deles responsável por alimentar uma das hélices frontais da aeronave.

A estabilidade do avião vinha de duas caudas em V, com inclinação de 102 graus, uma opção diferente da convencional da época, que era a utilização de caudas retas. O resfriamento do motor era feito de modo natural, levando o ar que chegava às asas do avião para dentro das engrenagens.

Um dos destaques do 100P eram os controles de voo computadorizados, que permitiam alterar o perfil da asa de modo a conseguir peso extra, reduzir o atrito com o ar ou até mesmo realizar uma aterrissagem — aparelhagem avançada para a sua época e que permaneceu adormecida durante diversos anos.

Enfim, à vida

Com o fim da Segunda Guerra Mundial em 1945, o Bugatti 100P foi “redescoberto” e vendido, tendo sido leiloado inúmeras vezes desde então. O modelo original está atualmente em exposição no Airventure Museum, nos Estados Unidos, depois de ter sido adquirido e restaurado.

O tempo e a fragilidade dos equipamentos, que ainda são originais, impedem o Bugatti 100P original de ganhar os ares, mas um grupo de fãs de aeronaves antigas resolveu recriar o modelo. O projeto “O sonho azul” (ou “Le Rêve Bleu”, em francês) pretende criar uma réplica em tamanho natural e capaz de voar do modelo idealizado por Ettore Bugatti em 1938.

Uma equipe de engenheiros dos Estados Unidos contou com a ajuda de um ex-engenheiro da Royal Air Force, a força aérea britânica, para trazer o antigo avião à vida. Eles levantaram mais de 60 mil dólares em doações por meio da plataforma de financiamento coletivo Kickstarter.

O grupo espera finalizar o projeto no segundo semestre de 2014 e começar a realizar exibições em eventos de aeronaves nos próximos anos. Para saber mais sobre o projeto, acesse a sua página oficial.