Dois vídeos publicados ontem (10) pelo exército naval dos Estados Unidos da América mostram o que pode significar uma nova definição ao conceito de guerra: o X-47B Unmanned Combat Air System (UCAS) levantou voo e pousou sem quaisquer tipos de complicação no convés do gigantesco USS George HW Bush (CVN 77). Os testes foram realizados nesta semana, na costa do estado de Virginia (EUA).

Mas o que isso quer realmente dizer? A tecnologia bélica vem sendo aprimorada desde tempos imemoriais e, no campo dos exércitos aéreos e naval, o desenvolvimento de um avião não tripulado e completamente autônomo pode de fato inaugurar uma novo capítulo na frágil história da humanidade. E não apenas voos e reabastecimento automáticos podem ser feitos pelo tal “zangão”: o X-47B ainda não foi carregado com armas, mas é capaz de suportar um peso de até 10 mil libras (algo em torno de 4 toneladas e meia).

Os custos do projeto (que já demonstra um desempenho ótimo em suas funções de decolagem e pouso, como bem se pode notar ao observar os vídeos postados nesta notícia) giram em torno de US$ 1,4 bilhão (cerca de R$ 3 bilhões – se considerada a atual cotação do dólar). O abastecimento automático, entretanto, pretende ser demonstrado apenas no ano que vem – o que deve elevar ainda mais os custos do tal experimento.

Um embate ético

De acordo com Noel Sharky, especialista em robótica entrevistado pelo portal The Verge, complicações éticas podem ser provocadas pelo novo protótipo voador de guerra. “Armas automáticas não podem ‘sentir’ os seus alvos humanos”, comenta o cientista. O exército norte-americano, por outro lado, diz que não pretende instalar armas no X-47B.

Fato é que, até o momento, o departamento naval dos EUA defende ter somente exibido a sua “prontidão no avanço de operações de aviação não tripulada”. Ainda assim, a tensão continua: o drone voador pode suportar uma carga de quase 5 mil quilos. O que as Forças Armadas estadunidenses pretendem acoplar ao revolucionário voador?

O sistema de vigilância aérea militar autônoma tem sido usado em operações no Oriente Médio e Ásia pelos Estados Unidos nos últimos anos. Não há registros, porém, de ataques feitos por zangões autônomos a civis. De toda forma, os vídeos publicados são, no mínimo, surpreendentes... O que você acha?