O chefe de marketing da ASUS para a América do Sul, Marcel Campos, explicou durante o ASUS OnBoard3, no último fim de semana, por que a empresa demora tanto para atualizar o Android em seus aparelhos na comparação com o lançamento oficial do sistema operacional feito pela Google. De acordo com Campos, o problema está basicamente no fato de a empresa não conseguir aproveitar praticamente nada do código da versão anterior na hora de fazer a atualização de um aparelho.

Quando o procedimento é apressado, as coisas nem sempre vão bem

“Toda vez que você sai de um flavour do Android para outro, você tem que refazer tudo do zero. Você não reaproveita. O código todo tem que ser feito de novo”, argumentou Campos. O chefe de marketing da fabricante comentou que esse processo é demorado e que o software precisa ser testado antes de ir para as mãos dos consumidores. Quando o procedimento é apressado, as coisas nem sempre vão bem.

“Quando a gente lança rápido por pressão do mercado, acaba indo com um bug ou outro, e a gente tem que ficar arrumando depois. Isso porque são várias equipes trabalhando em várias coisas diferentes no sistema”, disse.

Não dá para agilizar?

Se esse é o problema da ASUS, o de ter que refazer todo o código do sistema para poder lançar a atualização de um smartphone, porque a companhia não trabalha mais de perto com a Google para se preparar com mais agilidade para essas atualizações?

Ao que parece, a forma como a Google se relaciona com as suas parceiras não é tão próxima quanto poderia ser. A criadora do Robô simplesmente publica o software original no seu site junto com algumas instruções e deixa que todo mundo lute para adaptá-lo aos seus hardwares. Fora isso, a ASUS e as outras companhias precisam entrar em contato com centenas de fornecedores para ter todos os novos drivers para cada componente do aparelho sempre que precisam trabalhar em uma atualização.

A forma como a Google trabalha com seu sistema operacional é muito diferente do que a Microsoft faz com o Windows

“A forma como a Google trabalha com seu sistema operacional é muito diferente do que a Microsoft faz com o Windows, por exemplo. A Microsoft joga o Windows no mercado e garante que toda a base instalada recebe o mesmo software e que ele funciona. Ela garante que os drivers vão funcionar [...], e quando não funcionam, as pessoas ligam para o atendimento da Microsoft. Ela toma conta do sistema operacional, não joga no colo do fabricante. Quando chega no mundo dos smartphones, a Google lança o software e não avisa ninguém. Do nada, troca um email, manda um tweet e é isso”, explicou Campos.

Em essência, o executivo da ASUS afirma que a empresa não consegue lançar atualizações mais rapidamente porque a abordagem da Google com o software não propicia isso. As fabricantes de smartphones precisam entender um novo SO complexo e, em alguns meses, fazer todo tipo de personalização necessária para, só então, formatá-lo de acordo com cada smartphone que possuem em seus catálogos.

Marcel Campos, da ASUS, é o segundo da direita para a esquerda.

“A Microsoft fazia evento, preparava desenvolvedores, fazia treino, adaptação”, relembrou Marcel Campos se referindo à época em que trabalhava no segmento de PCs. Dessa forma, o tempo que as empresas têm para atualizar o Android em seus aparelhos começa a contar a partir da data que a Google lança publicamente a nova versão do sistema operacional. Fora isso, empresas que ainda trabalham com personalizações pesadas na interface (como a própria ASUS) precisam de mais tempo terminar seu software.

Beta e Developer Preview

Marcel Campos também comentou que as empresas do setor não trabalham com as versões beta ou developer preview do Android, o que o consumidor poderia entender como uma forma de adiantar as atualizações. Caso elas fizessem isso, jogariam muito de seu trabalho fora quando a versão final fosse divulgada, já que a Google faz suas mudanças de forma independente, só as comunicando quando estão prontas. Com isso, para não “meter o carro na frente dos bois”, as fabricantes acabam esperando o lançamento final.

Dessa maneira, é possível entender como a Microsoft sempre tem produtos novos de suas fabricantes parceiras para lançar junto com um novo Windows, ao passo que o Android mais novo demora muito tempo para chegar aos celulares dos usuários. Outra diferença que deve ser notada, entretanto, é que a Microsoft cobra pelo seu SO. A Google oferece de graça, já que se trata de um software aberto.

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