Fonte da imagem: Divulgação/Kickstarter

Na metade de 2013, um projeto muito peculiar foi aprovado no site de financiamento coletivo Kickstarter: seu objetivo era acumular fundos para a construção do telescópio espacial ARKYD.

Em entrevista para o site Mashable, o responsável pelo projeto, Chris Lewicki, disse que acreditava não ser possível angariar o valor de 1 milhão de dólares pedido no Kickstarter, pois parecia ser desinteressante para o público em geral.

Lewicki é presidente e engenheiro-chefe da Planetary Resources, uma ambiciosa companhia espacial privada dos Estados Unidos. Embora o seu plano fosse arriscado, a campanha da arrecadação terminou com 1,5 milhão para o projeto – um dos que mais arrecadou na história do serviço online. Seria o financiamento coletivo o futuro da exploração espacial?

Fracassos e sucessos

“Acho que isso representa a absoluta democratização do suporte de ideias”, disse Lewicki. “No caso do nosso projeto, houve 18 mil indivíduos que disseram ‘Sim, eu quero vê-lo acontecer e estou dando meu dinheiro para garantir isso’. O valor estipulado para arrecadação é que define se o projeto segue em frente ou não; as melhores ideias vencem.”

Embora projetos como 1000 Student Projects to the Edge of Space, SkyCube, Uwingu (este no serviço Indiegogo) e o próprio ARKYD tenham conseguido o dinheiro pedido, há outros que não tiveram a mesma sorte. O Slingatron, por exemplo, pediu 250 mil dólares e, após um mês, mal conseguiu 30 mil: sua proposta era de construir uma espécie de ferrovia circular, uma forma de gastar menos combustível para realizar lançamentos de naves para o espaço.

Fonte da imagem: Divulgação/Kickstarter

Outro projeto muito interessante, que não foi para frente, foi um idealizado pela companhia GoldenSpike, cuja proposta era “mandar indivíduos para o espaço e para a superfície da lua antes de 2020”. Depois de 70 dias de campanha, pedindo 240 mil dólares, nem 10% do valor foi adquirido.

Mas qual a diferença entre os projetos bem-sucedidos e os fracassados? Lewicki acredita ser o grau de engajamento disponibilizado pelas campanhas, garantindo benefícios mesmo para quem doar apenas as cotas mínimas possíveis. No caso específico do ARKYD, quem doasse 25 dólares poderia mandar uma foto própria para montar um space selfie com a Terra no plano de fundo.

NASA

Mason Peck, chefe de tecnologia da NASA, explica por que a possibilidade de “ter uma foto sua no espaço” é relevante: “Há várias razões para as pessoas se interessarem pelo espaço, basta ver o que é popular. Você vai perceber que o principal elemento para elas gostarem do espaço é o prospecto de que poderiam estar lá elas mesmas. As pessoas querem participar de algum tipo de atividade espacial, seja suportando empresas privadas ou fazendo parte da NASA”.

Fonte da imagem: Divulgação/Kickstarter

Falando em NASA, a verba aprovada para 2013 foi a menor desde 1986, limitando os projetos da Agência Espacial Norte-Americana. Dessa forma, missões exploratórias menores não seriam possíveis sem companhias privadas e sites de financiamento coletivo. Mason Peck não poderia estar mais feliz com o crescimento dessa indústria. Segundo ele, isso apenas serve para tornar evidente que o público apoia a exploração espacial, pesquisa e tecnologia.

Embora o apoio de Peck pareça estranho, ele lembra que a NASA é uma agência do governo, logo, não pode competir com o setor privado: “Assim como no caso da aeronáutica, quando o ‘espaço comercial’ se tornar uma indústria autossustentável e bem-sucedida, nós vamos sair do caminho”. Contudo, obviamente, a transição de financiamento governamental para o coletivo não vai acontecer da noite para o dia.

O futuro

O chefe de tecnologia da NASA está confiante que, um dia, o entusiasmo do público vai fazer o investimento privado crescer e possibilitar a construção de uma estação espacial “comercial”. Para Peck, no futuro ficará difícil distinguir os investimentos do governo e do setor privado, gerando uma bola de neve que deve diminuir bastante o preço para o lançamento de naves, tornando o espaço sideral acessível para todo mundo.

Fonte da imagem: Divulgação/Kickstarter

Lewicki encerra a entrevista falando bonito: “As coisas são possíveis apenas quando as pessoas escolhem fazê-las. Nós temos em mãos muito mais do que jamais tivemos. Como uma raça, nunca fomos tão inteligentes. Nunca tivemos tanta tecnologia e tantos recursos à disposição para criarmos o nosso futuro”.

Para garantir um futuro digno de ficção científica, a exploração espacial depende da criatividade de indivíduos e do suporte do público em geral. No segundo caso, sites como Kickstarter e Indiegogo são ótimos para indicar quais projetos recebem o apoio popular, de fato.

E você, doaria seu dinheiro para incentivar programas espaciais? E se recebesse, em troca, uma foto no espaço?

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