Por mais que alguns gostem de fazer distinções claras entre o que é tecnologia e o que é arte, esses dois elementos sempre conversaram de alguma forma. Entre aqueles que apoiam essa ideia está Blaise Agüera y Arcas, guru gráfico da Google que conduziu uma exibição de arte promovida pela empresa em São Francisco, no distrito de Mission.

O que diferencia a galeria organizada pela empresa é o fato de todas as obras exibidas terem sido criadas por sua rede neural artificial, que também gerencia seu sistema de buscas. Durante os dois dias em que as artes estiveram disponíveis para apreciação (e compra), a companhia conseguiu arrecadar US$ 84 mil, dinheiro destinado à Gray Area Foundation for the Arts, uma iniciativa que visa conciliar arte e tecnologia.

Segundo Agüera y Arcas, a exibição é somente parte de um processo natural de evolução de uma tradição que se estende desde a primeira expressão artística feita pelo homem. A exibição também serve como prova de que estamos cada vez mais próximos de um futuro em que máquinas vão agir de forma cada vez mais autônoma, atingindo objetivos e criando realidades bastante diferenciadas daquelas que a humanidade é capaz de imaginar.

DeepDream

As obras de arte criadas pela rede neural da Google são resultado de uma iniciativa conhecida como DeepDream, que é focada a criar imagens novas e não somente reconhecer padrões em fotografias e artes pré-existentes. A partir de materiais pré-existentes, a solução reconhece características e as amplia de forma repetida.

“Isso cria um loop de feedback; se uma nuvem se parece com um pássaro, então a rede vai fazer com que ela se assemelhe mais ainda a ele”, explica a empresa em seu blog oficial. “Isso vai fazer com que a rede reconheça o pássaro com mais intensidade até que um animal bastante detalhado apareça aparentemente vindo do nada”.

No começo, a iniciativa tinha como objetivo entender como funciona o comportamento de redes neurais, que, apesar de bastante poderosas, permanecem um tanto misteriosas. Enquanto engenheiros como Alexander Mordvintsev continuam a estudar o que acontece dentro do hardware e do software, nomes como Mike Tyka encontram nesse estudo um modo de produzir obras de arte.

Universos inexplorados

Tyka está entre aqueles que escolhem as imagens que vão ser dadas como “alimento” para as redes e ajuda a treiná-las para reconhecer novos padrões, o que traz como resultado possibilidades de criação praticamente infinitas. Embora muitas obras produzidas pareçam semelhantes entre si, algumas delas seguem caminhos diferenciados e criam cenários mais desoladores e mecânicos.

Segundo Joshua To, que trabalhou na curadoria da exibição, as redes neurais também são responsáveis por nomear muitas das imagens exibidas. Essa é somente uma das provas do papel crescente que o DeepDream deve desempenhar nos próximos anos, explorando tecnologias como a realidade virtual para criar universos e imagens muito diferentes daqueles que poderiam ser imaginados ou compostos por um humano.

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