Recentemente, fomos convidados pela Devialet, uma marca francesa com expertise em aparelhos de áudio, para conhecer o novo produto deles: a caixa de som Phantom. Em um primeiro momento, não são as especificações ou o design que chamam atenção, mas sim o preço: R$ 20 mil. Por que ele custa tão caro? O mais irônico é que, quando saí de lá, me pareceu um valor barato ao que ele oferece.

Certamente que essa mudança drástica de opinião requer uma longa explicação da magnífica experiência sonora que presenciei no escritório da companhia. Por se tratar de algo impossível de replicar em palavras – afinal, por mais que eu tente, é inviável mostrar a qualidade do Phantom em texto –, tentarei demonstrar a experiência que tive e contextualizar o porquê de o produto custar algumas dezenas de milhares de reais.

Esse é o Phantom Gold, o modelo mais potente e mais caro

Porque R$ 20 mil é “barato”?

Primeiro, vamos explicar o porquê de a caixa de som custar tanto dinheiro para que tudo faça sentido e você entenda o que exatamente é o Phantom, é preciso desconstruir um conceito antes: apesar de parecer similar com uma caixinha Bluetooth, como algumas da JBL e demais marcas, esse não é o conceito que a Devialet tem com o seu produto.

O Phantom é a Ferrari das caixas de som, pois conta com os componentes mais refinados que existem

Ela tem conexão wireless (WiFi e Bluetooth) sim, mas pense no conceito: não é o produto que você vai levar de um lado e para o outro na mochila. Trata-se de um equipamento muito sensível e refinado, com qualidade de som similar à de equipamentos de R$ 50 mil ou mais. Esse mundo de áudio não o tipo que você encontra no varejo: é algo de nicho, para audiófilos que gastam mais de R$ 1 milhão em uma sala de som.

O produto conta um subwoofer próprio para dar vida às batidas e sons mais graves. Porém, ele funciona de maneira diferente para que o equipamento possa ser pequeno, mas isso o torna mais frágil. Caso você ligue cinco deles em conjunto, você pode ter um sistema surround extremamente potente de 5.5 canais (os subwoofers são independentes).

O Phantom é delicado, mas extremamente potente e com um sistema de som que beira perfeição

O Phantom é um sistema de som omnidirecional do tamanho de um console (com um formato diferente, mas o exemplo serve para demonstrar o peso e tamanho) que oferece uma potência bem grande: 750 W, 3.000 W ou 4.500 W, dependendo da versão (Normal, Silver ou Gold), algo ideal para ambientes abertos. Só para você ter noção, o Philips NX8, de 3.200 W, conta com duas torres de um metro de altura. Já deu para entender que é muita potência em algo bem compacto, certo?

Entenda: o Phantom não compete com caixas de som de R$ 700, mas sim com sistemas sonoros de R$ 50 mil e além

Porém, apesar de ser muito forte, não é esse aspecto que realmente brilha e o torna tão único. A qualidade sonora do Phantom vem de um sistema híbrido de tecnologia analógica e digital que traz o melhor do universo de som, com uma clareza e alcance de tons absurdamente bons. Pode ter certeza: se você nunca foi em uma sala especializada (daquelas que custam quase R$ 1 milhão), você nunca ouviu música com qualidade tão boa quanto à que o aparelho oferece.

Uma pequena base do mundo do som

Uma coisa precisa ficar clara: há dois segmentos quando falamos do ramo de áudio (existem mais, mas esses são os que abordaremos). Um deles é o que mais utilizamos no dia a dia e que usa a tecnologia eletrônica e digital para reproduzir som, como as caixas de som Bluetooth, os home theaters modernos e até mesmo em toca-fitas antigos. Geralmente, esses equipamentos contêm amplificadores classe D.

O Phantom tem uma tecnologia híbrida do analógico com o digital, algo que é patenteado pela Devialet

Basicamente, classe D atende aos padrões atuais, mas não necessariamente precisa de ser uma tecnologia digital. Há muita distorção (que não percebemos facilmente, pois estamos acostumados), mas a potência pode ser bem mais alta, passando fácil a casa de milhar em Watts.

Você pode parear diversos Phantom entre si

Em contrapartida, existe a classe A (há uma escala, portanto, há o C e B antes). Essa classificação de som está em aparelhos muito refinados, como tocadores de vinil e HUBs para conectar caixas de som de altíssima qualidade. Na maioria das vezes, esses aparelhos são analógicos e possuem baixíssima distorção, mas tem uma saída de áudio com poucas Watts.

Para aproveitar o máximo, você precisa de músicas no formato FLAC e semelhantes. Esqueça o MP3, que perde boa parte da qualidade

Não vou adentrar o mundo dos audiófilos pois não sou um conhecedor nato, mas para que você tenha noção: os fanáticos por som gastam centenas de milhares de reais em equipamentos classe A, compram cabos de transmissão de áudio banhados à ouro de até R$ 30 mil e montam salas que podem passar dos R$ 2 milhões. Trata-se da mais pura e refinada experiência de áudio possível.

Qual é a tecnologia por trás do Phantom?

Agora entra a parte que o Phantom faz de diferente dos equipamentos sonoros, tanto de classe A quanto da D. O aparelho usa uma tecnologia híbrida patenteada pela Devialet que mescla um alicerce de reprodução de som analógica com um amplificador digital muito potente.

A Devialet é a marca por trás do Phantom

A tecnologia por trás disso veio do sistema de comunicação dos caças Rafale, da França, que precisavam de uma qualidade limpa de áudio. Essa patente da Devialet é o que faz os aparelhos da empresa baterem de frente com outros equipamentos muito mais caros. Em outras palavras: uma caixa de som de R$ 20 mil está no nível de equipamentos acima dos R$ 50 mil ou até R$ 100 mil.

Além de ser mais barato, o Phantom dispensa os supracitados cuidados especiais, como a atenção à rede elétrica para evitar distorções e cabos banhados à ouro de R$ 30 mil. O aparelho é abrangente? Não. Mas para os audiófilos, talvez seja a opção mais barata do que pareça, mesmo custando algumas dezenas de milhares de reais.

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