Se você trabalha com arte digital (ou mesmo se interessa pelo assunto), certamente já ouviu falar da Wacom, uma companhia japonesa que virou um verdadeiro símbolo de mesas digitalizadoras e outros produtos relacionados. Em maio deste mesmo ano, a empresa lançou oficialmente a Cintiq 13HD no Brasil, modelo mais modesto de uma série de telas para desenho voltadas para uso profissional.

Diferente dos tablets gráficos mais tradicionais (que capta traços da caneta e reflete-os no computador), uma tela digitadora funciona realmente como um monitor sensível ao toque, permitindo que o artista trabalhe como se estivesse utilizando uma folha de papel. Contudo, apenas a caneta é reconhecida pelo display, permitindo que você possa apoiar suas mãos sem atrapalhar o progresso da obra.

Sem dúvida alguma, estamos falando de um equipamento que tem tudo para se tornar o sonho de consumo de qualquer artista gráfico. Mas será que vale mesmo a pena sacar a carteira e investir neste produto? Para responder essa dúvida, o Tecmundo testou o aparelho e avaliou tanto seus pontos positivos quanto os negativos. Confira agora nosso veredicto.

(Fonte da imagem: Reprodução/Tecmundo)

Especificações técnicas

  • Tela: LED IPS de 13,3 polegadas
  • Resolução: 1920x1080 (Full HD)
  • Número de cores: 16,7 milhões
  • Brilho: 250 cd/m2
  • Dimensões: 375 x 248 x 14 mm
  • Área útil para desenho: 293,8 x 165,2 mm
  • Peso: 1,2 kg
  • Caneta: Pro Pen KP503E00 com 2.048 níveis de pressão e dois botões configuráveis
  • Tipo: Sensível à pressão, sem fios e sem pilhas
  • Intervalo de inclinação: 60 graus
  • Pontas incluídas: Cinco pontas-padrão, três pontas de feltro, uma ponta para desenho

(Fonte da imagem: Reprodução/Tecmundo)

Aprovado

Design atraente e elegante

Com a Cintiq 13HD, a arte já começa na ferramenta do artista. É difícil não ficar “namorando” o equipamento durante os primeiros contatos, apreciando seu acabamento fino e visual atraente. A tela é razoavelmente fina e leve, o que ajuda na sua mobilidade e manuseio. Embora o equipamento conte com um suporte integrado para mantê-lo de pé em cima de sua mesa, é perfeitamente possível utilizar a 13HD no colo ou como se fosse uma prancheta tradicional.

A Pro Pen também não faz feio nos primeiros contatos visuais. O componente vem armazenado em um elegante estojo plástico, que armazena conjuntamente o grupo de pontas extras e alguns anéis coloridos de identificação (você pode inseri-los em suas canetas para distingui-las, caso você possua várias). E, por falar na Pro Pen, sua empunhadura – feita de borracha de silicone – se mostra bem confortável, proporcionando um manejo firme e evitando eventuais escorregadas que podem danificar seu trabalho.

(Fonte da imagem: Reprodução/Tecmundo)

Instalação prática

Sabe aquele amontoado de fios que costuma tomar toda a sua área de trabalho? A Wacom pensou em uma maneira de evitá-lo e trabalhou para que o set-up da Cintiq 13HD fosse o mais simples possível. O gadget utiliza um cabo três em um bastante interessante. De um lado, encontramos um plug que deve ser conectado à tela digitalizadora; do outro, temos uma conexão USB (que deve ser inserida no seu computador/notebook), uma HDMI (idem) e uma de energia que deve ser utilizada em conjunto com o cabo de força. Basicamente, é possível montar e desmontar o produto em menos de cinco minutos – excluindo, obviamente, o tempo necessário para instalar os drivers necessários para o funcionamento do equipamento, distribuídos através de um DVD convencional.

(Fonte da imagem: Reprodução/Tecmundo)

Suporte ajustável

Como citado anteriormente, a Cintiq 13HD conta com um suporte integrado em sua traseira que pode ser utilizado para manter a mesa no ângulo mais confortável para o artista trabalhar. Tal suporte chama a atenção por contar com três níveis diferentes de inclinação da tela (22⁰, 35⁰ e 50⁰) e possuir com um sistema fácil para alternar entre tais ângulos. Basta “destacar” o suporte que mais lhe agrada e encaixar sua ponta na pequena ranhura encontrada na traseira da 13HD.

(Fonte da imagem: Reprodução/Tecmundo)

Precisão impressionante

Os 2.048 níveis de pressão suportados pela Pro Pen realmente fazem a diferença na hora de desenhar. O aparelho consegue detectar seus traços com perfeição, respeitando a força que você faz para desenhar e respondendo de maneira meticulosa. Obviamente, a percepção desses níveis de pressão depende muito do software que você estiver utilizando: programas de nível mais profissional obviamente apresentam resultados melhores, devido a seus recursos avançados.

Atalhos práticos e personalizáveis

A Cintiq 13HD conta com alguns botões bem úteis localizados em sua lateral. Tais botões são totalmente personalizáveis para atuarem da maneira que mais lhe convier, e podem servir para emular algumas teclas comumente utilizadas em softwares gráficos (como o Ctrl, o Alt e a função “Desfazer”). Também há um botão reservado para abertura de um menu de configurações rápidas.

Uma das teclas é reservada para ativar o “Modo Precisão”, recurso que foca uma parte em específica da ilustração e torna a resposta da caneta um pouco mais lenta do que o habitual. Trata-se de uma funcionalidade útil para fazer detalhes mais complicados e evitar erros causados por movimentos bruscos.

Por sinal, vale observar que a Cintiq 13HD não conta com uma orientação definida. Isso quer dizer que é possível utilizá-la tanto com os botões voltados para o lado esquerdo quanto para o lado direito, adaptando o equipamento para uso de desenhistas canhotos.

Reprovado

Cadê meus óculos?

Uma tela de 13 polegadas pode parecer grande o suficiente para trabalhar de forma confortável – na teoria. Na prática, a situação é diferente. A Cintiq 13HD é, de fato, um tanto diminuta, e seu uso intensivo se mostra um pouco desconfortável para quem tem o mínimo problema de visão. Quem está acostumado a trabalhar com mesas digitalizadoras – que refletem o desenho em um monitor grande – também terá um pouco de dificuldade para se adaptar.

Os problemas começam nos menus dos softwares utilizados para ilustrar e editar. Os botões e sliders do Adobe Photoshop, por exemplo, tornam-se minúsculos e os erros começam a ser frequentes. Um de nossos ilustradores que ficou encarregado dos primeiros testes foi obrigado a aplicar zoom constantemente para fazer detalhes em seus desenhos, coisa que ele não costuma fazer com frequência em sua mesa digitalizadora “tradicional”.

Contudo, ressaltamos: estamos falando simplesmente de uma questão de adaptação, que pode acabar tornando o trabalho do profissional um pouco desconfortável durante os primeiros dias de uso da 13HD.

(Fonte da imagem: Reprodução/Tecmundo)

Preço assustador

A Cintiq 13HD foi lançada no Brasil com o preço sugerido de R$ 4,9 mil – hoje, o aparelho já está algumas centenas de reais mais barato. Ainda assim, estamos falando de um valor muito mais alto do que o praticado no estrangeiro: nos Estados Unidos, por exemplo, não é difícil encontrar o modelo por mil dólares (cerca de R$ 2,1 mil sem adição de impostos). Isso quer dizer que adquirir o equipamento em território nacional significa pagar mais do que o dobro de seu preço original.

Vale lembrar ainda que a 13HD é o modelo mais modesto da série Cintiq. A edição 22HD está valendo nada menos do que R$ 8,1 mil, enquanto a 24HD Touch (top de linha) chega a incríveis R$ 13,9 mil. O fato da tela digitalizadora ser um produto de nicho bem específico pode justificar seu valor mais alto, mas ainda assim é um tanto desconfortável pagar mais do que o dobro do custo original.

(Fonte da imagem: Reprodução/Tecmundo)

Vale a pena?

Depende. Se você estiver disposto a comprar uma Cintiq 13HD no exterior (seja por importação, viagem ou amigos que morem em países estrangeiros), podemos dizer que vale a pena sim. O preço do equipamento nas gôndolas brasileiras é incompatível com suas características e pontos negativos citados acima, transformando-o em um produto pouco acessível e com um custo-benefício duvidável. Afinal, com R$ 4,9 mil é possível comprar o modelo 22HD (US$ 1,9 mil) nos Estados Unidos e se ver livre do problema da tela pequena.

Vamos deixar bem claro que a Cintiq 13HD está longe de ser um equipamento ruim – muito pelo contrário. Estamos falando de uma mesa realmente profissional, com potencial para se tornar o companheiro fiel de qualquer ilustrador, designer, editor de imagens e outros artistas do ramo de arte digital. Contudo, o alto custo no território brasileiro acaba por transformar o aparelho em um verdadeiro artigo de luxo, quando o objetivo original da Wacom era o de lançar um produto “de entrada”.

Em suma, apenas adquira a Cintiq 13HD no Brasil se você realmente estiver com o orçamento bem tranquilo. Caso contrário, tente importá-la ou procure alternativas de qualidade com preços mais acessíveis: algo relativamente difícil, visto que a Wacom domina este nicho do mercado.

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