(Fonte da imagem: Reprodução/Red Shark)

Foi-se o tempo em que a televisão era considerada praticamente um móvel dentro de nossas casas, um objeto que durava 10, 15 anos sem nem passar por nossa cabeça a ideia de substituí-lo. Após o surgimento da tecnologia HD e a diminuição dos preços cobrados pelas fabricantes, não é incomum que um aparelho do tipo dure somente entre 2 a 3 anos em nossas estantes, sendo substituídos por produtos com uma maior qualidade de imagem ou uma tela mais ampla.

Apostando nessa mudança de comportamento dos consumidores, a indústria tenta estabelecer a tecnologia UHD (Ultra High Definition), popularmente conhecida como 4K, como algo obrigatório para quem deseja obter a melhor experiência de entretenimento possível. Após um começo lento, a tecnologia avançou em ritmo rápido e agora parece pronta para dominar a sala de estar de muitas pessoas.

Neste artigo, apontamos alguns dos motivos pelos quais 2014 pode ser o ano no qual essa nova tecnologia de imagem vai se estabelecer de vez como o novo padrão da indústria. Além disso, também aproveitamos para apontar alguns dos desafios que fabricantes e geradores de conteúdo vão ter que enfrentar para tornar isso algo possível.

Aspectos a favor da tecnologia UHD

Expansão do mercado chinês

Enquanto no Ocidente televisões UHD ainda são considerados produtos de luxo, no mercado chinês a história é ligeiramente diferente e aparelhos do tipo já inundam as lojas locais. No entanto, os produtos lançados por lá possuem características diferentes daqueles apresentados por aqui, apresentando atributos que sacrificam qualidade de imagem para oferecer um preço mais acessível.

(Fonte da imagem: Divulgação/Vizio)

A maioria dos produtos do tipo lançados na China possuem taxas de atualização baixas (na casa dos 30 Hz) e sofrem com a falta de conteúdos nativos. Mesmo assim, estimativas apontam que, das 1,5 milhão de TVs 4K que devem ser produzidas em 2014, ao menos 1 milhão devem permanecer no país.

Uma das vantagens de a tecnologia UHD ter se popularizado no mercado chinês é o fato de isso implicar reduções no custo de produção em um âmbito global. As restrições financeiras locais forçaram fabricantes a aprimorar seus produtos como forma de barateá-los, o que resultou na revisão da estrutura de LEDs para aprimorar a iluminação desses aparelhos e na promoção do aumento da escala de linhas de montagens, entre outros fatores.

Esse cenário permite que fabricantes locais como a Seiki aprimorem seus produtos rapidamente, o que possibilita uma maior competição com dispositivos fabricados por grandes nomes como Samsung, Sony e LG. Com isso, não se espante se, em breve, lojas de eletrônicos começarem a ser inundadas por televisões de marcas pouco conhecidas cuja qualidade rivaliza com aquela apresentada por gadgets produzidos por nomes aos quais já estamos acostumados.

Queda constante de preços

Não é nenhum segredo que as televisões UHD ainda são muito mais caras que praticamente qualquer produto Full HD 1080p disponível no mercado. No entanto, enquanto empresas como a Samsung continuam a apostar em dispositivos com telas de 110 polegadas que custam US$ 152 mil, outras fabricantes já conseguem entregar ao consumidor dispositivos cuja faixa de preço fica em torno de somente US$ 1 mil.

(Fonte da imagem: Divulgação/Samsung)

Conforme a CES 2014 deixou claro, a tendência é que haja uma redução ainda maior no preço desses aparelhos conforme 2014 se desenrola. À medida que o público se interessa por dispositivos do tipo, maiores vão ser os investimentos feitos por empresas, o que deve ajudar a criar um ciclo no qual um aumento da escala de produção atrai novos compradores, algo que, por sua vez, estimula uma redução no preço — processo que se segue até que haja uma estagnação das vendas (efeito que vemos atualmente com o mercado de TVs HD).

PCs estão cada vez mais poderosos

O ritmo rápido com que placas de vídeo e outros componentes para computadores avançam torna esses dispositivos uma combinação perfeita aos televisores UHD. Quem gosta de explorar todo o potencial que um game tem a oferecer provavelmente já deve estar começando a cogitar a ideia de investir em um televisor com a nova tecnologia.

O grande poder de processamento de computadores modernos e a capacidade de armazenamento mutável desses dispositivos também favorecem a reprodução de vídeos com a resolução 4k, que costumam consumir uma quantidade razoável de banda para serem exibidos. Embora inicialmente o investimento em um novo televisor capaz de aproveitar o potencial de hardwares poderosos seja algo restrito a poucos consumidores, o barateamento que as TVs devem testemunhar nos próximos meses deve tornar essa uma combinação cada vez mais comum.

Apoio do Netflix e do YouTube

Um estudo realizado pela Sandvine, fornecedora de tecnologias para redes fixas e portáteis, mostra que, somados, o Netflix e o YouTube consomem mais da metade da banda dos Estados Unidos durante os horários de pico de um dia. A dominância desses dois serviços, que a cada dia se mostram mais populares, deve contribuir para uma maior rapidez na adoção das televisões Ultra High Definition.

(Fonte da imagem: Divulgação/YouTube)

A plataforma de vídeos da Google já estuda a transmissão de vídeos com a nova resolução desde 2010, e atualmente aposta no novo codec VP9 para atrair parceiros. Apesar de nem todos os conteúdos disponibilizados no sistema contarem com essa opção, já é possível encontrar algumas alternativas que podem ser vistas com a resolução 2160P — algo que deve se tornar cada vez mais comum nos próximos meses.

O Netflix começou a testar o streaming de conteúdos em UHD em novembro de 2013 e já anunciou que em breve vai disponibilizar a série House of Cards nessa resolução aos donos de determinadas Smart TVs conectadas ao sistema. O fato de os dois serviços de vídeos mais populares da internet apoiarem a nova tecnologia dá aos consumidores e aos produtores a garantia de que será possível acessar conteúdos no formato a partir de praticamente qualquer lugar com uma conexão com a internet — o que deve servir como um bom estímulo para que muitas pessoas adquiram novos televisores.

Estagnação do mercado de TVs HD

A falta de inovações e investimentos no mercado de televisões HD serve como forte indício de que a indústria realmente aposta na resolução UHD como seu futuro. Recentemente, a Sony e a Panasonic anunciaram a dissolução de sua parceria que previa a fabricação de dispositivos com tela OLED compatíveis com o padrão 1080p, o que permitiria a ambas focar esforços em produtos 4K.

(Fonte da imagem: Divulgação/Sony)

Quando duas das principais fabricantes de TVs do mundo mudam um curso que parecia certo para apoiar uma nova tecnologia, isso só pode significar que elas realmente acreditam em seu futuro. Outra evidência de que as empresas do ramo estão desistindo de investir em melhorias aos produtos já consolidados no mercado são feiras como a IFA e a CES, que cada vez dedicam menos espaço a eletrônicos com características já conhecidas entre a maioria dos consumidores.

Uma pitada de desespero

O principal motivo pelo qual empresas como Samsung, Sony, LG, Philips, Toshiba e Panasonic, entre outros nomes, investem tanto no UHD como futuro do mercado é o fato de que elas não podem correr o risco de estar erradas em relação a isso. Para entender o porquê disso, basta se lembrar da CES 2012, ano no qual o 3D era apontado como o futuro da indústria — promessa que não se concretizou e deixou muitos prejuízos pelo caminho.

As empresas do ramo simplesmente não podem ver a narrativa que determinam para o mercado se provar errada novamente. Caso a tecnologia falhe em se estabelecer em 2014, ela pode nunca mais ter a chance de realizar essa missão — o que justifica os investimentos pesados que fabricantes estão fazendo na tentativa de conquistar parceiros e convencer produtores de conteúdo a apostar no formato.

Aspectos que a tecnologia ainda precisa superar

Falta de conteúdos nativos

Infelizmente, não são somente pontos positivos que permeiam a adoção em larga escala da tecnologia UHD. Entre os aspectos que mais prejudicam os novos aparelhos está o fato de que a maioria do conteúdo televisivo disponível atualmente nem sequer é gravado em resolução Full HD, quem dirá no formato 4K.

(Fonte da imagem: Reprodução/Trusted Reviews)

O problema, nesse caso, se deve à grande quantidade de banda necessária para enviar imagens em alta qualidade, algo que se mostra incompatível com a infraestrutura disponível mesmo em países desenvolvidos. Assim, não é de se estranhar que fornecedores de televisão a cabo estejam resistentes quanto à adoção do novo padrão, já que isso significa ter que fazer investimentos muito grandes em suas redes.

Apesar de haver algumas exceções nesse sentido, como a Copa do Mundo 2014 (que será transmitida na resolução 4K graças a uma parceria entre a Sony e a FIFA), ainda são poucos os meios que apostam na produção de conteúdos nativos ao formato. Assim, quem investir em uma televisão do tipo no momento terá que se contentar em usar tecnologias de upscale para assistir a vídeos que não foram pensados para o novo formato.

Falta de novas mídias de armazenamento

Enquanto a popularidades das televisões em alta definição pode ser atribuída à popularização dos DVDs e, posteriormente, do formato Blu-ray, falta ao padrão UHD um tipo de mídia capaz de suportar o espaço ocupado por seus conteúdos nativos. Mesmo o formato BDXL, que permite a gravação de um máximo de 128 GB de dados, teria dificuldade em lidar com um vídeo em alta qualidade produzido em resolução 4K.

(Fonte da imagem: Reprodução/The Telegraph)

Diante da falta de uma mídia física compatível com a nova tecnologia, teremos que nos acostumar a ver filmes divididos em diversos discos (tal qual acontecia com alguns jogos do primeiro PlayStation) ou seremos forçados a consumir a conteúdos por streaming (o que exige conexões banda larga poderosas) ou que estejam armazenados em discos rígidos ou SSDs de alta capacidade.

Será preciso investir em televisões grandes

Caso você more em um local que dispõe de um espaço físico limitado, provavelmente não haverá motivos para investir na tecnologia 4K. Mesmo que você se sente bastante próximo a seu aparelho, caso ele tenha uma tela com 32 polegadas (ou menos do que isso), provavelmente não será possível notar a diferença entre conteúdos produzidos no formato UHD e aqueles disponíveis na resolução 1080p.

Isso explica o motivo pelo qual feiras como a CES estão recheadas de televisões com 50, 70 e 110 polegadas: caso as telas mostradas fossem menores, seria extremamente difícil para as fabricantes justificarem a adoção da nova resolução. Lembrando o fato de que telas maiores estão associadas a preços mais elevados, essa se mostra uma barreira importante que a nova tecnologia terá que superar para conseguir se popularizar.

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