Alguns anos atrás, o mercado de televisores começou a crescer em uma escala que poderia animar até os mais pessimistas. Aparelhos com telas de plasma e LCD criaram novas possibilidades para os consumidores. Nos países mais desenvolvidos, os consumidores responderam correndo para as prateleiras e consumindo praticamente tudo o que era produzido.

Mas faz algum tempo que isso se estagnou, pois não há a necessidade de trocar de televisores com tanta frequência quanto ocorre com smartphones, por exemplo. Nas palavras de Paul Gray (diretor da maior empresa de pesquisa de mercado especializada em telas do mundo, a Display Search), "o mercado não pode crescer 100% ao ano todo ano". E ele vai além, dizendo qual é o caminho certo para as empresas: "É preciso investir nos mercados emergentes."

(Fonte da imagem: Baixaki/Tecmundo)

Essas frases foram ditas durante a apresentação de Gray na IFA Press Conference, que está sendo realizada na Itália. A Display Search foi convidada para falar sobre o mercado de telas e apresentou várias informações bem interessantes. Vamos agora às principais delas:

Diferenças básicas no mercado emergente

Gray deixa bem claro que os mercados emergentes não podem ser encarados como um mercado desenvolvido. Há muitas diferenças entre os países consumidores ,e isso deve ser entendido pelas empresas, pois somente assim elas poderão alcançar o sucesso. E até mesmo os tamanhos de telas precisam ser levados em consideração (tanto por razões de gostos pessoais quanto por poder aquisitivo).

Enquanto a média de dimensão nos televisores europeus e norte-americanos fica entre 45 e 48 polegadas, a maioria esmagadora dos aparelhos nos BRICS (por exemplo) fica entre 23 e 32 polegadas. Isso vale tanto para televisores comuns quanto para Smart TVs, que funcionam como um ótimo propulsor para as vendas de novos equipamentos.

4K pode ser um grande erro da indústria

Paul Gray acredita que as resoluções 4K ainda não deveriam estar com a importância que as empresas e consumidores estão atribuindo à tecnologia. Por causa das expectativas gigantes que estão sendo depositadas sobre a ultra definição, há grandes chances de ocorrer um verdadeiro fracasso, da mesma maneira como aconteceu com a tecnologia 3D.

(Fonte da imagem: Baixaki/Tecmundo)

Segundo o próprio analista, não é exagero dizer que as TVs 3D "envenenaram a água" do mercado de televisores, e é bem possível que as 4K causem o mesmo efeito. Gray também lembra que não há garantia de que os países que manufaturam os eletrônicos tenham capacidade de produzir a demanda que pode surgir, o que seria uma grande decepção global.

Ele encerra esse trecho de sua apresentação dizendo que a indústria parece querer empurrar as resoluções apenas para mostrar que pode oferecer algo além do Full HD (deixando claro, mais uma vez, que isso seria uma repetição do erro que ocorreu com as telas 3D).

Smart TV: a chave para o sucesso

Precisamos nos lembrar de que, atualmente, não existe tecnologia de transmissão capaz de fazer com que os televisores 4K reproduzam excelentes resultados — pelo menos não de uma maneira acessível. A única forma de fazer com que a resolução seja aproveitada é por meio dos conteúdos digitais, disponibilizados por streaming, por exemplo.

Pensando nisso, Paul Gray diz que somente com excelentes recursos digitais e interativos é que os aparelhos 4K podem alcançar bons números de vendas nos próximos dois anos. Caso contrário, estaremos em frente a mais uma grande decepção no mercado de televisores.

O Tecmundo esteve na Itália para acompanhar a IFA Press Conference a convite da Messe-Berli

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