A realidade virtual acaba de ganhar mais um aliado na missão de popularizar essa tecnologia. Mas a ajuda não vem de longe, uma vez que a empresa em questão é uma startup brasileira. Tendência encabeçada pela Oculus VR, que fabrica o Oculus Rift e fornece o Gear VR para a Samsung, essa área ainda não foi totalmente explorada e guarda um potencial gigantesco de entretenimento e possibilidades.

A Beenocolus Tecnologia, empresa com sede em Curitiba, no Paraná, deixou para apresentar o seu produto na maior feira de tecnologia do ano. Batizado com o mesmo nome da companhia, o dispositivo esteve presente na CES 2015 para que todo o mundo pudesse conhecê-lo melhor.

O Beenoculus

O funcionamento do Beenoculus se assemelha muito ao do Cardboard da Google. Portanto, usá-lo é muito simples: basta apenas inserir o smartphone em um suporte e colocá-lo nos óculos para visualização. A invenção tira proveito do hardware e tela do aparelho para exibir imagens através das lentes do produto que passam a sensação de imersão.

De resto, tudo parece ser igual: ao mover a cabeça para o lado, a imagem que é exibida pelo dispositivo se comporta como se o movimento tivesse sido realizado virtualmente também. É importante lembrar, entretanto, que o smartphone deve ter sensor de giroscópio para poder se comportar corretamente. E, de acordo com o site da empresa, apenas aparelho entre 4 e 6 polegadas são compatíveis.

Não falta mercado para essa gente

Como bem observou um porta-voz da empresa, esse segmento de realidade virtual (ou qualquer outro que atue em conjunto com os dispositivos móveis, como smartphones e tablets) tende a crescer muito nos próximos anos. O motivo? A enxurrada de aparelhos dessas categorias que inundaram o mercado.

“Temos um potencial gigantesco para explorar no país. Se levarmos em consideração que em 2014 foram comercializados no Brasil 47 milhões de smartphones, algo em torno de 100 aparelhos por minuto, podemos afirmar que há um mar de oportunidades pela frente. O acesso à realidade virtual no país é algo ainda muito embrionário”, explica Rawlinson Peter Terrabuio, diretor de Marketing da Beenoculus Tecnologia.

Desenvolvimento do Beenoculus

Ainda segundo o executivo, o Beenoculus não nasceu do nada e teve um longo tempo de desenvolvimento. Os óculos, resultado de um ano de pesquisas realizadas por 10 profissionais, exigiu um aporte de R$ 2,5 milhões dos sócios para ser viabilizado. A empresa também contou com o apoio do Intec – Incubadora Tecnológica do Instituto Paranaense de Tecnologia (Tecpar).

“Estamos produzindo 60 mil unidades por mês em Barueri e comercializaremos o equipamento, via internet, para todo o Brasil. Nossa meta é vender 1 milhão de Beenoculus no Brasil em dois anos e faturar cerca de R$ 200 milhões somando os games e aplicativos”, esclarece Rawlinson.

Focos nos jogos

Como não poderia deixar de ser, o foco inicial do Beenoculus será o mercado de jogos e entretenimento. Porém, os criadores do projeto também afirmam que pretendem viabilizá-lo para desenvolvedores e para o uso na educação. Neste último ramo, a companhia já garantiu uma parceria com a USP para a criação de projetos educativos.

Para os desenvolvedores, a Beenoculus Tecnologia vai disponibilizar kits especiais pelo valor de R$ 500 para incentivar a criação de conteúdo para os óculos. “O objetivo é que eles desenvolvam novos aplicativos e jogos para o Beenoculus”.

Preço e disponibilidade

E a pergunta que não quer calar: quando vai custar essa brincadeira? Alguns podem se surpreender, já que o preço não é tão alto assim. De acordo com a empresa, o valor para o consumidor final vai ser de R$ 99 com o objetivo de democratizar o acesso das pessoas à realidade virtual. O preço competitivo também vai ajudar a “cutucar” a concorrência e forçá-los a não entregar produtos com valores exorbitantes.

Em contado com a Beenoculus por telefone, fomos informados que o produto entrará em pré-venda a partir da meia noite de amanhã (9) com a promessa de envio a partir de março. De acordo com o site da companhia, o prazo de entrega a partir da compra é de até 60 dias.