Alguma vez você já se perguntou por que aquela paisagem incrível não é retratada de maneira semelhante em uma fotografia? O que muda quando você aperta o botão para capturar a imagem com a sua câmera? Saiba a resposta para essas duas perguntas e aprenda a criar fotos muito mais bonitas aplicando o efeito HDR.

Sozinhas, as câmeras não conseguem resultados tão baçanceados assim. (Fonte da imagem: Flickr/Marc C)

Os nossos olhos são as melhores câmeras

Não existe no mundo um conjunto ótico que se compare aos nossos olhos. Pelo menos não um que você pode levar para cima e para baixo, registrando o ambiente, como se faz com uma câmera. Isso quer dizer que qualquer máquina que você utilize não vai ser capaz de capturar exatamente o que os seus olhos estão vendo.

O nosso conjunto ótico possui a capacidade de compensar de maneira praticamente instantânea as diferenças de luminosidade que existem em um ambiente, sendo capaz de criar um “ajuste” especial para cada ponto da nossa visão.

Perceba como cada área possui um ajuste de iluminação próprio. (Fonte da imagem: Flickr/Marc C)

Uma câmera não pode fazer isso, por mais avançada que seja. Quando o sensor captura uma imagem, essas diferenças entre luz e sombra não são compensadas de forma correta, já que é possível configurar os ajustes da câmera para apenas um ponto de toda uma cena.

Isso faz com que a foto fique “escura”, “média” ou “clara”, quando as paisagens reais quase sempre combinam esses três atributos. Os nossos olhos enxergam isso, porém a câmera não. Então, o que pode ser feito para conseguir uma fotografia que se aproxime mais da realidade?

HDR: compensando as diferenças manualmente

A técnica HDR (“High Dynamic Range”, em inglês, ou “Grande Alcance Dinâmico”, em português) é um método que procura alargar o alcance dinâmico de uma foto. Isto é, representar melhor tanto as áreas mais escuras quando as mais claras, criando vários pontos de ajuste em uma única fotografia.

As sombras e as áreas iluminadas estão balanceadas e o resultado é mais real (Fonte da imagem: Werner Kunz)

Quando você ajusta os níveis de uma imagem, está fazendo algo parecido com isso, já que essa configuração permite mexer em áreas isoladas da fotografia. Porém, ao fazer isso com uma única imagem, o resultado não consegue ser perfeito.

Na década de 40, um fotógrafo pensou em usar várias imagens, com exposições diferentes, para criar uma única fotografia com um alcance dinâmico enorme. Dessa forma, você pode criar pontos de ajuste para cada área, de acordo com a luminosidade, e conseguir resultados impressionantes e muito mais parecidos com a realidade.

O detalhamento das imagens HDR é impressionante. (Fonte da imagem: Werner Kunz)

O que você precisa para criar uma foto HDR

Como você já deve ter percebido, é virtualmente impossível transformar uma única imagem com a técnica HDR — é preciso pelo menos três. Existem programas que simulam esse efeito com uma foto só, mas os resultados não são precisos e ficam, geralmente, exagerados e fora do real.

O que você precisa então para criar uma foto HDR? Anote aí e junte estes itens: uma câmera fotográfica com ajuste manual de exposição (pode ser o ajuste de compensação de exposição, porém não é o mais indicado), um tripé ou apoio fixo, uma paisagem com grandes variações de luminosidade e um editor de imagens adequado.

Apesar de ser possível criar fotos HDR até com o celular, nesse caso a qualidade e o formato da imagem importam, e muito. Arquivos JPG possuem, por limitações da extensão, um alcance dinâmico curto, portanto é recomendado o uso de fotografias em RAW. Se a sua câmera não possui essa configuração, então use a melhor qualidade possível.

Capturando as imagens

O momento da captura é importantíssimo, e você precisa ter calma e fazer vários disparos até conseguir as três imagens que serão usadas. Apoie a sua câmera com o auxílio de um tripé ou um apoio fixo, tendo certeza de que ela ficará completamente parada o tempo inteiro. Se você tiver um controle remoto com ajuste de exposição, use-o.

Deixe a sua câmera no modo manual e use o fotômetro para medir a cena, ajustando a exposição para que ele marque o valor “-2,00” e deixe a foto escura. Agora, sem mexer a posição da máquina, configure a exposição até que o fotômetro marque o centro, que corresponde a zero.

Por último, aumente o tempo de exposição até que o indicador mostre o valor “+2,00”, capturando uma fotografia superexposta. Essa é apenas uma sugestão, porém você pode fazer quantas fotos desejar, sempre com variações iguais entre elas. Veja o exemplo a seguir, que será usado como exemplo na edição:

Use pelo menos três fotografias da mesma cena, com exposições diferentes. (Fonte da imagem: Ana Nemes/Tecmundo)

Faça todo o processo várias vezes, para garantir que você conseguiu pelo menos três fotos boas para serem usadas. Cuidado com os outros ajustes, como ISO, balanço de branco e foco; se possível, deixe tudo no manual para que eles não influenciem no resultado.

É hora de editar!

Você já capturou as três ou mais imagens necessárias e tem certeza de que está tudo certo. Então, é hora de começar a edição. Nós vamos usar como exemplo o software Photomatix, que não é gratuito, porém possui uma versão de teste com a qual é possível trabalhar por tempo ilimitado. O Photomatix possui uma versão para o Windows (clique aqui para baixar) e também pode ser usado no Mac (clique aqui).

Clique aqui para ver outras opções de programas e sinta-se livre para usar o software da sua preferência. Apesar das versões anteriores do Photoshop não possuírem ferramentas completas para essa técnica, o CS6 trouxe opções mais refinadas para se trabalhar com o HDR, portanto você pode usá-lo também se preferir.

O Photomatix é muito fácil de usar: faça o upload das imagens que você quer usar e deixe que ele faça todo o trabalho difícil, que é juntar todas elas em uma só. Você só vai precisar fazer configurações manuais para ajustar a quantidade e as opções do efeito, o chamado “Tone Mapping”.

Use os controles do Photomatix para ajustar a sua fotografia corretamente. (Fonte da imagem: Reprodução/Tecmundo)

O programa possui algumas pré-configurações, mostradas na lateral direita, porém elas não são recomendadas, já que existe um risco grande de que a sua foto fique muito artificial. Lembre-se: a ideia aqui é tornar a cena o mais natural possível, e não uma aberração cheia de cores e efeitos.

Muitas imagens HDR parecem desenhos, de tão editadas (clique aqui para ver um exemplo), e não é esse o efeito que nós queremos ensinar neste tutorial. Esse uso exagerado do HDR pode ficar bom, mas é preciso ser feito com muito cuidado ou o resultado é um desastre.

Mova os controles deslizantes da parte esquerda da imagem e ajuste a iluminação no campo “Lighting Effects”. O botão “Natural+” traz uma configuração média excelente, que não deixa as suas fotos com cores berrantes, mas dá o destaque necessário. Não se esqueça de configurar a saturação em “Color Saturation”, deixando-a o mais próximo possível do real. Confira o nosso resultado final:

Com a compensação, todas as áreas da cena ficam mais detalhadas. (Fonte da imagem: Ana Nemes/Tecmundo)

Depois de usar o Photomatix, é possível continuar a edição no Photoshop ou no GIMP para ajustar outros aspectos da foto, como manchas, pequenos “fantasmas” e outros elementos que você ache que precisam ser melhorados.

Gostou deste tutorial? Se você quiser aprender mais sobre a arte da fotografia e como você pode capturar imagens melhores com o equipamento que você já tem, fique sempre de olho no Tecmundo e veja também os nossos artigos anteriores sobre o tema.