(Fonte da imagem: Reprodução/Empire Online)

Ainda que muitos torçam o nariz e digam que “Velozes & Furiosos” se tornou um caça-níqueis sem graça e de infinitas sequências, a comoção foi mundial quando em novembro de 2013 veio à tona a notícia de que Paul Walker havia falecido em um acidente. O próximo filme da franquia já estava em produção quando a tragédia ocorreu, mas o ator só havia feito parte de suas cenas.

Naturalmente, a primeira coisa que se pensou é que a Universal Pictures eliminaria o personagem de Walker, inventando na trama alguma desculpa sobre sua saída. Entretanto, há rumores contundentes de que o estúdio manterá a presença do ex-policial Brian O’Conner na história utilizando a tecnologia gráfica como recurso.

O site Confidenti@l — do respeitado portal de notícias Daily News — diz que possui um informante acompanhando a produção de perto e que ele afirma que foram contratados quatro atores com o físico bem parecido ao de Paul Walker para serem usados como base para a movimentação do personagem.

O rosto de Walker seria inserido nesses dublês através de computação gráfica e sua voz gerada a partir de ferramentas digitais. Rumores anteriores diziam que um dos quatro dublês contratados era Cody Walker, irmão mais novo — e sósia — do ator, mas isso não foi confirmado pelo informante.

Cody Walker à esquerda, Paul Walker à direita (Fonte da imagem: Reprodução/Liberty Voice)

O início da tendência

O artifício de inserção de atores por meios digitais, ainda que não tenha sido executado de forma impecável — ou imperceptível — até o momento, não é novidade em Hollywood. A tendência, que iniciou-se cerca de 12 anos atrás com blockbusters como “Homem-Aranha”, “O Senhor dos Anéis: As Duas Torres”, “Hulk” (de Ang Lee) e “Matrix Reloaded”, começou como uma proposta mais modesta que apenas se arriscava a criar dublês e figurantes em planos mais abertos ou elaborar criaturas inexistentes, impossíveis de retratar através de maquiagem.

Mais tarde, em 2009, um passo mais ousado foi dado no prólogo de “O Exterminador do Futuro”, do diretor McG.  A produção fez uso de dublês de corpo e animação computadorizada para reproduzir o T-800, ciborgue originalmente interpretado por Arnold Schwarzenegger, com a mesma aparência do ator no primeiro filme da série, lançado em 1984. O recurso, ainda que evidente, foi elogiado por muitos críticos como único ponto que gerou entusiasmo no filme — que acabou recebendo duras avaliações em sua estreia.

A prática traz a perfeição

Desde então, a tecnologia avançou muito e algumas animações, como a projeção holográfica do falecido rapper Tupac Shakur no festival Coachella, já têm a competência de provocar no público sensação de estranheza, tornando difícil distinguir o que é computação gráfica e o que é realidade.

Um bom exemplo disso é a campanha publicitária do chocolate britânico Galaxy, em que a atriz Audrey Hepburn, de “Bonequinha de Luxo”, foi ressuscitada e rejuvenescida digitalmente para atuar em um comercial. A reprodução da aparência e movimentação da atriz foram motivo de deslumbre generalizado, devido a sua perfeição em detalhes. Claro que isso veio a custo de muito trabalho: a animação de um minuto demorou um ano para ser concluída.

 

Novas possibilidades, novos problemas

No entanto, o tema tem gerado debate na indústria do entretenimento. Questionamentos sobre até onde é possível levar a utilização desses recursos sem ferir direitos de imagem ou ofender familiares dos falecidos vêm surgindo e pedindo a elaboração de uma nova legislação que abranja o assunto. De qualquer forma, é bom que a regularização da prática venha logo, pois, com o aperfeiçoamento da técnica, já tem muita gente por aí querendo usá-la para vários projetos.

O caso de Paul Walker não é o único que repercutiu recentemente levantando a discussão. Phillip Seymour Hoffman, falecido no início do mês passado, também estava trabalhando em uma franquia de cinema. Faltando apenas uma semana para concluir as filmagens de suas cenas na série “Jogos Vorazes”, Hoffman tinha um papel de tamanho razoável no filme. A solução encontrada pelo estúdio para suprir sua ausência será a mesma de “Velozes & Furiosos”: invocar o ator dos mortos através do computador.

Paul Walker faleceu no dia 30 de novembro de 2013 em decorrência de lesões traumáticas e queimaduras após um acidente de carro. Ele tinha 40 anos e morreu durante um evento beneficente do qual participava. Interrompida desde a tragédia, a produção de “Velozes & Furiosos 7” será retomada no próximo mês. O filme teve seu lançamento adiado para 10 de abril de 2015.