Julian Assange, o criador WikiLeaks, que não precisa de muitas apresentações, reside atualmente na embaixada do Equador em Londres, no Reino Unido. Tratado como delator e com um alvo nas costas pelos Estados Unidos, Assange concedeu entrevista ao pessoal do NocauteTV e comentou que o Brasil é "o país latino-americano mais espionado pelos EUA".

As alegações de Assange dão sequência ao que havia sido mostrado — e até desenhado — por Edward Snowden, ex-analista da CIA/NSA, que também divulgou documentos confidenciais do governo norte-americano sobre uma vigilância de massa global.

Por que é o Brasil? O Brasil tem uma economia maior

"Isso é muito interessante porque alguém imaginará, de maneira ingênua, que deve ser a Venezuela ou Cuba", continuou Julian Assange após a alegação. "Porque historicamente foram os maiores adversários dos Estados Unidos, não o Brasil. Por que é o Brasil? O Brasil tem uma economia maior. O Brasil é simplesmente mais importante economicamente".

A entrevista ainda tentou buscar um motivo mais específico sobre o motivo da espionagem sobre o Brasil, perguntando ao criador do WikiLeaks se o pré-sal estava envolvido. Segundo Assange, esse é apenas "um dos fatores na economia".

Atual presidente do Brasil

Michel Temer

O atual presidente do Brasil, Michel Temer, já havia sido citado como informante da embaixada dos Estados Unidos pelo WikiLeaks. De acordo com a plataforma de delação, há documentos que mostram telegramas de Christopher J. McMullen, cônsul-geral dos EUA, afirmando ao governo norte-americano que mantinha conversas com Temer.

Michel Temer teve reuniões privadas com a embaixada norte-americana

Os documentos que indicam a relação foram revelados em 2011 e voltaram a aparecer na mídia no ano passado, durante a troca na presidência do Brasil. Na época, Temer negou as acusações.

Agora, durante a entrevista, Julian Assange comentou o seguinte: "Michel Temer teve reuniões privadas com a embaixada americana para repassar questões de inteligência política às quais eles não tiveram muito acesso, discussões das dinâmicas políticas no Brasil".

"Isso não é dizer que ele é um espião pago pelo governo norte-americano. Eu não sei, não existem evidências de que ele seja um espião pago em termos de dinheiro. Estamos falando de construir uma boa relação de forma a ter trocas de informação de parte a parte e apoio político mais adiante."

  • Você pode assistir aos trechos da entrevista, que ainda deve ser postada na íntegra, clicando aqui.

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