Imagem de The Wonderful 101
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The Wonderful 101

Nota do Voxel
80

O melhor do heroísmo nipônico nonsense

No que se refere à sua proposta, The Wonderful 101 é bastante honesto desde a sua primeira missão. Ao mesmo tempo em que um pacato professor primário lê tranquilamente enquanto acompanha seus alunos à escola — em uma espécie de cruzamento entre ônibus escolar e metrô —, o céu é rapidamente cortado por um ataque incendiário, fazendo com que o “ônibus” perca o controle e as crianças entrem em desespero.

Bem, após salvar as crianças, o pacato professor — tímido, ingênuo e gago — se transforma em um super-herói pertencente a um grupo de elite, o Wonderful 100. Com uma transformação que não deveria nada a Power Rangers, Wonder Red parte para evitar que o veículo desgovernado despenque de uma ponte... Diretamente sobre uma escola cheia de pimpolhos.

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Naturalmente, Wonder Red ganha rapidamente reforço de outros tantos heróis, tão ou mais nonsense do que ele próprio — que o diga o sujeito com uma tampa de privada sobre a cabeça.

Mas a história, contada assim, talvez faça algo se perder. Em primeiro lugar: certo feeling muito particular, usualmente encontrado em histórias apoteóticas orientais — ou de fontes que as imitem descaradamente, o que não é difícil de encontrar. E nisso The Wonderful 101 representa um pacote completo: há muito humor nonsense, há centenas de milhares de explosões e há uma história charmosamente superficial.

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Coroando a coisa toda, há a jogabilidade concebida pelo célebre Hideki Kamiya — uma espécie de “fascismo infantilizado”, por falta de termo melhor. Basicamente, quando se diz que os seus bons companheiros são armas ao seu lado, isso pode ser entendido literalmente — conforme eles “se fundem eletronicamente” para forjar espadas, punhos gigantes, marretas e por aí vai. O resultado é um caos quase perfeito. Vamos aos detalhes.

Em um cenário dominado por jogos de tiro e por ação scriptada, acaba sendo revigorante encontrar algo como The Wonderful 101. Embora a inventividade de Hideki Kamiya dê suas derrapadas aqui e ali — sobretudo na hora de executar os movimentos mais originais do jogo —, controlar toda uma turba ensandecida de heróis nonsense certamente não é algo que se vê todos os dias. E o mais importante: isso pode ser bem divertido.

Img_normalComplementando o estilo “todos por um!”, ainda há aqui uma bela homenagem a um estilo tipicamente nipônico de contar e recontar as desgraças da humanidade — sempre de forma exagerada, heróica e apoteótica. E é desse cruzamento entre inovação e saudosismo que surge uma das propostas mais singulares do Wii U.