Imagem de Naruto Shippuden: Ultimate Ninja Storm Revolution
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Naruto Shippuden: Ultimate Ninja Storm Revolution

Nota do Voxel
65

Uma revolução que mais tem cara de filler

Durante muitos anos, assistimos o universo de Naruto crescer nos animes e mangás. Já nos games, tivemos uma situação inversa: a cada título lançado de Naruto Shippuden: Ultimate Ninja STORM, os fãs acabavam mais e mais insatisfeitos pela falta de novidades.

Mas Naruto Shippuden: Ultimate Ninja STORM Revolution chegou querendo mudar esse quadro por completo. Com a promessa de uma jogabilidade melhorada, novas mecânicas e todos os shinobis que você sempre quis controlar nas mais variadas formas, muitos fãs do famoso ninja de macacão laranja já começaram a pensar que estavam diante do game definitivo da série.

Uma pena que, como acabei descobrindo após botar as mãos no game, Revolution acabou sendo o extremo oposto de tudo aquilo que ele queria ser.

O sonho de todo fã

Já de começo, Naruto Shippuden: Ultimate Ninja STORM Revolution aposta pesado em deixar os fãs do mangá completamente vidrados com uma aposta um pouquinho diferente do que vimos em seus antecessores. Isso porque, no lugar de apenas reviver batalhas já conhecidas daquele universo com um visual 3D, Revolution nos traz a possibilidade de reviver três histórias canônicas que nunca haviam sido mostradas no anime ou mangá.

Nesse sentido, o game certamente se sai muito bem. Ver como a Akatsuki se formou, por exemplo, não é nada exatamente revolucionário, mas acaba sendo uma adição interessante para algo que muita gente quis descobrir. O mesmo vale para a história da dupla Shisui e Itachi, antes da trama que os levou até o início do mangá. Tudo isso fica ainda melhor pelo fato de essas cenas serem apresentadas como no próprio anime, com a mesma qualidade de animação e dublagem.

Da mesma forma, o elenco de shinobis disponível em Naruto Shippuden: Ultimate Ninja STORM Revolution é certamente invejável. Você quer usar Jiraya em Sennin Mode? Lá está ele. Quer controlar um dos Hokages, sejam eles em suas versões vivas ou após serem revividos com o Edo Tensei? Também. Quer a versão de Naruto naquele momento específico em que ele aprendeu a controlar o Rasen Shuriken? Pois é, essa opção também está ali.

O pesadelo de todo gamer

Até aí, tudo parece às mil maravilhas. Mas não demora para que, na prática, o game mostre exatamente as mesmas fraquezas de seus antecessores.

Para começar, a jogabilidade, que devia ter recebido melhorias, ainda continua exatamente a mesma: esmague o botão de ataque até que o inimigo perca, ocasionalmente acumulando um pouco de chakra e usando um ataque especial para dar um ataque que causa mais dano. Arremesse umas shurikens só para dizer que está variando nos golpes; use uma sequência de Kawarimi no Jutsus quando for atingido por um golpe. Repita até que um dos lados vença.

Onde está toda aquela estratégia tão esperada em uma luta entre ninjas? Ou quem sabe armadilhas, técnicas de Genjutsu ou algo que não seja simplesmente um ataque com uma enorme bola de energia? Infelizmente, a grande maioria dos personagens é tão parecida uma com a outra que, em quase todas as batalhas, a sensação que temos é a de estar controlando os mesmos lutadores. E pior: o visual espalhafatoso dos golpes e poderes atrapalha a compreensão do que está havendo na tela, na maior parte das vezes.

Nem mesmo o sistema de categorias de habilidades faz grande diferença aqui. Por mais que agora seja possível escolher entre os métodos de batalha por Jutsu Supremo, Despertar e Impacto – e estes mudem sim como você deve lidar com sua batalha –, o sistema apenas permite que um mesmo personagem utilize mecânicas já conhecidas dos Ultimate Ninja Storm anteriores.

Resumindo: podemos até ter mais personagens em Naruto Shippuden: Ultimate Ninja STORM Revolution, mas a experiência continua igual à de seus antecessores.

Não podemos deixar de comentar, é claro, o caso da dolorosa localização que a série sofreu para o público brasileiro. Se antes a tradução do game estava horrenda, agora podemos ficar felizes em saber que ela está apenas sofrível, com menos erros graves. As falhas gramaticais ainda estão bem comuns e perceptíveis, entretanto, e as traduções questionáveis de certos termos continuam – que digam Sasuke e Sasori, que mudaram de “Ninjas Patifes” para “Ninjas Fugidos”.

Vale a Pena?

Um visual bacana compensa uma experiência de jogo medíocre? Infelizmente, não. E parece que esse é o maior problema em Naruto Shippuden: Ultimate Ninja STORM Revolution: ele se apoia apenas em trazer um game bonito com todos aqueles personagens estilosos que tanto amamos no mangá. Assim, o título acaba se esquecendo de que um jogo de luta é mais do que cenas bonitas, e sim uma jogabilidade interessante que nos oferece uma experiência divertida.

Como resultado, Naruto Shippuden: Ultimate Ninja STORM Revolution se mostra o ápice de todos os problemas que vimos se repetirem exaustivamente em seus antecessores, terminando no mais fraco título de toda a série. É uma pena pensar que o fim da aventura de nosso ninja favorito será marcado por um título assim...

Pontos Positivos
  • Enorme quantidade de personagens presentes
  • Traz histórias canônicas nunca mostradas no anime ou mangá
Pontos Negativos
  • Poucas novidades em comparação ao game anterior
  • Jogabilidade ainda mais simplificada