Imagem de Madden NFL 22
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Madden NFL 22

Nota do Voxel
72

Madden NFL 22 faz o mínimo esperado em sua estreia na next gen

Madden NFL 22 é o mais novo capítulo da franquia anual de futebol americano da EA! Com o monopólio das licenças de simuladores da liga desde 2004, a produtora colhe todos os ônus e bônus esperados pela falta de grandes rivais: apesar de suas boas vendas, há tempos que a série se encontra estagnada e desprovida de grandes melhorias, vivendo de pequenos passos por vez.

Para quem está chegando agora, é bom deixar claro que se você assiste à temporada do esporte real na ESPN ou NFL Game Pass e está procurando por um simulador divertido, funcional e devidamente atualizado para se aprofundar na liga, esse game é a melhor porta de entrada possível para essa modalidade apaixonante que segue conquistando cada vez mais fãs no Brasil (infelizmente ainda não reconhecido como um mercado digno de receber menus e textos localizados pela EA).

Mas no review da edição do ano passado, o meu amigo Francesco Simões já tinha indicado que Madden NFL 21 seguia essa mesma cartilha de melhoramentos mínimos, assim como aconteceu nas edições 20, 19, 18, etc.. Assim, essa crítica vai partir do pressuposto de que você já sabe mais ou menos o que esperar dos títulos da série, que manteve praticamente todos os seus modos e recursos da mesma forma que vimos nos últimos anos, e analisar principalmente as suas novidades. Saiba tudo sobre o novo Madden a seguir!

O poder do momentum

Logo na partida introdutória que apresenta as poucas mecânicas inéditas da edição deste ano, fica claro que a grande sacada da vez foi a implementação de um medidor dinâmico de momentum. Para quem está por fora, o momentum é um conceito da vida real que funciona quase como o "clima da partida": quando um time acerta muitas jogadas de impacto em sequência, a tendência é que ele se sinta mais confiante, e o rival mais intimidado.

Com isso, um time em situação ruim tem uma tendência maior para dropar passes simples, cometer turnovers, realizar snaps tortos e uma série de equívocos que o afundam ainda mais no buraco, enquanto a equipe com bom momentum goza de certos privilégios como ter mais sorte, não sofrer fumbles à toa e ter passes mais precisos. É assim na vida real, e a EA fez um ótimo trabalho replicando isso em Madden 22!

Até mesmo o fato de jogar dentro ou fora de casa já impacta de cara o seu medidor de momentum, com alguns estádios e situações sendo mais ou menos impactantes do que outros. Particularmente, achei bem inteligente a forma como até a câmera dá umas sacudidas a fim de te fazer sentir nervoso junto com os jogadores, dificultando um pouco o gameplay na medida certa. Espero que essa mudança tenha vindo para ficar!

Todo esse lance foi batizado como M-Factor (M de Momentum), um efeito que funciona como se o X-Factor agora valesse para o seu time inteiro. Acaba sendo até uma forma boa de compensar a ausência de novos X-Factor. Times que jogam em estádios com muito vento, por exemplo, trazem mais dificuldades para os kickers rivais, enquanto os estádios mais barulhentos da liga criam situações que dificultam a realização de audibles. Entre todos os games de esporte já feitos, nenhum tirou tanto proveito desse fator de jogar dentro ou fora de casa!

Mais bonito, mas nem tão next gen assim

Madden NFL 22 é o primeiro jogo da série a aparecer na nova geração de consoles, mas não se sinta mal caso você não consiga notar isso apenas por fotos ou vídeos, já que a sua apresentação é essencialmente a mesma vista nas edições anteriores. Da realização das jogadas até as animações extra campo, não há muitas novidades evidentes para se apreciar desta vez.

As animações foram bem melhoradas em alguns pontos, especialmente no contato entre dois jogadores que disputam espaço em campo, e você verá bem menos daqueles tropeções, bugs e movimentos bizarros de atletas se movendo de forma inumana. No geral, acabaram aqueles pixels se atravessando de forma tosca, o que ajuda bastante na imersão.

Os tackles foram especialmente bem polidos, e eu gostei de ver como alguns defensores ocasionalmente tentam se agarrar aos pés dos rivais mesmo já caídos no chão. Os running backs e wide receivers fazem de tudo para se desligar do contato, perdendo velocidade no processo, enquanto os atributos e posicionamento dos jogadores ditam quem vai ou não levar a melhor. É algo bem bonito de se ver:

De resto, fora as inevitáveis atualizações estéticas nos menus, músicas licenciadas, modelos mais recentes dos jogadores, um pouco mais de detalhes nas arquibancadas e alguns efeitos extras de iluminação, não é muito difícil confundir Madden NFL 22 com qualquer um dos últimos 2 ou 3 jogos em termos de apresentação e qualidade gráfica.

O que você mais vai sentir diferença está nas partidas já em andamento, como uma inteligência artificial aprimorada nos quarterbacks rivais, que agora se movimentam e lançam com um pouco mais de esperteza. Um rival como Tom Brady tem a tendência de ser um monstro dentro do pocket, enquanto Russell Wilson e Patrick Mahomes tiram algumas jogadas da cartola em movimento, exatamente como vemos na vida real.

Consertaram a franquia?

Quem acompanha a comunidade de Madden deve conhecer a hashtag #FixFranchiseMode, que circula desde o meio do ano passado cobrando novidades e melhorias para uma das formas de jogar mais queridas pela galera.

Desta vez, a EA apimentou um pouco o modo com a adição de árvores de progresso próprias para os seus coordenadores ofensivos e defensivos, de forma que fica mais gratificante trabalhar nas atividades semanais. Algumas cenas ainda foram adicionadas entre as semanas e eventos para criar mais imersão, mas tenho sentimentos mistos sobre elas. Como acontece no modo Face of the Franchise, tudo soa engessado e artificial demais, e as animações parecem saídas de duas gerações atrás.

Demandas mais antigas dos jogadores, como a possibilidade de criar um time do zero, seguem inexistentes, então não foi dessa vez que os desenvolvedores tentaram reinventar a roda. A tendência é que algumas atualizações pós-lançamento ajudem a melhorar o modo, como a chegada da eternamente adiada ferramenta de scouting, que deve ser habilitada em uma atualização em algum momento de setembro. Até lá, é muito mais do mesmo.

Falando em repetição, para quem gosta de jogar no modo repleto de microtransações do Ultimate Team, tenho boas ou más notícias, dependendo do quanto você já gostava ou odiava a experiência. Afinal, trata-se basicamente da mesma experiência, apenas com cards renovados e a implementação das mecânicas de Madden NFL 22, como o já citado medidor de Momentum e a possibilidade de fazer ajustes e dar um foco maior ao seu ataque e defesa no intervalo entre o segundo para o terceiro quartos.

Ainda assim, considerando as limitações inerentes ao modo Franchise, a possibilidade de participar de desafios por tempo e encarar os times de outros jogadores em empolgantes partidas online, não dá para negar que, por mais repetitiva que seja a fórmula do MUT, ela ainda dá um caldo e pode render centenas ou milhares de horas de diversão para o público mais hardcore.

Entre os altos e baixos desses modos, o que acabou me irritando mais foi o Face of the Franchise, o mais próximo que temos aqui de um modo história linear, já que você precisa guiar um calouro desde as suas últimas partidas na faculdade, passando pelo draft, até o resto de uma carreira brilhante. O problema é que, além das similaridades com a estrutura do ano passado, as cenas e interações com outros personagens, sejam eles atletas ou empresários, são pura vergonha alheia.

Trocar cinco linhas de diálogo pode consumir até um minuto de tempo real na medida em que os modelos de personagem toscos passam longos segundos de silêncio apenas olhando de um para o outro até que o próximo texto seja carregado. É bizarro ver algo assim na nova geração, e não ajuda que boa parte do fiapo trama gire ao redor de cenas negociando patrocínios e parcerias com marcas que apoiam a EA e a NFL. É como pagar para ficar assistindo a merchan sem parar. Confira a primeira hora de gameplay ao vivo desse modo que gravamos lá na Twitch:

Vale a pena?

Para o bem ou para o mal, Madden NFL 22 é o seu bom e velho Madden de sempre. Algumas adições desse ano foram muito bem-vindas e chegaram para ficar, como o medidor de momentum, animações retrabalhadas, física refinada e melhorias na inteligência artificial. Ainda assim, a maioria dos seus modos de jogo e mecânicas já estão estagnados e datados há alguns anos, e não foi dessa vez que tivemos um game realmente de cara nova.

Inclusive os próprios visuais não fazem justiça ao poderio gráfico da nova geração de consoles! Ainda assim, especialmente pela falta de alternativas no mercado, esse jogo acaba sendo uma pedida decente para quem quer jogar um pouco de futebol americano e acompanhar a nova temporada da NFL. Mais recomendado para quem está há alguns anos longe da franquia.

Madden NFL 22 foi gentilmente cedido ao Voxel pela EA para fins de review na versão de PlayStation 5

"Madden NFL 22 conta com pequenas melhorias, mas ainda não tem cara de nova geração"

Pontos Positivos
  • O medidor de momentum foi uma boa sacada
  • Você realmente sente o impacto de jogar fora ou dentro de casa
  • Ajustar o time no meio da partida é divertido
  • Quarterbacks rivais estão mais espertos e fiéis aos atletas originais
  • Animações e física mais realistas
Pontos Negativos
  • Apresentação não faz justiça ao poder da nova geração
  • Modos requentados, datados e estagnados há anos
  • As partes com narrativa são pura vergonha alheia
  • Sem localização em português