Imagem de Lego Star Wars: The Skywalker Saga
Imagem de Lego Star Wars: The Skywalker Saga

Lego Star Wars: The Skywalker Saga

Nota do Voxel
90

The Skywalker Saga é o melhor jogo da franquia LEGO

Que atire a primeira pedra quem nunca se divertiu de monte com os jogos da franquia LEGO. Não importa qual seja o filme ou a temática, os games da mais famosa linha de bloquinhos de montar são maravilhosos. Contudo, nos últimos anos, apesar de dar certo, a mesma fórmula de sempre estava ficando desgastada, e após o lançamento de LEGO DC Super Villains, em 2018, a galera da Traveller’s Tales resolveu dar uma folguinha para a franquia e trazê-la reformulada.

O anúncio de LEGO Star Wars: The Skywalker Saga empolgou os fãs, já que aparentava ter muitas novidades, mas a pandemia de covid-19 atrapalhou os planos e o jogo foi adiado várias vezes. Finalmente, em 5 de abril de 2022, ele foi lançado, e nesta análise você vai descobrir o que achamos e se ele realmente dá novos ares à franquia.

Confira a análise em vídeo:

Ainda é um LEGO

A primeira coisa que precisamos dizer sobre The Skywalker Saga é que a essência que tornou a franquia LEGO o gigantesco sucesso que é está intacta. A Traveller's Tale soube modernizar o game sem tocar naquilo que os jogadores mais amam: o humor e a gameplay delicinha que sempre foram oferecidos.

Ainda é preciso liberar centenas de personagens, encontrar canisters nas fases, coletar certo número de peças para completar as fases, rejogar os níveis para visitar locais antes inacessíveis, enfim, toda a trabalheira que é muito legal, acompanhada por aquele humor inocente, mas muito assertivo que só os personagens de LEGO conseguem ter.

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Falando de Star Wars

O game conta a história dos nove filmes principais da franquia Star Wars: A Ameaça Fantasma, O Ataque dos Clones, A Vingança dos Sith, Uma Nova Esperança, O império Contra-Ataca, O Retorno de Jedi, O Despertar da Força, Os Últimos Jedi e A Ascensão Skywalker.

Esses conteúdos são muito bem divididos em capítulos separados por um menu facinho de entender. Pode-se começar pelos capítulos I, IV ou VII, com os subsequentes sendo liberados ao terminar o anterior. Cada capítulo é dividido em cinco fases principais, mas não é só isso. Quando não estiver nas fases, o jogador tem a oportunidade de visitar diversos planetas do universo de Star Wars a qualquer momento para encontrar colecionáveis como blocos kyber, personagens e naves.

fases

É como se fosse um mundo aberto de  LEGO Star Wars, mas não é exatamente um, já que as regiões são separadas, mas o game oferece um tipo de sandbox com todo o universo da franquia para visitar entre as missões da história.

The Skywalker Saga funciona como nos jogos de mundo aberto, em que é preciso ir até certo ponto para pegar uma missão. É possível entrar nas fases no momento que quiser ou viajar para qualquer outro planeta já visitado para fazer missões secundárias ou explorar.

Outro ponto que brilha é a dublagem em português brasileiro, que conta com algumas vozes originais dos personagens, como Obi-wan, Anakin Skywalker e Padmé. Infelizmente, nem todos os dubladores são os originais dos filmes, como Qui-gon Jinn e Darth Vader, mas isso não quer dizer que o trabalho foi malfeito.

padme

Agora, as novidades…

Além de ser possível explorar tudo e jogar da forma que quiser, existem algumas novidades bem interessantes no novo título. A primeira delas é a visão do game; normalmente nos jogos de LEGO, a câmera fica mais afastada, quase isométrica, mas em The Skywalker Saga é diferente, já que ela está bem mais próxima do personagem e em alguns momentos fica quase naquele estilo “sobre os ombros”, principalmente quando armas de longo alcance são usadas.

Esse novo atributo deixa os tiroteios com blasters bem mais divertidos e interessantes, já que permite mirar em partes específicas para atirar nos adversários. Por exemplo, ao acertar um Stormtrooper na cabeça, o capacete dele é retirado, então atirar novamente na cabeça dá mais dano do que acertar no corpo.

Outro sistema implementado para a troca de tiros foi o de cobertura, em que pode-se usar uma parede ou muretas para se proteger de disparos. Ao se aproximar desses locais, o personagem entra em um modo de cobertura que permite até trocar de uma arma para outra facilmente ao apertar um botão, no melhor estilo Gears of War.

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E as novidades em combate não são só para os personagens de longa distância. Quem prefere o sabre de luz ou outras armas corpo a corpo vai gostar bastante do sistema de combos. Os golpes se ligam uns aos outros, formando sequências sensacionais que podem acabar com os inimigos bem rápido, além de garantir umas pecinhas extras, como se fosse um stylish point.

Há golpes que lançam os inimigos para o ar, golpes lentos que dão mais dano e golpes rápidos. Na hora do combo, o ideal é variar, para que a sequência de ataques dê a maior quantidade de dano possível. Já no sistema de contra-ataque, em alguns momentos aparece um ponto de exclamação na cabeça de um adversário quando ele se aproxima, então basta apertar o botão correto para que o personagem dê um belo "olé" no inimigo e acabe com ele em apenas um golpe.

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Outra novidade bem divertida é a exploração espacial. Antes de entrar em qualquer planeta, dá para conferir a órbita com um belo passeio de nave. Obviamente isso nem sempre é seguro, afinal existem diversos caçadores de recompensa, caças imperiais e soldados da primeira ordem querendo derrubar o personagem.

Nesses locais há diversas atividades para realizar, como tiro ao alvo, corridas e missões secundárias; a mais divertida sem dúvidas é dominar as naves capitais. Ao cumprir certos requisitos no jogo, ao explorar a galáxia, naves enormes podem aparecer para atacar o jogador em uma batalha bem divertida. Após acabar com as defesas externas, é possível invadir e capturar a nave, que se torna uma base espacial com vários itens para coletar, como moedas e blocos kyber, além de ser bem maneiro ser chamado de capitão ao dar um rolê por lá.

Um pouco mais RPG

Não é novidade nos jogos da franquia LEGO aquela famosa divisão dos personagens por classes, uma das características que continuam em The Skywalker Saga, com dez tipos de bonequinhos, entre Jedi, Siths, Heróis e Caçadores de Recompensas, cada um com características diferentes.

Jedi, por exemplo, podem manipular adversários usando a força; os personagens do tipo Herói podem se disfarçar para passar despercebidos; os Droides de Protocolo podem controlar torretas e ativar ou desativar alarmes e traduzir idiomas estranhos; os Astromecânicos podem abrir fechaduras especiais; e por aí vai.

Mas tem algo novo: upgrades. LEGO Star Wars: The Skywalker Saga tem uma pegada mais RPG, em que o jogador pode melhorar algumas habilidades dos personagens usando os já mencionados blocos kyber.

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Existe um menu próprio para fazer melhorias que vão desde a velocidade do personagem e o dano aplicado e até a quantidade de barras de HP. Além disso, cada classe tem os próprios upgrades, então há muita coisa para upar e melhorar nos personagens.

Apesar dessas novas mecânicas, o jogo não é nada complexo; pelo contrário, continua sendo bem fácil, afinal é um game de família, para relaxar a cabeça um pouco, não para ficar travado em puzzles complexos ou chefões que fazem querer jogar o controle pela janela.

Problemas? É claro que tem

Por mais que tenhamos nos divertido com as piadas inocentes, a gameplay gostosa e a dublagem quase impecável, LEGO Star Wars: The Skywalker Saga ainda cai nas armadilhas dos jogos anteriores dos bloquinhos de montar: câmeras mal colocadas em momentos importantes, o que realmente atrapalha na luta, e alguns bugs que comprometem a jogabilidade.

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Essas coisas podem ser pequenas comparadas às mais de 60 horas de diversão que tivemos, mas em alguns momentos foi preciso até reiniciar o video game, por conta de travamentos na tela de loading ou ir para o menu principal para resolver alguns bugs. E isso nunca é legal.

Além disso, mesmo que muita gente já esteja cansada de saber a história de Star Wars, em alguns momentos o roteiro dos filmes parece ter sido muito comprimido para caber em uma fase do jogo. Por mais que a narrativa seja feita de uma forma diferente no cinema e nos video games, as coisas parecem ficar meio atropeladas aqui.

Os loadings no PS4 e no Xbox One podem ser um pouco desanimadores também, principalmente ao trocar de um planeta para outro, já que a espera pode ser longa. Quem joga no PS5, no Series X ou em um PC com um SSD dos bons não vai ter problemas com isso, mas é sempre bom levantar essa bola, já que a maioria da galera aqui no Brasil tem consoles da geração anterior.

Apesar de estar bonito, o jogo também não é um primor visual nem um avanço tão grande graficamente em relação a outros títulos da franquia, mesmo na nova geração. É claro que existe evolução, mas não é um game que se destaca pelo visual.

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Vale a pena?

LEGO Star Wars: The Skywalker Saga é uma revitalização da fórmula LEGO, que sempre foi cativante, engraçada e muito divertida, mas que precisava mesmo passar por uma modernização. Esses quase 4 anos sem um game da franquia nos deixou com saudades, e esse título conseguiu, além de matar essa saudade, deixar um gostinho de "quero mais filmes nessa mesma pegada".

Apesar de escorregões chatos, como bugs, câmeras em lugares que não fazem o menor sentido e travamentos, isso não tirou os 90% do tempo que foram pura diversão.

LEGO Star Wars: The Skywalker Saga resgata aquilo que mais queríamos após uma longa lista de lançamentos mais pesados: um jogo “de boa”, gostosinho, que faz querer ligar o video game realmente só para relaxar e curtir.

Se existisse um Game of The Year no quesito diversão, The Skywalker Saga estaria no topo da lista para 2022.

Pontos Positivos
  • Extremamente divertido
  • Novidades com um elemento de RPG
  • Melhor game da franquia LEGO
Pontos Negativos
  • Ainda escorrega com alguns bugs
  • A câmera se comporta de maneiras estranhas