Imagem de HUMANKIND
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HUMANKIND

Nota do Voxel
87

Humankind traz uma nova Era para os jogos 4X

Jogar games do gênero 4X não é para qualquer um. É necessário tempo, estudo e muita jogatina para conseguir aproveitar o máximo possível.

Posso dizer que este foi um dos reviews mais trabalhosos que eu já fiz aqui no Voxel. Isto se você levar em consideração, que a primeira vez que coloquei as mãos em Humankind, foi em 2020.

Desenvolvido pelo Amplitude Studios, um dos estúdios da SEGA, Humankind tenta ser tudo e um pouco mais do que Civilization é e sempre será. Prepare-se para uma aventura mais densa, divertida e, que cada movimento, poderá custar caro na reta final da sua história.

Um passo adiante

Se você conhece a série Civilization, acredito que não terá muitas dificuldades para entender a grande premissa presente em Humankind. Caso contrário, sente-se na cadeira e leia com muita atenção.

Você comanda uma tribo neolítica, que terá como objetivo passar pelas diversas eras da humanidade, escolhendo suas diplomacias, religiões, deveres cívicos e culturas, além de desafiar outras nações.

A cada missão concluída, você adquire estrelas, que serão necessárias para atravessar as Eras da humanidade. É bem interessante o fato de o jogo sempre trazer cenas entre as Eras para transformar a imersão.

Quando uma empresa se propõe a criar um jogo do gênero 4X é importante ter como base o criado pelo gênio Sid Meier. Agora, quando a intenção é “subir o sarrafo”, muita coisa tem que ser pensada para que o tiro não saia pela culatra.

Por ser um jogo mais denso e complexo que a série Civilization, o Amplitude Studios teria que tomar muito cuidado com a colocação de cada peça neste grande tabuleiro virtual. São muitas informações, detalhes e mais detalhes que foram colocados minuciosamente em cada lugar e corretamente.

Confesso que demorará um pouco para os novatos terem noção de tudo o que pode ser feito no jogo. As artes são maravilhosas e a interface é uma das mais lindas que eu já vi em um game do gênero.

Leve, solto, com uma formatação muito agradável, esses eram os pontos cruciais para que o jogo tivesse caminho livre para o sucesso. Impressiona os detalhes quando você aproxima a câmera de tudo o que ocorre dentro do seu reinado.

A trilha ajuda a criar o pano de fundo perfeito, fazendo com que muitas vezes, o jogador fique alguns minutos contemplando tudo o que foi feito para a entreter e dar vida ao mundo 4X.

Detalhes entrelaçados

Humankind segue os games do estilo. Para ter um crescimento populacional é fundamental ter alimento. A indústria será crucial para um desenvolvimento rápido.

A ciência fará com que suas pesquisas ajudem no crescimento da sua sociedade. Já o dinheiro… Bom, o dinheiro será fundamental para colocar sua cidade no topo do mundo. Ele também servirá para desenvolver sua cidade mais rápido.

Todos esses detalhes andam de forma congruente. Sua história só terá êxito, caso você adquira fama ao longo da jornada. É por meio dela que o jogador conquistará o mundo.

Os recursos básicos se entrelaçam, ainda mais quando você já tem uma cidade. O balanceamento deles é fundamental dentro do seu distrito, determinado por um campo hexagonal.

Em certos momentos será necessário construir uma fazenda, que vai te ajudar na alimentação. Porém, ela terá um efeito contrário contra os outros recursos básicos. Será necessário jogar algumas vezes para saber o que realmente é importante naquele momento.

Prepare-se para entrar de cabeça

Por mais que você saiba ler em inglês, a Sega realizou um trabalho maravilhoso ao traduzir todo o jogo, inclusive o tutorial em vídeo. Cada item, cada detalhe está em português, para tornar sua vida menos complicada.

O manual será fundamental para os novos jogadores tentarem encontrar um lugar ao sol em Humankind. Mas já aconselho: mesmo com dicas e muito texto, o jogo será bem complexo para quem está começando no mundo 4X.

O que posso cravar é que se você tiver paciência (muita mesmo), aprender com os erros e com as diversas opções, você tem tudo para se divertir muito com jogo. E quando falo de diversão, pode colocar 400, 500 horas de jogo.

A possibilidade de alternar a cultura da sua sociedade ao longo das Eras foi uma verdadeira bala de prata do Amplitude Studios. Com ela, a possibilidade de replay aumentou bastante.

Junte a isso os mapas que têm suas particularidades e aos adversários, que nunca serão iguais aos da sua última aventura. Este é um verdadeiro xeque-mate de Humankind em Civilization.

O desenvolvimento de sua nação terá que ser harmonioso, caso contrário a Estabilidade entrará em jogo. Ela será o seu termômetro de como as coisas andam.

Caso ela não esteja boa, será muito difícil ter sucesso na aventura. Será necessário desenvolver cada cidade da forma ideal, levando-se em consideração o que ocorre em cada canto do mapa.

Acordos bilaterais de comércio serão chave para sobreviver, pois no início da aventura é complexo ter mais do que duas cidades no seu controle. Junte a isso os deveres cívicos, as narrativas que aparecem com o tempo e a diplomacia.

Batalha

Uma das grandes expectativas em Humankind sempre foi o sistema de batalha. É possível duelar por três rodadas dentro de um turno e, ao mesmo tempo, fazer outras coisas no mapa.

No campo de batalha, você e o inimigo dão ordens alternadamente. Você vence os confrontos ao eliminar todos os adversários ou se controlar a bandeira rival. Serei bem sincero aqui com vocês.

Uma pena que todo o belo trabalho em modificar algo enferrujado em jogos 4X não tenha me atraído tanto assim. Em muitas oportunidades utilizei a conclusão automática, por considerar que era mais fácil focar no desenvolvimento da minha nação do que perder massa encefálica ao lutar.

Este é um grande diferencial frente a jogos como Total War. Enquanto um tem foco nas guerras e batalhas, o outro tem como premissa desenvolver e tomar conta de cada detalhe que poderá influenciar no futuro de sua nação.

Diplomacia levada a sério

Os menus diplomáticos e a interação com cada um dos chefes das nações é fantástico. É praticamente um minijogo dentro de tudo o que nos cerca em Humankind. Sua cultura terá influência direta no rótulo criado pelos adversários.

Lógico que você pode duelar com quem quiser, mas uma barra mostrará a afinidade entre as duas nações e até onde vale a pena criar um atrito.

Você pode fazer exigências caso seja atacado ou até mesmo se o seu rival colocar os pés na sua terra. São tantos detalhes que é difícil especificar tudo. A cada hora que abro o jogo uma coisa nova aparece.

Não menos importante, a aba de pesquisa tem diversas opções, delimitadas por Eras. Também temos um menu de dever cívico que entra em harmonia com todos os outros quesitos do jogo.

Por mais que todos eles formem uma gigante teia de aranha é difícil perceber problemas ocasionados por uma escolha não tão certeira. Isso torna o jogo sem um quesito chato, que é o verdadeiro gerenciamento de crise.

Nem tudo são flores

Ao longo dos meses muitos detalhes foram incessantemente cobrados pela comunidade que acompanhou de perto o desenvolvimento do game. Desde o balanceamento das inteligências artificiais, quanto o sistema de batalhas.

Fica claro que o adiamento do jogo durante os últimos meses ocorreu para tornar a aventura o mais polida possível nos quesitos citados acima.

Porém, a empresa deixou alguns atributos de lado. Não foi possível notar melhora na otimização do jogo. Infelizmente ele não roda liso, principalmente quando você resolve passear pelo mapa.

Em diversas oportunidades foi possível perceber bugs no carregamento de batalhas e também na passagem por turnos. Em certos momentos, eu tive que reiniciar o jogo e carregar novamente.

Se tudo isso não bastasse, foi possível notar alguns problemas nos elementos vivos do mapa. Em certas ocasiões, as caravanas piscavam na tela.

Vale a pena?

Independentemente dos problemas encontrados na parte gráfica e nos bugs de carregamento, Humankind é um grande passo para uma nova era dos games 4X.

O jogo é muito mais complexo do que Civilization, sem tornar tudo muito denso e chato para o jogador. Humankind chegou para ficar e colocar uma certa “pulga atrás da orelha” dos concorrentes.

****

Humankind foi cedido gentilmente pela Sega para a realização desta análise.

Pontos Positivos
  • Gráficos e interface
  • Fator Replay
  • 4x pode evoluir
Pontos Negativos
  • Bugs
  • Otimização
  • Pouco convidativo aos novatos