Imagem de Hogwarts Legacy
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Hogwarts Legacy

Nota do Voxel
87

Review Hogwarts Legacy: O mundo mágico se tornou real

Depois de muitos adiamentos, espera, hype e polêmicas, finalmente Hogwarts Legacy está entre nós. O game que será lançado oficialmente dia 10 de fevereiro, mas estará disponível para os compradores da versão deluxe três dias antes, prometendo ser o maior e melhor jogo da franquia de bruxinhos mais famosa do mundo.

Infelizmente, a gente teve pouquíssimo tempo com o jogo em mãos, três dias entre o recebimento e a postagem desta análise, mas deu pra correr e fechar a história principal, além de fazer diversas atividades secundárias. Quer saber o que achamos do título? Confira a nossa análise a seguir.

Não conta pra ninguém

Tudo em Hogwarts Legacy gira em torno de segredos, a começar pela famosa escola de magia e bruxaria. O castelo de Hogwarts é conhecido por seus intermináveis mistérios, como salas escondidas e enigmas indecifráveis. Isso acabou definindo o tom para todos os acontecimentos relevantes da trama, principalmente aqueles que se referem ao grande antagonista do título, Ranrok.

Para ele, os humanos sempre se colocaram em uma posição de superioridade e subjugaram os duendes, guardando os segredos das magias para si e proibindo sua raça de usar varinhas. Cansado de tanta injustiça, ele criou uma rebelião para tomarem a força os poderes a eles negados. Seu ódio é tão grande que ele se tornou um tirano tal qual aqueles que deseja confrontar, escolhendo o caminho da violência.

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No meio disso, surge o nosso protagonista, um ou uma jovem com grandes poderes que está ingressando em Hogwarts no quinto ano. Porém, antes de chegar no castelo, é atacado por um dragão, teletransportado para ruínas esquecidas, vai para o banco Gringotes e descobre possuir uma poderosa e perigosa magia ancestral.

A partir daí, temos duas narrativas paralelas que ficam se entrelaçando constantemente. A rixa com Ranrok traz junto de si o envolvimento de poderosos bruxos antigos, desafios complicados e intrigas pessoais que casam perfeitamente com aulas de herbologia, práticas de poções, corridas de vassoura e até partidas de bocha mágica. Essa variação tem sempre como objetivo buscar um frescor na nossa aventura, principalmente, pois nenhuma das duas narrativas funciona tão bem separadamente.

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No geral, os acontecimentos são bem previsíveis e há diversos momentos clichês. É aquela típica história que nas primeiras horas você já sabe o final. Nem mesmo flashbacks, revelações de segredos antigos e reviravolta conseguem impressionar o jogador. No entanto, esse ping pong com o lado acadêmico consegue deixar a história extremamente cativante até seus momentos finais, fechando tudo de uma forma bem épica típica da franquia dos bruxinhos.

Hora de estudar

Acredito que para muitos, Hogwarts Legacy seja mais do que uma oportunidade de ver uma nova história sendo contada no universo de Harry Potter, mas sim o grande momento de se colocar naquele ambiente com o qual sonhamos por tantos anos. Isso foi uma das prioridades da desenvolvedora Avalanche Software.

A criação de personagens é relativamente limitada, ainda que conte com boas opções. Há uma variedade de cabelos, cor de pele, formatos de rostos, detalhes e até vozes que muito dificilmente deixarão algum jogador na mão. Não conseguimos montar o protagonista do jeitinho que quisermos, mas dá para se aproximar.

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E indo de encontro com as ações transfóbicas de J. K. Rowling, autora da série de livros, é possível criar personagens trans, já que não há nenhum tipo de limitação para a voz, cabelo e ainda escolhemos qual pronome será usado conosco, implicando também em qual dormitório dormiremos.

Acredito que, após isso, uma das questões mais importantes para os fãs seja em qual das quatro casas ficaremos e eu sou muito feliz de dizer que é o jogador quem decide. Logo na nossa primeira noite, passamos pela Cerimônia de Seleção, em que o chapéu seletor nos fará duas perguntas e definirá para onde vamos. Se não concordar, é só escolher outra.

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E indo para os estudos, aí temos uma leve decepção. Sabíamos que não seria uma tarefa fácil criar aulas divertidas, principalmente considerando que pouquíssimos outros jogos conseguiram isso. Acontece que aqui foi escolhido o caminho mais fácil: quick time events. Então é só movimentar o analógico do controle e acabou.

Há alguns momentos que não são exatamente assim. Nas matérias de Feitiços e Defesa Contra as Artes das Trevas, aprendemos uma magia e testamos. Na primeira de poções e de herbologia, somos ensinados o básico para plantarmos e criarmos as bebidas que usaremos no caminho. A mais diferente, obviamente, acaba sendo a de voo, mas que também não consegue se livrar dos malditos quick time events.

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Para compensar a nossa entrada repentina no quinto ano, os professores nos passam algumas tarefas e, como recompensa, ensinam novas magias para nós. Essa parte é bem mais divertida do que as aulas, já que exigem um uso efetivo do que aprendemos, como confecção de poções (ou compra, se preferir).

E não só de missões principais e aulas vive Hogwarts Legacy. Há uma variedade gigantesca atividades que podemos realizar pelo mapa. Juntar páginas que contam a história daquele lugar, encontrar e devolver borboletas para suas molduras, competir em um clube de duelos e muitas outras coisas que vão nos entreter por muito tempo. Algumas dessas atividades, inclusive, são apresentadas em missões principais, como ficar procurando por constelações após uma aula de astronomia. É algo que vai agradar muito os colecionistas de plantão e que agrega demais à experiência.

Um mundo encantador

Outra questão que impacta demais a experiência é o mundo em que tudo se passa. No preview que publicamos no final de janeiro, comentei como Hogwarts era absolutamente incrível. Após jogar quase 25 horas do game, posso dizer que ele é ainda mais impressionante do que eu pensava.

Sem limitações de espaço, podendo ir e voltar quando e como quiser, posso atestar tranquilamente que essa é a melhor representação do castelo que eu já vi, isso contando também com os filmes. Há uma infinidade de detalhes que torna aquele lugar vivo, mostrando que ele existe desde muito tempo antes e continuará existindo muito tempo depois da nossa presença. É uma mistura de imponência com agitação que eu pouco vi em minha vida. Impossível andar pelos corredores sem ouvir uma conversa, notar itens e imóveis se movimentando ou se deparar com o irritante do Pirraça atazanando alguém.

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Se engana quem acha que isso para na escola. Outra área famosa e de destaque é o pequeno condado de Hogsmeade, que serve como centro de compras para o jogador. Uma aldeiazinha extremamente aconchegante, lotada de detalhes que tornam a experiência por lá única. Como diz o nosso protagonista “todos os caminhos sempre levam à Hogsmeade”.

O mundo aberto é constituído por essas duas localidades e mais uma gigantesca área lotada de vilinhas, cavernas e outros pontos que são como convites para a exploração. No geral, a vegetação não muda muito de um lugar para outro, se diferenciando só na mudança de estação que vemos conforme a trama se desenrola, mas há diversos lugares para serem descobertos.

O empenho colocado para tornar esse universo tão convidativo e reconfortante, ao mesmo tempo que desafiador e misterioso, deixou tudo extremamente imersivo. Para os fãs, é como uma receita de família feita magistralmente por um restaurante fino. Para os novatos, é um menu degustação de primeira linha. Definitivamente, é um dos maiores trunfos de Hogwarts Legacy.

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Para se locomover de um lado para o outro, podemos usar fast travel por meio de pó de flu, que aqui não se limita a lareiras. Agora, se tiver um pouco de tempo para gastar e preferir aproveitar a vista, voar com a vassoura é a melhor opção, que torna tudo ainda mais imersivo. E mesmo sendo extremamente prazeroso desbravar os céus, não podemos praticar quadribol no game. Isso é abordado dentro da trama e de forma tão inteligente que me fez pensar “é uma pena, mas faz sentido”.

Te desafio para um duelo

Além de ficar andando e voando por aí, outra coisa que faremos por muito tempo em Hogwarts Legacy é batalhar contra adversários. Como é de se esperar, todo o combate é feito a média e longa distância usando nossa varinha. Seu estilo se aproxima bastante do Freeflow, usado na franquia Batman Arkham, focado em fluidez e agilidade com diversos inimigos na tela.

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Podemos usar ataques básicos, que tiram pouca vida do oponente, e também todas as magias que aprendemos nas aulas, sendo elas de ataque ou não. Por exemplo, o jogador pode usar um "accio" para aproximar o adversário, "incendio" para colocá-lo em chamas, usar alguns ataques básicos e ainda desarmá-lo com um "expelliarmus" antes mesmo de voltar ao chão. Porém, essas magias precisam de um tempo para recuperar após usadas. Como não é possível atacar todos os inimigos de uma vez, há uma esquivar e uma magia de proteção, o "protego".

Como comentado lá no começo, o nosso protagonista consegue usar uma magia ancestral, o que nos permite jogar itens nos adversários e usar um especial poderoso que mata instantaneamente a maioria dos inimigos ou pelo menos dá dano considerável para facilitar a batalha.

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Os diferentes tipos de inimigos, como duendes, trasgos, aranhas e outros bruxos, oferecerão abordagens relativamente parecidas, mas é importante notar as nuanças para saber quem eliminar primeiro

Assim como comentei no nosso preview, ele é o típico combate “fácil de aprender, difícil de dominar”. Não é complicar entender o que é necessário fazer para resolver os encontros com adversários de forma rápida e efetiva, o problema é realizar com maestria para ter o melhor resultado possível. Fiquei realmente satisfeito com o sistema, principalmente pelos desafios proporcionados e a necessidade de um pensamento rápido.

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Mas nem tudo são flores. Caso o jogador não queria bater de frente em todas as oportunidades, há uma magia de invisibilidade que, junto à "petrificus totalus", permitem uma abordagem mais sorrateira. O problema é os inimigos serem burros como portas, só te percebendo quando estiverem olhando diretamente pra você, e constantemente não ligando para a morte de um companheiro do lado deles.

Tudo com a sua carinha

Após todos esses confrontos, é bom ter um lugarzinho para recuperar as poções usadas e melhorar os itens equipados, é aí que entra a Sala Precisa. O local secreto serve como uma base, onde podemos plantar, criar poções e até mesmo cuidar de animais. Não é um lugar que passaremos muito tempo, mas é um espaço que podemos contar quando necessário.

Para torná-lo ainda mais aconchegante, ele é completamente personalizável. Sem brincadeira, eu devo ter passado 40 minutos só mudando o estilo da parede, mudando a cor do chão e posicionando quadros. Por quê? Não sei, só achei divertido.

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E personalização foi algo que a Avalanche deu bastante foco no game. Além da Sala Precisa, podemos customizar a nossa vassoura, comprando novos visuais, e varinha, quando vamos para a Olivaras logo no começo do título. Mas a melhor questão de personalização, na minha visão, é o visual do personagem.

Aqui, não há aquela velha discussão de “status vs estilo”, podemos ter os dois ao mesmo tempo. Quando looteamos uma peça de roupa, desbloqueamos sua aparência. Isso significa que podemos estar usando uma roupa, mas com o visual de outra, o que despertou o meu estilista interior. Sempre que uma nova peça vinha, eu ficava testando opções para saber o que mais combinava, via se ficava legal usar um cachecol ou era melhor deixar só a roupa da escola mesmo.

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De verdade, é uma questão tão simples que me impressiona outras empresas não terem feito o mesmo. Ninguém gosta de um Geralt de Rívia com uma armadura estranha, não é?

Lindo e travado

E falando de beleza, resgato o assunto do castelo para falar como os gráficos de Hogwarts Legacy são incríveis. A iluminação e os detalhes da arquitetura realmente enchem os olhos, mas também trouxeram problemas de performance junto.

Tenho minhas dúvidas se ele está muito pesado ou se é a otimização, mas eu constantemente sofria de quedas de quadro repentinas. Muitas delas vinham em momentos realmente aleatórios, no começo ou metade de confronto contra adversários, mudando de uma área para outra ou mesmo caminhando por aí.

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E tem mais, já que uma quantidade bem grande de cutscenes começava com uma quantidade baixa de fps sem nenhum motivo aparente. Como você pode imaginar, isso afetava diretamente a minha imersão e roubava minha atenção, pois a única coisa que eu queria era entender porque aquilo estava acontecendo. Vale ressaltar que o game estava rodando em um PC com uma RTX 3070 Ti e em 1440p, algo que não deveria ser problema para um jogo que é cross-gen.

Eu optei por diminuir a qualidade gráfica de algumas opções, comprometendo um poucos os visuais, ainda que não tenha tirado toda a beleza deles. Se for uma questão de otimização, espero que seja consertado em breve com um patch de atualização.

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Outra questão que acho válido comentar é sobre a localização do game, que está impecável. O trabalho de voz dos dubladores brasileiros é absolutamente perfeito. Aliado ao sistema de sincronização labial por IA, que fazia os personagens movimentarem a boca de acordo com as palavras no nosso idioma, a minha experiência nesse quesito foi quase perfeita.

O quase é referente a um problema que notei no preview de Hogwarts Legacy e não vi nenhuma diferença na versão final. Escolhi um tom um pouco mais grosso para a voz do meu protagonista, fazendo o som ficar com um efeito estranho, quase como se houvesse uma dessincronização entre o lado direito e esquerdo do fone. Depois de um tempo, eu acostumei, mas o incomodo não foi embora.

Vale a pena?

Hogwarts Legacy não é só o jogo mais imersivo da franquia como também é o melhor já lançado. Essa é a mais fiel representação que eu já vi do mundo dos bruxinhos, que eu cresci lendo, assistindo e jogando. Ainda que o stealth seja quase deprimente, o combate é extremamente divertido e exige um aprimoramento constante do jogador.

A história que mescla estudo com uma trama rebelde de tomada de poder funciona bem, mascarando a previsibilidade da história e a simplicidade das aulas. Toda a personalização e a localização do game foram dois grandes acertos, assim como a variedade de missões e atividades para se realizar. O maior incomodo ficou mesmo pela inconsistência na performance no PC, que poderia ter tornado a experiência ainda melhor.

É triste saber que ações preconceituosas da autora contra uma parcela da população mundial, muitos inclusive que foram fãs de suas obras por tantos anos, fizeram as pessoas recusarem qualquer tipo de conteúdo relacionado à franquia. Pessoas da comunidade LGBTQIAP+ devem ser respeitadas, principalmente as trans, que são invisibilizadas e marginalizadas por grande parte da sociedade, além de que transfobia é crime em nosso país.

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Pontos Positivos
  • HIstória que intercala trama de vilão com aulas
  • Combate fluido e desafiador
  • Tarefas divertidas de professores
  • Várias atividades para se fazer no mapa
  • Ambientes imersivos
  • Personalização vasta na Sala Precisa e de itens cosméticos
  • Localização em português
  • Tecnologia de sincronia labial
Pontos Negativos
  • Stealth é horroroso pela burrice dos inimigos
  • Aulas com quick time events
  • Performance inconstante no PC
  • Voz do protagonista com algum tipo de ruido ou falta de sincronia