Imagem de Final Fantasy VII Remake
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Final Fantasy VII Remake

Nota do Voxel
94

Para a nossa alegria: valeu a pena esperar por Final Fantasy VII Remake

Foram mais de 2 décadas, mais precisamente 23 anos, entre o Final Fantasy VII original e o seu remake. A revelação do game aconteceu na E3 2015, durante a conferência da Sony. Nesse dia, o mundo viu pela primeira vez o novo visual do planeta Gaia, e o HYPE tomou conta de todos.

A promessa da Square no decorrer dos anos foi de seguir a ideia original, mas agora dando muito mais profundidade a cada acontecimento e personagens. Afinal, o salto de 20 anos permitiu a cada um que ganhasse uma nova roupagem e, ainda mais importante, uma voz. 

Algo que à primeira vista pode parecer bobo, mas no decorrer da aventura ao relembrar aquelas cenas, antes vistas apenas com caixas de texto, com esse detalhe chega a ser emocionante. Principalmente quando vemos o Seventh Heaven, o bar da Tifa, pela primeira vez, respeitando totalmente a obra original, inclusive a entrada secreta para o QG da Avalanche. A Square acertou bem no ponto de como unir o novo ao nostálgico.

Nesta análise, não entraremos em detalhes sobre especificidades do game, como detalhes de mecânicas de matérias ou equipamentos. Isso faremos em outros vídeos, aqui vamos falar de tudo de uma maneira geral: os pontos fortes e os fracos de Final Fantasy VII Remake e se valeu a pena toda a espera para jogá-lo.

Um pouco da história

Antes de começar, vamos dar uma introdução bem-resumida do que está acontecendo. O game se passa no planeta Gaia, lugar onde uma megacorporação chamada Shinra, instalada na cidade de Midgar, usa a Lifestream (essência vital do planeta convertida em energia Mako, para gerar eletricidade e matérias). Isso não parece bom, certo? Bem é aí que entra em cena um grupo ecoterrorista chamado Avalanche que, para impedir a destruição do planeta por conta do uso desenfreado desse recurso, planeja acabar com a Shinra fazendo ataques aos seus reatores.

Nessa primeira missão, o objetivo é explodir uma bomba no reator número 1. Para isso, uma das células da Avalanche — liderada pelo bombadão Barret Wallace — contrata um mercenário chamado Cloud Strife, que já fez parte do exército particular da companhia. É aqui que o jogador encarna o papel do ex-soldier e começa sua aventura em Final Fantasy VII.

robo escorpião

O início do jogo é o que experimentamos na DEMO no início de março, claro que com umas pequenas diferenças aqui e ali, mas para mim isso trouxe um tempero a mais no game. Não vamos discutir muito sobre o enredo, até porque não queremos estragar a experiência (já que é possível dar spoilers nesse jogo). Afinal, o próprio Tetsuya Nomura, diretor do game, disse várias vezes que não iria mudar pontos- chave da história, mas adicionaria algumas novidades para alegrar o coração dos fãs. Então, a história ficou mais "robusta", principalmente em relação aos personagens — apenas um leve spoiler: eles cumpriram essa parte com maestria.

Um jogo em partes

Vamos lembrar que Final Fantasy VII Remake será lançado em partes, ou seja, essa é a 1ª parte do jogo. Esta conta com 18 capítulos e passa por pontos bem-conhecidos pelos fãs, como os reatores 1 e 5, o mercado murado, a destruição do setor 7 e o QG da Shinra até chegar ao seu fim após a fuga de Midgar.

Em nosso gameplay, terminamos tudo em 43 horas e 45 minutos. Isso fazendo quase tudo que o game tem a oferecer: sidequests, minigames e lutas no coliseu do mercado murado. Enfim, essa primeira parte é bem grande, mas é um exagero dizer que é tão comprida quanto o original inteiro.

Combate

É no combate que vemos Final Fantasy VII brilhar forte. Ele segue um esquema que não é novidade: o sistema de ATB — Active Time Battle (BTA na tradução). Neste, cada personagem deve realizar ataques normais para que uma barra de ação se encha e ele possa realizar ataques especiais, usar magias ou itens.

E quem imaginava que o game seria apenas um monte de lutas nas quais deveríamos no máximo ficar apertando um botão se enganou forte! O game conta com batalhas incríveis, e o destaque vai para as lutas contra os bosses  — nelas, sempre acontece algo que muda o desenrolar da peleja e têm animações muito legais que dão uma boa entusiasmada na pancadaria.

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Todas as batalhas contra chefes são memoráveis e nos fazem querer correr para o YouTube ou abrir o jogo original para ver como elas eram. Você não vai se decepcionar fazendo isso, pois vai assistir às batalhas contra Abzu (Aps, no original), Turks ou Arsenal (Hundred Gunner, no original) remodeladas, ou melhor, modernizadas. Essa reformulação foi elaborada para trazer uma satisfação ímpar aos fãs do 7º capítulo da franquia.

Mesmo nas batalhas comuns, a sinergia entre os personagens é importante e trocar o controle entre eles pode não ser obrigatório, mas torna o combate muito mais dinâmico e ajuda na montagem da estratégia para derrotar cada adversário. Por exemplo, Tifa tem uma aptidão para atordoar os inimigos com mais facilidade, e muitas de suas habilidades são voltadas para isso; enquanto Barret consegue usar suas metralhadoras para atacar de longa distância sem usar PM (Pontos de Mágica).

No entanto, isso não é uma regra. Cada personagem tem um estilo bem próprio de lutar, mas também dependem da arma equipada. Ainda falando sobre Barret, ele pode mudar completamente seu modo de lutar equipando-se com uma garra em vez de suas metralhadoras — isso o impossibilita de usar ataques a distância (sem ser por magia), porém garante uma quantidade massiva de dano nos adversários.

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Os limits breaks também estão de volta a FFVII. Alguns foram retrabalhados, como o “Brave” do Cloud que agora é uma habilidade comum, mas outros foram adicionados.

A esquiva e a defesa também foram ótimas adições ao combate. Segurar o R1 para se defender pode ajudar a receber danos menores, arriscar-se em apertar a bolinha para se esquivar pode ser uma boa ideia em alguns momentos e acaba não recebendo dano algum.

Algumas mecânicas também foram adicionadas à defesa. Cloud, por exemplo, conta com duas posições de luta durante as batalhas: soldado e justiceiro. No modo "justiceiro", ao usar a defesa em golpes corpo a corpo, o protagonista desfere um poderoso contra-ataque que pega o adversário de surpresa e abre sua defesa, oferecendo um leque de possibilidades para combar habilidades.

Tudo isso descrito parece soar complicado, mas, na prática, a mecânica de combate do game funciona tão bem que o jogador não encontra dificuldade alguma em aprender e masterizar tudo de uma maneira muito natural e divertida. Por mais que o game tenha uma leve pegada meio hack’n’slash, o sistema de BTA torna as batalhas mais táticas e estratégicas o suficiente para agradar tanto os modernistas quanto os saudosistas de Final Fantasy.

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Explorando Midgar

Midgar está incrível e viva. Apesar de o game ter uma progressão linear, existem momentos que proporcionam uma certa liberdade para explorar. Tem gente nas ruas conversando e seguindo suas vidas normalmente. As Slums, apesar dos pesares, são cheias de alegria, e você tem vontade de andar por cada pedacinho, conversar com todos e conhecer cada personagem ali. A atmosfera do ambiente faz com que o jogador realmente se sinta parte daquele universo, principalmente ao cumprir as missões secundárias e ajudar o povo daquele lugar sofrido a resolver seus problemas.

Contudo, não estou dizendo que essas missões secundárias são revolucionárias. Na verdade, elas são até bem "bobinhas" se formos analisar a fundo, não tem nada que as tornem originais nem há nenhum outro aspecto que qualquer outro JRPG já não tenha feito melhor, mas a ambientação torna tudo mais legal (talvez seja até porque é puxada pela nostalgia). Nela, você se envolve mais na vida daqueles personagens, e para quem conhece o destino do setor 7 sente até um aperto no coração.

Dessa forma, não são só as Slums de Midgar que são bem retratadas, o Mercado Murado e os ambientes internos, como os esgotos e o QG da Shinra, dão um show à parte.

Ao explorar os ambientes, também vamos encontrar diversos mini games que podem não ser algo incrível e inovador, mas dão uma alternância ao gameplay. Estão nessa lista: jogo de dardos, treinamento de quebrar caixas, competição de agachamentos e até uma apresentação de dança. Entre essas atividades também há aquelas que não são mini games, mas que também dão conteúdo extra para o jogo, como coletar medalhas moogle para trocar por itens especiais e encontrar todas as 31 músicas espalhadas pelo jogo.

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Sem contar o coliseu e o simulador de batalha da Shinra, que oferecem uma boa quantidade de EXP e são ótimos pontos para fazer aquele bom e velho grind. Ao avançar no jogo, mais lutas são disponibilizadas, e o desafio vai aumentando, sendo que algumas lutas ali são mais difíceis do que as encontradas durante a história do game.

Além disso, não podemos nos esquecer de uma das novidades do game: o personagem Chadley, o estagiário da Shinra, que ajuda o grupo de heróis pesquisando novos tipos de matéria. O jogador pode ajudá-lo trocando informes de combate, cada um deles seria uma minimissão do tipo analisar tantos inimigos ou derrotar um monstro de uma maneira específica. Concluindo essas tarefas, ele terá mais matéria que você pode comprar e, digo mais, ele desenvolverá matérias de invocação, como a do Chocobo Gordo, Shiva e Leviatã. Para adquiri-las, devemos lutar contra esses summons.

Falando nesses Summons, ao adquirir suas matérias, o jogador deve equipá-las em suas armas. Cada personagem tem um slot para matérias de invocação, e os summons não podem ser ativados a qualquer momento, eles só podem ser invocados em batalhas complicadas — o que significa boss battle. Após serem chamados, qualquer personagem pode controlá-los, bastando gastar sua barra de BTA para acionar os ataques.

Terminei o jogo, e agora?

Após o fim do game, é possível fazer um tipo de “New Game +”, podendo visitar qualquer capítulo com o seu nível atual, equipamentos e matérias. Isso significa que, caso você tenha deixado alguma missão para trás, aqui é possível fazê-la. 

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Além disso, é uma boa oportunidade para fazer grind, já que agora você vai receber o dobro de XP, o triplo de PA (que é o XP das matérias) e vai enfrentar os novos desafios adicionados ao coliseu e ao simulador de batalhas da Shinra. Outra coisa nova é a possibilidade de revisitar o game no modo “difícil”, liberado após fechar FFVII pela primeira vez. 

Isso dá uma vida extra bem legal ao game, mas nos deixa a pergunta: como vai ser o sistema de progressão para a próxima parte do jogo? Será que vamos levar tudo o que conseguimos nesse save? Nível, equipamentos, matérias e tudo mais? O jeito é esperar e ver.

Mas nem tudo é perfeito

Final Fantasy VII Remake é incrível, tem tudo que os fãs do game original gostariam e ainda mais. Contudo, não está livre de defeitos e o que merece o destaque é a qualidade gráfica e de otimização. Por mais bonito que o game seja, em algumas CGs, ele erra (e feio) em alguns ambientes.

Dá para perceber muito bem que alguns objetos e locais não receberam o cuidado necessário. Em algumas cenas, é bem óbvio que a renderização não funciona. Só para dar um exemplo sem spoilers,  tem um determinado momento do game que Tifa leva Cloud para a estalagem do Setor 7 e diz que o seu quarto é o 201. Quando olhamos para a porta, vemos um gráfico que parece não estar renderizado como deveria, e o número não aparece na porta, a qual aparentemente tem um visual muito piorado do que o resto do ambiente.

Uma coisa que agrava essa situação é o game ter um tipo de estilo Fallout, dando zoom nas coisas enquanto está rolando um diálogo. Isso acaba deixando esses erros ainda mais evidentes, é claramente possível, em alguns momentos, ver que as flores de um jardim são meio quadradas. Entretanto, quem sabe isso não possa ser resolvido com um patch mais para frente — assim espero!

Isso acontece em vários outros momentos, não é difícil de prestar atenção em um lugar e ver tudo meio pixelado (grama, paredes e objetos, enfim, várias coisas). Sem contar algumas cenas em que vemos o horizonte, nas quais o fundo parece  um grande jpeg que foi meio distorcido para ser colocado em um tom verde. As coisas não parecem ter profundidade e são como se fossem uma enorme arte de outdoor — isso não seria tão ruim se a qualidade fosse alta e esse fundo não sofresse também do mesmo problema de pixelização.

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Como foi dito, as sidequests não são um primor. Elas não trazem uma ideia original, como também não tem nada ali que outros JRPGs (como Persona ou até mesmo outros do Final Fantasy) já não tenham explorado e realizado de modo espetacular.

Não estou dizendo que essas sidequests não deveriam existir, só que elas não parecem trazer nada de novo. Supostamente, foram colocadas ali apenas para mostrar a existência de um conteúdo secundário e que o jogo vai mesmo atingir mais de 30 horas. Logo, em um game em que a proposta é trazer modernização, faltou esse detalhe. Além disso, é importante destacar que nem todas as sidequests são desinteressantes, tem uma inclusive que acaba te levando para uma boss battle opcional.

A câmera durante as batalhas também pode ser meio confusa, principalmente quando usamos a mira automática. Perdi a conta das vezes que desativei a mira para ajustar a câmera de uma maneira mais inteligente e voltar — e nisso já tinha tomado umas boas bordoadas ou perdido o embalo da estratégia que eu estava bolando.

Outro ponto que desagrada um pouco é o fato de parecer sempre que estamos jogando uma build o tempo todo. Por maior que o jogo seja (afinal, levei 44 horas para terminar), aquele sentimento de que ele iria acabar do nada e eu teria que esperar sabe-se lá quanto tempo para retomar não saía da minha cabeça. Eu sei que isso possibilita aos desenvolvedores dar mais robustez a cada parte da história original e torná-la ainda mais imersa e profunda, mas não tem como não citar essa sensação.

Contudo, ele dá uma boa amenizada no final do game, principalmente quando são apresentadas algumas coisas que no original não tinha e que, na minha humilde opinião, se encaixaram perfeitamente e foram muito bem-vindas. Não vou falar muito sobre isso, pois a experiência de cada um é importante nessa parte.

Vale a pena?

Apesar desses problemas gráficos, de câmera e um "tiquinho" de falta de originalidade na hora das missões secundárias (em algumas, não em todas), Final Fantasy VII é um jogaço e compensa demais tanto para veteranos quanto para aqueles que ainda não conhecem a história. Suas deficiências técnicas são deixadas de lado ao vermos o esforço da equipe da Square em construir algo que honra a obra original e a enriquece ainda mais com uma maior profundidade nos personagens. Desse modo, tornando esse remake um RPG de respeito e que vale muito a pena jogar. Aguardamos ansiosamente pelas próximas partes.

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*Final Fantasy VII Remake game foi gentilmente cedido pela Square para a realização desta análise

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Pontos Positivos
  • O combate é incrível, e não se torna enfadonho com o tempo
  • A curva de aprendizado durante o game é ótima, a todo momento o jogador é apresentado a uma mecânica nova que agrega ainda mais à história ou às batalhas
  • Legendas em português
  • História mais robusta com profundidade em todos os personagens apresentados na trama
  • As músicas originais estão de volta modernizadas
Pontos Negativos
  • Renderização dos objetos demora ou até mesmo não acontece, dando aparência de gráficos mal-acabados
  • O fato de ser lançado em partes deixa uma sensação de ansiedade no jogador, que sabe que a jogatina vai acabar e não vai ter conclusão
  • A câmera é meio burra em alguns momentos dos combates