Imagem de Essays on Empathy
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Essays on Empathy

Nota do Voxel
78

Essays on Empathy mostra que é possível fazer arte nos games

Ideias originais são sempre muito bem-vindas no mundo dos games. Uma reformulação do que pode ser apresentado costuma ter um efeito positivo entre os jogadores tradicionais. Um game não é apenas uma fita, um CD ou algo que possui começo, meio e fim. Videogame pode ser uma arte e algumas empresas pensam desta forma.

Jogos que trazem reflexão e um pensamento fora do senso comum possuem cada vez mais espaço em nossa realidade. Se existisse um dicionário gamer e a palavra criatividade estivesse inserida nele, eu diria que Essays on Empathy poderia ser uma das respostas. Aumente seu crédito pelo título, já que ele foi desenvolvido pelo Deconstructeam, responsável pelo excelente The Red Strings Club, de 2018.

Falas e mais falas

Essays on Empathy foi inteiramente feito na Ludum Dare, uma competição onde desenvolvedores precisam criar jogos em 48 horas. O game é uma coletânea de 10 histórias criadas pelos espanhóis, focados em narrativas pertinentes ao nosso tempo e mecânicas únicas. Cada aventura dura de 20 minutos a uma hora, sendo necessário jogar do início ao fim, já que não existe save.

Os enredos são diversificados e pertinentes, mas estão apenas em inglês, o que pode dificultar grande parte do entendimento do texto. Aqui vai a primeira crítica frente ao título. Se você se compromete a contar uma boa história é fundamental facilitar a vida de todos.

Isto é usabilidade, nem todos falam certas línguas. O fato do jogo estar apenas em inglês o torna restrito a uma classe de pessoas. E não é só isso: impede com que esta obra de arte seja jogada por mais gente.

Detalhes que fazem a diferença

Essays on Empathy apresenta, em seu menu inicial, dez hexagonais. Cada um deles representa uma das histórias. Cada passagem do mouse sobre os hexagonais emitirá um som distinto, lembrando um grande piano.

Você pode achar que eu estou louco, mas devo ter ficado uns 15 minutos nesta tela criando músicas. Tenho certeza que fará o mesmo. Este fator mostra os mínimos detalhes pensados pela empresa para se apropriar de todas as formas possíveis do que foi criado.

Além disso, ao clicar em cada uma das aventuras, aparecem duas opções. Na primeira delas, o jogador confere uma galeria de imagens da história. Na segunda, é possível ver um vídeo com os desenvolvedores e entender como o enredo foi pensado e criado.

É fundamental que você passe por todas estas opções antes de jogar cada uma das aventuras, pois ela cria uma imersão ainda maior para o que vem pela frente. Se os assuntos já não fossem interessantes, ganham mais vida ainda por meio desta grande ideia da empresa.

História para dar e vender

O que não faltou foi criatividade para criar o texto. Eu poderia aqui falar de todos os dez títulos apresentados, mas falarei dos que mais me impactou. Como disse acima, muitas histórias são curtas, mas acabam sendo marcantes. Uma delas é Behind Every Great One, que conta a vida de um casal desequilibrado.

Victorine, a personagem principal, é casada com Gabriel, um pintor de sucesso. Ela vive um relacionamento totalmente machista e abusivo. Resta conduzi-la para a liberdade. Outros personagens também aparecem na aventura, apenas para piorar a situação.

Para quem jogou o game anterior da empresa, The Red String Club, vale se divertir com a história Zen and the Art of Transhumanism. A aventura cyberpunk traz um android que instala módulos em corpos de clientes.

Estes itens aperfeiçoam as pessoas, tanto nas partes físicas, quanto profissionais. Os casos são muito interessantes. Em um deles, uma redatora de clickbait quer melhorar sua criação de matérias sensacionalistas.

Você precisará desenvolver os módulos para que ela fique satisfeita. Para isso, o personagem senta em uma máquina para esculpir o item. A ideia é bem interessante, fazendo você se envolver nas histórias dos clientes que aparecem.

Se você já achou todas estas histórias mirabolantes, temos algumas outras que nos chamam a atenção, como De Tres al Cuatro, sobre um casal gay que tenta sobreviver de stand up comedy numa ilha.

Ou então pode optar por 11:45 A Vivid Life. O enredo te coloca na pele de uma garota que rouba uma máquina de raio-x e fará o possível para entender se o seu esqueleto faz realmente parte do seu corpo.

Faltou algo a mais

Por mais que os jogos sejam interessantes, o fato deles terem sido desenvolvidos de forma rápida, pode estragar um pouco da diversão. Como disse anteriormente, muitos dos jogos são curtos e merecem um tempo a mais para desenvolvimento.

Creio que se isso fosse proposto, dificilmente teríamos espaço para contar tantas histórias em uma coletânea. Alguns desfechos tornam-se pobres, exatamente pela falta de desenvolvimento. Mas quem sabe a empresa não pensa em algo mais grandioso daqui para frente, principalmente baseado no feedback dos jogadores.

Alguns mini games precisam ser explicados ou até necessitam de um tutorial para facilitar a vida dos jogadores. Você pode ficar um pouco perdido no que deve ser feito ao longo de cada aventura, já que elas possuem características distintas.

Vale a pena?

Essays on Empathy é um jogo único, destinado a uma série de jogadores que enxergam os games como uma verdadeira arte. Se você procura ação, entretenimento e diversão, creio que não seja o mais adequado.

O game é direcionado para aqueles que buscam reflexões do nosso tempo e possuem facilidade com a língua inglesa. Por mais que os mini games apareçam, em muitos momentos você se sentirá em uma aventura Point-and-Click.

Caso você tenha isto em mente, pode ter certeza que a empatia frente ao título será grande, independentemente dos problemas que cada um possui, com relação a desenvolvimento do enredo ou a característica de cada história.

Essays on Empathy foi cedido gentilmente pela Devolver Digital para a realização desta análise.

É um gatilho atrás do outro

Nota Voxel: 78

Pontos positivos:

  • Ideia bem original
  • Histórias mirabolantes
  • Imersão muito boa

Pontos negativos:

  • Desenvolvimento dos temas
  • Falta de um tutorial
Pontos Positivos
  • Ideia bem original
  • Histórias mirabolantes
  • Imersão muito boa
Pontos Negativos
  • Desenvolvimento dos temas
  • Falta de um tutorial