Imagem de Divinity: Original Sin
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Divinity: Original Sin

A prova de que vale a pena investir em projetos do Kickstarter [vídeo]

Financiado com a ajuda do Kickstarter e desenvolvido pelo relativamente desconhecido Larian Studios, Divinity: Original Sin é um RPG que parece ter sido feito no início dos anos 2000. Apesar de adotar gráficos e sistemas atualizados, o título se aproxima muito mais de nomes como Baldur’s Gate e PlaneScape Torment do que de sucessos recentes como Dragon Age: Origins.

No game, você assume o papel de dois "Source Hunters", espécie de caçador de recompensa que perseguem feiticeiros que praticam uma arte conhecida como "Sourcery". Chamado a uma cidade costeira para resolver um misterioso assassinato, logo seu grupo se vê envolto em uma missão que envolve o destino de todo o universo — com direito a uma boa dose de mortos-vivos e orcs pelo caminho.

Um RPG diferente

É possível notar que Divinity: Original Sin é um game diferente a partir do momento em que você inicia sua aventura. Em vez de criar somente um personagem, você deve montar um grupo formado por uma dupla de aventureiros. Além de poder escolher o sexo de cada um, o jogador tem à disposição classes variadas, cujas características podem ser alteradas com certa liberdade — incluindo até mesmo a opção de permitir que um deles (ou ambos) conversem com animais.

A partir desse momento, também fica evidente o fato de o jogo em nenhum momento "segurar o jogador pela mão. Apesar de as classes disponíveis se basearem em conceitos bem estabelecidos no mundo dos RPGs, faltam explicações sobre suas particularidades e não há qualquer espécie de guia que ajude a escolher uma combinação capaz de enfrentar sem problemas os desafios propostos pelo game — portanto, não estranhe se você se ver forçado a recomeçar a história após descobrir que seus guerreiros não se comportam de maneira muito versátil.

Após você definir seu grupo, a aventura começa em ritmo acelerado, e não demora muito até que você se veja lotado de pequenas missões opcionais. Felizmente, o game conta com um tutorial que faz com que o jogador aprenda na prática como se comportar nesse mundo — mesmo que deixe de lado alguns conceitos importantes. Caso você sinta que não precisa de nenhuma espécie de instrução, é possível pular totalmente essa etapa — algo que não recomendamos para quem acabou de entrar no universo criado pela Larian.

Um mundo baseado em sistemas

O aspecto que mais chama a atenção em Divinity: Original Sin é a liberdade de ação que ele oferece aos jogadores. Nenhuma das missões propostas pelo título possui uma ordem correta, o que significa que você pode encontrar todas as provas de um assassinato mesmo antes de saber que é preciso investigá-lo, sem que o roteiro do game "quebre" devido a isso.

Essa liberdade também está presente na maneira como você lida com os cenários e itens presentes em um ambiente. Caso um barril esteja bloqueando seu caminho, por exemplo, é possível explodi-lo ou simplesmente usar o ponteiro do mouse para, no controle de um personagem com uma boa quantidade de força, retirar o objeto que bloqueia seu caminho.

Da mesma forma, é possível adotar uma postura de "gatuno" e roubar praticamente qualquer um dos objetos presentes no cenário. Caso alguém veja seu personagem cometendo esse ato, será preciso lidar com guardas e matá-los para continuar a trama, que sofrerá algumas adaptações para se refletir a decisão que foi tomada anteriormente.

Até mesmo NPCs importantes podem ser assassinados pelo jogador (o que não é exatamente fácil) sem que a trama seja "quebrada" devido a isso. Na prática, a sensação que fica é a de que estamos lidando mais com uma partida de RPG de mesa do que com um jogo eletrônico com mecânicas restritas.

Lutas complexas

Essa liberdade de ação também se reflete no sistema de combates por turno do jogo, baseado em um sistema de pontos conhecido como AP. Cada uma de suas ações consome uma quantidade determinada desse recurso e, quando ele chega ao final, não é mais possível agir. Da mesma forma, você pode guardar uma quantidade limitada de AP para ser usada em um turno posterior — o que possibilita usar duas vezes ataques poderosos por duas vezes seguidas, por exemplo.

Além de simplesmente realizar ataques e movimentações, você pode aproveitar seu turno para interagir com elementos do ambiente (como mover barris para bloquear as flechas de arqueiros inimigos) e até mesmo para mexer em seu inventário e trocar de equipamentos. Pensar de forma fora do convencional rende bons frutos, e é possível até mesmo jogar objetos pesados nos inimigos para causar dano a eles, entre outras opções.

No entanto, o elemento principal dos combates é o uso inteligente dos diferentes elementos que o jogo apresenta. Inimigos molhados, por exemplo, se mostram mais suscetíveis à ação de ataques elétricos e podem ser congelados quando expostos a magias de gelo.

Da mesma forma, poças de óleo podem ser incendiadas de forma a barrar um caminho ou provocar queimaduras em algum adversário. Essas são somente algumas das opções disponibilizadas pelo game, que revela combinações cada vez mais complexas e inventivas conforme você adquire novas opções de interação.

Aventura que exige dedicação

Embora os sistemas complexos de Divinity: Original Sin sejam a principal atração do jogo, eles também se provam seu principal problema. Isso porque, mesmo seguindo todos os tutoriais que o game apresenta, alguns pontos importantes ainda são difíceis de compreender sem certa dose de tentativa e erro.

Dessa forma, não é difícil se ver recorrendo a guias publicados na internet para aprender a realizar tarefas relativamente simples, como combinar objetos de seu inventário para criar novos itens. Da mesma forma, nem sempre ficam evidentes os efeitos das habilidades disponíveis, o que significa que você pode acabar com um herói com características pouco condizentes com seu estilo de jogo.

Felizmente, tal qual acontece na série Dark Souls, a qualidade do game é tão grande que você logo se esquece rápido desses problemas de acessibilidade. Quando você menos nota, já dedicou dezenas de horas ao universo do game e está planejando qual combinação de personagens vai usar quando iniciar a jornada uma segunda vez.

Vale a pena?

Apresentando uma mistura interessante entre elementos do passado e do presente e características típicas a RPGs de mesa, Divinity: Original Sin é um game imperdível para os fãs de RPGs. Embora tenha alguns problemas de acessibilidade, o título surpreende por suas mecânicas complexas e pela liberdade que oferece aos jogadores.

O único alerta que devemos fazer em relação ao jogo é o seguinte: caso você não tenha um bom tempo livre, é melhor ficar longe da aventura. Isso porque, depois de começar, provavelmente você vai se pegar cancelando compromissos pessoais simplesmente para aproveitar um pouco mais do universo criado pela Larian.

Pontos Positivos
  • Sistemas complexos que incentivam a criatividade
  • Elementos de RPGs de mesa são muito bem representados
Pontos Negativos
  • Nem sempre fica claro como usar as opções que o game oferece
  • A história principal possui um ritmo errático