Imagem de Deathloop
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Deathloop

Nota do Voxel
87

Deathloop te faz querer reviver a sua história de novo e de novo

É difícil encontrar um videogame realmente inovador atualmente. Com o elevado custo de produção dos jogos AAA, poucos estão dispostos a correr riscos e apostar em ideias verdadeiramente únicas, mas a Arkane é uma das poucas desenvolvedoras ousadas que ainda temos. De Dishonored a Prey, esse talentoso time é conhecido por sempre trazer mundos imersivos unidos com boas sacadas de gameplay, e Deathloop honra essa nobre tradição.

Embora siga boa parte da cartilha do estúdio, como os ambientes que são quase um personagem à parte, além dos poderes e armas que exploram os cenários e mecânicas de forma criativa, também há uma tonelada de conceitos inéditos que ajudam a consagrar o novo projeto como a sua empreitada mais criativa e ousada até agora. Quer entender o que Deathloop tem de tão especial? Então confira a nossa análise completa.

O feitiço do tempo

No filme O Feitiço do Tempo, Phil, o personagem interpretado por Bill Murray, se vê obrigado a repetir eternamente o mesmo loop de um dia inteiro, o infame Dia da Marmota. Esse clássico da Sessão da Tarde talvez seja um bom ponto de partida para entender a premissa central de Deathloop, que também gira em torno de repetir um mesmo dia inúmeras vezes.

Diferente da clássica comédia, a jornada do nosso protagonista Colt é extremamente violenta e, sem entregar maiores spoilers, a solução para o seu loop temporal gira em torno de conseguir abater todos os oito visionários do game em um período de apenas 24 horas. Naturalmente, isso é mais fácil de falar do que fazer, especialmente pelo fato de o tempo de jogo ser bem mais acelerado do que isso.

Basicamente, Deathloop foi montado ao redor de diferentes fases, sendo que elas mudam de acordo com o horário próprio do game. O seu loop sempre começa na parte da manhã, e aí você tem a oportunidade de embarcar em novas jornadas ao meio-dia, à tardinha e à noite, totalizando apenas quatro investidas. Além de impor um óbvio limite de tempo aos seus planos, os horários também servem para impactar a dinâmica e estética da fase, além da rotina de seus alvos.

Repetição, mas sem ser repetitivo

Talvez seja mais fácil explicar como essas rotinas e loop de gameplay funcionam com analogias de video game, e não mais do cinema. Você lembra do clássico The Legend of Zelda: Majora's Mask do Nintendo 64? Lá, o Link precisava reviver várias vezes os mesmos três dias e, no processo, ia aprendendo mais sobre as rotinas de cada um dos habitantes do reino de Termina. As semelhanças devem ficar claras já na primeira hora de Deathloop:

A informação era a sua principal arma em Majora's Mask, já que você precisava decorar onde cada pessoa estaria e em quais horas poderia pegar determinados itens, de forma que era preciso prestar muita atenção para progredir. A mesma coisa acontece em Deathloop: conforme você joga, vai aprendendo onde estão os seus alvos, como é a sua rotina, comportamento, amizades e até romances.

Você realmente vai precisar saber de tudo isso, já que há mais alvos do que oportunidades temporais para abater a todos: são oito alvos e apenas quatro oportunidades para engajar em combate, então você precisa explorar o mapa, revirar os documentos em seu caminho, hackear computadores, bisbilhotar conversas e muito mais para tentar encontrar dicas de momentos em que dois alvos podem estar juntos no mesmo espaço.

Apesar de não ser exatamente um roguelite, também dá para traçar alguns paralelos com Hades por aqui, ao menos no sentido de que você nunca ficará frustrado demais por voltar ao começo da sua jornada. Nos dois títulos, você é recompensado com novas interações entre os personagens e com o desenvolvimento do lore e história a cada vida perdida, o que evita o sentimento de repetição mesmo quando você está fazendo as mesmas atividades por vezes seguidas.

Samba Juliana, samba

E já que falamos em personagens, é bom apontar que Colt não precisa lidar apenas com os Visionários, mas também com a misteriosa Juliana, uma mulher que aparenta ser muito mais informada, irritada e letal do que ele. Em todas as prévias que tivemos a chance de cobrir do jogo, a produtora sempre pediu para não entregarmos spoilers da narrativa, e por bons motivos: a dinâmica entre os dois é absolutamente cativante.

Várias vezes é possível rir alto com os diálogos e provocações entre a dupla, e Deathloop é facilmente um dos lançamentos mais espirituosos, inteligentes e bem escritos que já experimentamos. Além de servir como uma força antagonista na narrativa, Juliana também faz parte dos componentes multiplayer do game. Confira um pouco de sua participação na narrativa:

Infelizmente, não deu para testar direito isso antes da queda do embargo de publicação da análise, mas funciona mais ou menos assim: enquanto o Colt tenta caçar os visionários, outro jogador pode assumir o controle da Juliana e invadir o seu mapa para tentar acabar com o Colt em um verdadeiro jogo de gato e rato.

Como apenas a imprensa e influenciadores estavam jogando antes do lançamento, na única vez em que uma Juliana tentou atrapalhar, acabamos nem nos encontrando no mapa. Então vamos deixar para cobrir o multiplayer em um vídeo próprio de teste lá na nossa Twitch, não percam!

A complexidade esperada da Arkane

Quem já experimentou os melhores jogos da Arkane sabe bem que o estúdio sempre capricha ao máximo na imersão, com mundos deliciosos de explorar de cabo a rabo. O mundo de Deathloop não deixa nada a desejar quando comparado aos seus maiores sucessos, e há toneladas de texto para ler por aqui.

O ideal é que você gaste muitas horas caindo de cabeça nesse conteúdo, mas a verdade é que também dá para progredir se você “desligar o cérebro” e se limitar a experimentar bastante e seguir os marcadores de objetivos no mapa. Em muitos sentidos, isso torna Deathloop o jogo mais amigável para leigos e para quem só quer saber de ação e de explodir as coisas.

Colt conta com uma penca de poderes diferentes para equipar, e as janelas de customização são extremamente ricas em opções. Além de um farto arsenal de armas de fogo, logo nas primeiras horas de campanha você coletará berloques, poderes passivos que podem ser equipados tanto nas armas (garantindo melhorias como maior estabilidade, dano e taxa de disparo), como no Colt (concedendo pulo duplo, mais energia ou vida extra).

Também dá para equipar placas, poderes que consomem energia em troca de grandes vantagens de movimento, indo desde invisibilidade e teletransporte até unir as mentes de diferentes alvos para que eles sofram do mesmo destino. Por fim, você ainda coleta recursos para poder infundir esses itens e garantir que eles sejam levados com você para o loop seguinte, então há todo um microgerenciamento envolvido nesse jogo.

Tudo isso intimida um pouco e, embora seja possível avançar sem prestar muita atenção, o mais aconselhável é se dedicar de verdade para curtir tudo o que Deathloop tem de melhor: a sua história e perfeita conexão entre o mundo e seus sistemas de gameplay.

Se você optar por jogar esse título como se fosse um FPS qualquer, vai acabar direcionando o seu foco de forma equivocada para os gráficos limitados que mais parecem saídos do começo da geração passada, ou para a física um tanto pobre do game, em que seus tiros mal parecem ter impacto nos inimigos, alguns dos poucos defeitos dignos de nota da obra.

Vale a pena?

Deathloop é um daqueles títulos que ficam tão bons quanto a sua atenção e interesse permitirem. O roteiro afiadíssimo já funciona nas interações mais básicas entre os personagens principais, mas o verdadeiro charme da aventura é ver como todos os mapas, alvos, lore e informações foram entrelaçados com maestria. É um trabalho quase artesanal de narrativa feito com capricho evidente! Se você procura por um game diferente de tudo que tem por aí e ama aventuras imersivas, Deathloop é um loop do qual você não vai querer escapar!

“Deathloop une novas e velhas ideias para criar uma jornada única que transborda inspiração e criatividade”

Pontos Positivos
  • Narrativa maravilhosa
  • Mundo, personagens e lore perfeitamente entrelaçados
  • Possibilidade de resolver uma mesma situação de várias formas
  • Loop de gameplay viciante
Pontos Negativos
  • Letras pequenas nos menus atrapalham a leitura
  • Sistemas muito intrincados podem intimidar novatos
  • Visual bem aquém do esperado na nova geração
  • Armas um tanto sem impacto e com física limitada