Imagem de Tactics Ogre: Let Us Cling Together
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Tactics Ogre: Let Us Cling Together

Quando a falta de expressão acaba com um ótimo jogo

Quem é fã de RPGs japoneses deve saber que vários títulos do gênero nunca foram lançados no Ocidente. Os primeiros Final Fantasy demoraram alguns anos para serem disponibilizados fora do Japão, enquanto vários capítulos da série Dragon Quest ainda continuam inéditos neste canto do mundo.

Img_normalCom Tactics Ogre foi a mesma história. Lançado em 1995, a versão para Super Nintendo permaneceu exclusiva dos gamers nipônicos e, ainda assim, foi considerada um enorme sucesso graças às inovações adicionadas à jogabilidade. Porém, essa restrição fez com que o jogo não fosse tão conhecido nos Estados Unidos (e Brasil, consequentemente), o que apenas piorou com a chegada de Final Fantasy Tactics.

Eis que 16 anos depois, a Square Enix decidiu apresentar o clássico para as novas gerações, desta vez em um game exclusivo para o PSP. Tactics Ogre: Lets Us Cling Together é um remake do clássico título do SNES que, ao mesmo tempo, traz elementos para agradar velhos conhecidos e novos iniciantes no mundo dos RPGs táticos.

O grande destaque está na combinação de clássico e inovador que a desenvolvedora adotou. Com um visual bastante simples e uma jogabilidade revolucionária para o estilo, o jogo possui momentos realmente desafiadores e que vão exigir toda a capacidade estratégica dos usuários para que seja possível avançar na história.

No entanto, a dificuldade não chega a ser uma novidade, já que o alto nível de complicação sempre foi uma marca registrada da série e, de acordo com a própria Square, alguns pontos foram balanceados para que tudo fosse mais acessível.

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Entre as grandes novidades, temos o Chariot System, um recurso pelo qual o jogador retorna até 50 rodadas e pode alterar todo o rumo da luta. Seu funcionamento é bastante semelhante ao “Rewind” de Forza Motorsport e é perfeito para ter a segunda chance que você tanto precisava para evitar a derrota.

Contudo, com exceção de pequenas variações e elementos inéditos na mecânica das partidas, Tactics Ogre: Lets Us Cling Together é o mesmo jogo visto no SNES. Não que isso seja ruim, já que muitos fãs de RPGs táticos não puderam conferir este grande jogo na época de seu lançamento. Por outro lado, ao mesmo tempo em que a Square Enix conseguiu deixar aspectos tradicionais intocados e melhorar vários outros pontos, ela se esqueceu de dar vida à história e de torná-la atraente aos novos públicos.

Img_normalTactics Ogre: Lets Us Cling Together é um jogo ruim? Longe disso, afinal trata-se de um clássico que recebeu várias melhorias no sistema de batalha e que, ao mesmo tempo, conseguiu manter todas as características visuais do original do SNES. Tinha tudo para ser um jogo imperdível para todos os proprietários do PSP, mas conseguiu falhar em algo básico: o game não possui apelo algum.

Se você olhar friamente para o jogo ou com os olhos de um fã da série que revê algo que marcou sua infância, certamente o título é perfeito. Tudo está ali e ainda melhor, como o Chariot System e o equilíbrio entre as classes. Não há como se decepcionar.

Porém, a coisa muda de figura se você não é tão apaixonado pelo RPG. A mecânica repetitiva que alterna somente entre batalhas e diálogos desanima, o que apenas piora com a complicação inicial do enredo e a inexpressividade dos personagens, fazendo com que Lets Us Cling Together fique sem graça e longe de empolgar o público.

É claro que esse caráter insosso é um tanto subjetivo, afinal o grau de imersão varia de pessoa para pessoa. Porém, é inegável que faltou um cuidado na hora de atualizar o game às gerações atuais. Por mais que seja um clássico, é preciso outras novidades para que ele consiga o mesmo impacto de 16 anos atrás – coisa que a Square não conseguiu desta vez.