A saga dos RPGs de ação

5 min de leitura
Imagem de: A saga dos RPGs de ação
Avatar do autor

Um dos gêneros mais representativos dos video games, os RPGs de ação tem o seu lugar no coração de muita gente. Afinal, a classificação engloba títulos de sucesso como os da série Diablo, dona de uma das legiões de fãs mais fiéis do mercado, além de possuir diversas variações (como a em primeira pessoa, encontrada em Fallout).

No entanto, nem todos sabem quando é que os RPGs — originados dos jogos de tabuleiro e inicialmente baseados em turnos — mesclaram elementos de ação em tempo real à sua jogabilidade.

Img_normal

Desse modo, o TecMundo Games elaborou este artigo no qual buscamos a origem deste gênero, descobrindo como as mudanças foram aplicadas aos jogos e como se diversificaram ao longo do tempo.

No início era o turnoDa mesa para os consoles

O clássico Dungeons & Dragons, o RPG de mesa considerado por muitos como o criador do gênero, também conseguiu exercer a sua influência no campo dos jogos eletrônicos. Entre o final da década de 70 e o início da de 80, enquanto fliperamas e consoles caseiros popularizavam títulos de entretenimento imediato (como Pong e Pac-Man), aplicativos inspirados em Dungeons & Dragons eram feitos para os computadores com mais memória — necessária para armazenar as variáveis dos games.

No entanto, alguns elementos típicos do gênero nascido nas mesas começaram a surgir em jogos nos consoles mais ou menos nessa época. É possível citar o título Adventure, lançado para o Atari VCS em 1978 que, embora não apresentasse elementos do RPG, é um dos primeiros registros em que um protagonista se aventura em dungeons em busca de chaves e armas mais poderosas, alguns anos antes do lançamento de The Legend of Zelda.

A popularização e a evolução dos arcades e dos consoles caseiros, contudo, permitiram que Gauntlet fosse lançado alguns anos mais tarde, em 1985. Embora o game ainda não contivesse elementos de ação, ele foi considerado inovador por combinar a exploração de ambientes com o desenvolvimento de classes de personagem.

O nascimento de um gênero

É difícil determinar uma data exata ou um jogo específico em que os RPGs de ação nasceram oficialmente. Como visto anteriormente, vários títulos começaram a buscar inovações para se diferenciar da concorrência, fazendo com que lentamente o gênero fosse formado.

Desse modo, é no início dos anos 90 que os primeiros modelos mais próximos daquilo que viriam a ser os RPGs de ação começam a surgir. É possível citar o jogo Ultima VII, lançado em 1992 para o sistema DOS, como um dos primeiros a introduzir combates em tempo real.

Já o game Ultima Underworld, lançado no mesmo ano e situado no mesmo universo do game anterior, é o primeiro também a introduzir gráficos tridimensionais (antes mesmo de Wolfenstein 3D). Contudo é The Elder Scrolls: Arena que, em 1994, constrói uma parte entre a jogabilidade inaugurada em Ultima Underworld e o conceito de exploração de mundos fantasiosos.

Evoluindo em tempo real A era dos primeiros sucessos

A partir da segunda metade da década de 1990, o gênero dos RPGs de ação já está bastante consolidado no mercado, apresentando uma grande variedade de títulos. É em 1996, contudo, que o lançamento de dois jogos marcam uma verdadeira revolução.

No dia 31 de agosto de 1996, a Bethesda lançou the The Elder Scrols II: Daggerfall, o RPG de ação contendo o maior mundo físico até então. Além disso, o título marcou o final da divisão do combate por turnos, separando de vez o seu gênero dos RPGs comuns.

Já no dia 30 de novembro do mesmo ano foi a vez do lançamento de Diablo, possivelmente o game mais influente dentro do estilo. Afinal, a criação da Blizzard consolidou a jogabilidade Point-and-Click, além de ser até hoje referência em enredo e tratamento (a trilha sonora do game, composta por Matt Uelman, é uma das mais lembradas entre os gamers).

Os anos 00

Após alguns anos cheios de lançamentos tentando clonar o sucesso do megahit da Blizzard, a companhia lança a sequência Diablo II no ano 2000, que poderia ter aumentado ainda mais a fama do primeiro jogo da série caso não fosse igualmente bem-sucedida.

No mesmo ano, a Eidos publica Deus EX, um dos grandes jogos de sua era, é lembrado até hoje pelas suas múltiplas possibilidades narrativas, possibilitadas pelo grande número de escolhas permitidas ao jogador.

No entanto, a década também marca a entrada de elementos típicos dos RPGs em diversos gêneros, fazendo a distinção ficar cada vez mais complicada. Invisible Wars, a sequência de Deus EX, por exemplo, traz uma narrativa muito mais linear do que a de seu predecessor, além de exigir menos do desenvolvimento do personagem do que da habilidade dos jogadores. Algo que o faz ser classificado por muitos como um simples FPS, independentemente do histórico da série.

Ainda assim, grandes pérolas também se originaram nesse período, como Fable, de Peter Molyneux, cuja mecânica maquineísta e o desenvolvimento visível do protagonista foram os responsáveis pela recepção calorosa do jogo pelo público e pela crítica.

A sétima geração e o futuro do termo

Durante a atual geração de consoles, os RPGs de ação foram revitalizados com o retorno, em 2008, da série Fallout. Juntamente com títulos como Borderlands, a franquia da Bethesda apresenta o gênero sob a perspectiva da primeira pessoa, sem ignorar a importância do desenvolvimento dos personagens.

Este último aspecto também é levado extremamente a sério por Mass Effect 2, um dos grandes títulos do gênero, lançado no início de 2010. A presença desta característica neste e em outros jogos, contudo, é tão intensa que leva alguns especialistas a acreditar que as barreiras entre os jogos de ação e os RPGs passarão a inexistir em breve.

Img_normal

O designer de conteúdo Kevin Martens, de Diablo III, cita BioShock e Grand Theft Auto: San Andreas como exemplos da tendência. Apesar de focarem em seus determinados gêneros e jogabilidades, a existência da evolução dos protagonistas torna a experiência de jogo de cada usuário diferente e, portanto, única. Um grande atrativo para os jogos.

Se isso é verdade ou não, ainda é cedo para definir. Mas o que com toda a certeza é inegável é o legado dos RPGs de ação para o desenvolvimento da história dos video games.