Jogos independentes concorrem com os grandes?

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O circuito alternativo vem, a cada ano, ganhando destaque em filmes, músicas e, obviamente, nos jogos. Estes, no caso, estão bem representados por produções independentes que vêm fortalecendo uma indústria paralela de games há algum tempo.

Estes jogos são feitos, na grande maioria, por fãs que não esperam nada mais do que oferecer novas possibilidades (claro que um dinheiro extra também é sempre bem-vindo), baseando a construção dos games em experiências e gostos próprios.

Sem o apoio das empresas de entretenimento, os títulos independentes ainda possuem como principal forma de divulgação o “boca a boca”. Muitos também apresentam gráficos simples — alguns até remetem ao Atari.

Com todos esses requisitos, é possível imaginar que, pela regra de mercado, os jogos indies quase não passariam de uma roda de amigos, especialmente pela gigante desvantagem gráfica e financeira quando comparados aos jogos da categoria AAA — as superproduções, aquelas quase hollywoodianas.

A revolução dos jogos independentes

Mas é ai que entram títulos como Minecraft e muda toda a história. Se você não o jogou pelo menos uma vez, é bem provável que tenha ouvido algo sobre. E também não é para menos: o título atingiu recentemente a marca de quase seis milhões de vendas — dado que faz com que ele bata de frente com muito “game pomposo” que existe por ai.

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Claro que nem todos os jogos indies são um sucesso de vendas no exato momento em que são lançados ou mesmo consigam atingir uma grande fama algum dia. É nesse ponto que, se for para bater de frente com os games superproduzidos, o circuito alternativo sairia perdendo. Pelo menos, em curto prazo.

Indie versus AAA

Exemplificando melhor, jogos da categoria AAA possuem uma grande visibilidade e conquistam rapidamente o mercado assim que são lançados, especialmente por toda campanha de marketing realizada para isso (que ainda pode ser somada às expectativas de público e imprensa, contribuindo ainda mais para a disseminação das informações).

Já os jogos mais independentes precisam construir a fama em longo prazo: se eles forem lançados no mesmo período de um blockbuster, por exemplo, é bem provável que eles fiquem “apagados”, ainda mais pelo pouco investimento em divulgação.

No entanto, com o passar do tempo, mais e mais jogadores vão descobrindo os games indies, passando a informação para outros e, assim, os títulos independentes vão se mantendo — mesmo não alcançando a mesma fama repentina e grandiosa que os jogos da categoria AAA.

E compensa?

Dando mais referências, além de Minecraft, existem outros games que poderiam ser mencionados pelo destaque que estão recebendo na indústria paralela. São eles: Terraria, Trine, Braid, Limbo, Sanctum, Journey, Ace of Spades e World of Goo. Todos bem encaixados na categoria independente, com gráficos e divulgação mais simples — e, ainda assim, com muitos jogadores interessados.

Com base nisso, é possível ver que, ao compararmos o investimento feito na produção independente e o retorno obtido, os jogos independentes são compensatórios.

No entanto, eles ainda não significam uma ameaça ao universo dos games AAA. Colocando em dados: se Minecraft atingiu quase 6 milhões, a série Call of Duty conseguiu mais de 55 milhões de cópias vendidas mundialmente, com um faturamento que atinge a casa dos bilhões.

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A lição que podemos tirar disso? Que ainda existem muitos números entre a indústria independente e a “mainstream” — especialmente pelas regras de mercado apontarem que, quanto mais qualidade e divulgação, mais lucro. E, querendo ou não, o mercado dos jogos indies só está começando.

Um futuro brilhante

Mesmo não estando no patamar de vendas atingidas pelos blockbusters, os jogos independentes — pelo caminho que estão seguindo até então — prometem crescimento e resultados cada vez mais surpreendentes. Isso porque, a cada dia, novos desenvolvedores aprimoram a criação dos games, além de muitos jogadores gostarem de apoiar as novas iniciativas.

A “carta na manga” dos jogos indies também está na liberdade e nas novas experiências que são oferecidas.  Trata-se de um “mundo sem fronteiras” que vem colidindo de frente com o que muitos chamam de pouca inovação no universo dos grandes jogos — estes precisam atingir uma grande massa e satisfazer “gregos e troianos”, enquanto os jogos independentes não possuem tal obrigação.

Assim, a criatividade e a possibilidade de se criar perspectivas sem rumos pré-definidos fazem dos jogos indies uma boa opção para qualquer jogador.