7 jogos que sobreviveram ao teste do tempo

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Alguns jogos causam um verdadeiro estardalhaço quando são anunciados, gerando o tradicional hype para, por fim, preencher o cofre de alguma publicadora poderosa. Mas será esse barulho inicial o suficiente para que um game se mantenha na memória dos jogadores por anos a fio? Ou haverá outros motivos por trás de uma experiência que simplesmente parece não envelhecer?


Esqueça-se por um momento das atuais campanhas publicitárias de milhões de dólares — projetadas para dar a controversa impressão de que a indústria segue em evolução constante há mais de 30 anos. Agora tente trazer à memória algumas experiências que marcaram a sua trajetória no entretenimento eletrônico.

Talvez algumas delas sejam rememoradas unicamente por aquele saudosismo agradável e inevitável. Entretanto, ao revirar o baú de jogos antigos (e alguns nem tanto assim), é fácil encontrar alguns exemplares que poderiam ainda garantir a mesma dose de diversão de quando foram originalmente lançados — mesmo diante de uma indústria moderna alimentada por bilhões de dólares anualmente.


E então, lembrou-se de algum? Talvez alguns conceitos forjados pelo lendário Miyamoto ou, quem sabe, um ou dois “adventures” que ocuparam alguns dos anos mais ativos do desenvolvimento de jogos para computadores. Bem, talvez a lista elaborada pelo BJ ajude a perceber que as coisas não necessariamente melhoram... Elas simplesmente mudam. E, além disso, parece que alguns marcos jamais chegam a ser completamente ultrapassados, não?

7 games que ainda seriam páreo duro nas prateleirasOriginalidade, reinvenção, humor requintado... Alguns jogos simplesmente não envelhecem

O momento não poderia ser mais propício para trazer à memória aquele que, para muita gente, é ainda o melhor jogo da série The Legend of Zelda. Afinal, a Nintendo parece ter se rendido ao requinte da sua própria obra, anunciando então um sucessor legítimo para as desventuras temporais de Link — que também poderia ser um coelhinho mimoso.

Embora a maior parte da pompa e do reconhecimento normalmente fique apenas para Ocarina of Time, fato é que o único título da franquia lançado para o Super NES se mantém perfeitamente atual até hoje.

Além de uma direção artística igualmente impecável e original — que acabou copiada por uma infinidade de jogos posteriores —, há ainda grande parte das mecânicas que ditou os rumos da prolífica mistura entre RPG e jogo de aventura, lá pelo início da década de 90. Bem, o que dizer? Mesmo os sucessores diretos de Link to the Past acabaram mostrando alguma dificuldade para melhorar o que havia sido mostrado pelo pioneiro dos 16-bits.

De forma geral, Castlevania sempre foi uma série capaz de angariar um número bastante respeitável de devotos. Entretanto, quando se trata de “envelhecer bem”, dificilmente algum outro game da série poderia fazer frente ao excelente Symphony of the Night.

E isso a contragosto das previsões à época do lançamento, vale dizer. Afinal, o game foi lançado para o ainda estreante PlayStation 1, cuja bandeira envolvia arremessar polígonos virtuais na cara de uma audiência abismada.

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Symphony of the Night não apenas provou que a ação em plataformas tinha ainda muito gás pra dar — como provam mesmo alguns lançamentos recentes —, como ainda atestou que o PlayStation poderia, é claro, ganhar um bom jogo movido a sprites (uma tecnologia entendida como “datada” e associada às gerações anteriores). Isso para não falar na trama incrivelmente elaborada, a qual incluía ainda um dos desfechos mais originais de que se tem conhecimento.

  • Yoshi’s Island: Super Mario World 2 (1995)

Uma releitura Yoshi’ Island foi recentemente anunciada para o 3DS. Quase simultaneamente, vieram as primeiras críticas, boa parte delas dirigida à reformulação gráfica produzida pela Nintendo. Um remake feio? Não exatamente.

Entretanto, basta revisitar o título original para entender o porquê da comoção: o game lançado para o Super NES em 1995 é simplesmente imbatível em termos de direção artística.

Em vez de polígonos virtuais ou tentativas de abraçar alguma tecnologia inovadora, a Big N simplesmente recorreu a alguns dos mais belos cenários da história da franquia, todos eles desenhados à mão, dando a impressão de que a ação se dava no interior de uma obra de arte (é provável que seja exatamente isso, na verdade). Dessa forma, quando os novos gráficos “modernizados” tentaram atualizar o conceito, não faltaram narizes torcidos.

  • Myst (1993)

Myst é um dos melhores exemplos de como a criatividade não apenas é capaz de contornar uma limitação técnica como ainda pode ser perfeitamente capaz de produzir algo incrível justamente por conta disso. No início dos anos 90, a capacidade gráfica dos computadores ainda não era capaz de proporcionar doses colossais de ação frenética.

Dessa forma, alguns pioneiros (sobretudo aqueles relacionados à finada LucasArts) passaram a conceber cenários belos, embora estáticos. O resultado, entretanto, é uma atmosfera incrivelmente original, singular — algo que apenas um bom point-and-click é capaz de proporcionar.

No caso específico de Myst, há ainda todo um mundo coeso e de linhas bem traçadas, remetendo às origens de uma civilização ancestral — capaz de produzir mundos inteiros ao escrever seus livros. Inegavelmente, algo que não apenas se mantém divertido e original, como também singularmente desafiador.

Super Metroid (1994)

Super Metroid é o tipo de jogo que é facilmente incluído em vários “top qualquer-coisa”. Afinal, ao alavancar o modelo razoavelmente datado dos seus antecessores, o game de 1994 foi responsável por tornar toda uma franquia atemporal — mesmo que alguns altos e baixos tenham aparecido aqui e ali.

Trata-se aqui de um verdadeiro suprassumo da ação em plataforma — para o choque de quem acreditava que o gênero não ia além de cascos de tartaruga e loops em alta velocidade.

Mesmo lançando mão de algumas mecânicas canônicas do estilo, Super Metroid apareceu com uma atmosfera única — uma mescla de isolamento e o terror de se encontrar em um planeta hostil —, um senso de progressão que beirava a perfeição e, por fim, alguns dos melhores chefes da história dos jogos eletrônicos. Tudo isso aliado à surpresa grata do final, em que a bela Samus Aran é apresentada (em vez de mais algum “Rambo” espacial genérico).

Street Fighter II (1991)

Embora pouca gente se lembre da primeira geração de Street Fighter (“Como assim, existia algo antes?”), SF II permanece até hoje como um dos títulos de luta mais influentes da história — com golpes copiados à exaustão por uma infinidade de títulos menos proeminentes.

Desde a seleção de personagens até a concepção de uma história central (um tanto fraca, é verdade), o colosso da Capcom se mantém até hoje como um verdadeiro cânone da indústria. E sim, ainda é incrivelmente divertido revisitar uma época em que as lutas não eram decididas por sequências gigantescas de combos “scriptados”.

Grim Fandango

Eis aqui outro bom exemplo de que nem sempre é possível manter a trajetória ascendente de algum produto cultural. Afinal, alguém imaginaria alguma história melhor ou mais bem-humorada do que aquela protagonizada pelo icônico Manny Calavera?

Grim Fandango foi original em sua época e se mantém até hoje como uma prova incontestável da genialidade de Tim Schafer — que, é claro, coleciona também várias outras pedradas responsáveis por garantir o lugar de honra que é hoje ocupado pelo gênero “adventure”.

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