A arte controversa do speedrun

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Enquanto a maior parte de nós encara em um jogo uma oportunidade de acompanhar uma boa história e de se divertir um pouco ao final de um dia penoso, há um pessoal que tradicionalmente vê ali uma providencial corrida de obstáculos improvisada. Sem necessariamente se ocupar em “platinar” o jogo, esses verdadeiros velocistas do mundo virtual veem o “Start” do início quase como um disparo de largada.

É verdade que o resultado parece ser mais o de transformar a jogatina em puro esporte — para desgosto daqueles jogadores interessados em se aprofundar em uma boa história espacial ou de conversar com todos os aldeões e animais antropomórficos em uma vila medieval qualquer. Entretanto, essa prática não apenas é popular atualmente; ela também é bastante antiga.

De fato, há hoje subcategorias, critérios diferentes de competição, comunidades focadas em manter cuidadosos rankings com os feitos de alguns dos mais inspirados speedrunners mundo afora — e algumas dessas realizações muitas vezes passam anos sem que alguém apareça para desbancá-las, isso quando não são pioneiras absolutas, como ocorreu recentemente em Doom 2.

Preparação é fundamental

Seria bastante ingênuo acreditar que determinado recorde de velocidade batido em algum jogo foi conquistado sem que antes o seu autor se debruçasse e estudasse o seu ambiente. Trata-se do planejamento estratégico, uma otimização que deve conduzir, ao final, a um minucioso fases ou estruturas de mundo — e, consequentemente, também à melhor estratégia possível para atravessar tudo em uma correria insana.

Há pelo menos duas fases principais de preparação para um speedrun:

  • Estudo e planejamento da rota: trata-se de atravessar inúmeras vezes a mesma fase, levando em consideração todos os desafios presentes — desviando quando possível e estabelecendo a melhor tática possível quando o embate é inevitável. A rota “perfeita”, entretanto, pode variar de jogo para jogo e de desafio a desafio (confira as categorias de speedrun mais adiante). Naturalmente, jogos que possuem maior liberdade de ação permitem estratégias mais personalizadas.
  • Obtenha o caminho mais curto (não vale sempre): a menos que as regras expressem o contrário, um speedrun típico normalmente busca os caminhos mais curtos de execução. Trata-se muitas vezes de evitar sequências inteiras de jogo ou de deliberadamente se aproveitar de alguma falha para tomar atalhos.
  • Abuse dos glitches: salvo exceções, se aproveitar dos deslizes dos programadores do jogo não apenas é aceitável como também é encorajado em speedruns. Embora a coisa toda pareça “ilegal”, entretanto, não pode haver nenhum tipo de “mutreta” facilitadora — trata-se apenas de explorar as brechas que já existem no jogo.

O uso de ferramentas extras

O chamado “speedrun assistido” existe como uma espécie de modalidade extra dentro desse esporte virtual. Trata-se de utilizar algumas ferramentas selecionadas que, embora não alterem o funcionamento do jogo, facilitam bastante as coisas na hora de obter a melhor travessia possível.

Entre as possibilidades mais comuns, há, por exemplo, os emuladores de jogos. Enquanto um speedrunner convencional rodaria em alguma fase e provavelmente perderia seu objetivo (ou pelo um tempo precioso), um jogador munido de um emulador pode salvar diversos “states”, o que lhe permite “voltar no tempo” sempre que necessário.

Há também programas que leem a memória do jogo, obtendo informações privilegiadas — como o padrão de ataques de um chefão, por exemplo. Um dos casos mais famosos de speedrun assistido foi visto em 2003, quando um sujeito identificado como “Morimoto” postou uma travessia quase sobrenatural de Super Mario Bros. 3.

Subcategorias do speedrun

Embora quem olha de fora normalmente veja apenas um jogo ou uma fase sendo atravessado de ponta a ponta o mais rápido possível, é fato que há categorias diferentes nessa modalidade de jogo:

  • Any%: trata-se simplesmente de completar o jogo o mais rápido possível
  • 100%: é preciso completar o jogo o mais rápido possível, embora necessariamente obtendo 100% de aproveitamento — incluindo chefes, itens, chaves, áreas secretas etc. Os critérios podem variar de jogo a jogo.

  • Low%: na modalidade, a ideia é diametralmente oposta à do 100%. Aqui é preciso completar o jogo o mais rápido possível sem obter quaisquer itens ou upgrades além do estritamente necessário — o que vai depender do jogo e também dos critérios de cada comunidade de speedrunners.

Alguns recordes da correria virtual

Confira alguns exemplos célebres de speedruns registrados internet afora.

The Elder Scrolls V: Skyrim (any%)

Dark Souls (any%) 

Dishonored 

Duke Nukem 3D 

Fallout 3

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