Coluna: por que a Capcom ganhou a E3 ao anunciar Resident Evil 2 Remake?

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Esta coluna é uma peça de opinião e não necessariamente reflete a opinião do Voxel sobre o assunto.

Quando Resident Evil 2 apareceu na conferência da Sony, acho que é seguro dizer que não fui só eu quem se empolgou além da conta. Sim, o fator nostalgia pesa como uma carreta nesse momento e sim, o amor pela franquia também ajudou bastante a aquecer os motores do hype. Mas teve um terceiro fator que, quando analisado friamente, nos mostra que a Capcom realmente ganhou nossa retirada de chapéu durante a E3: a surpresa.

No geral, a E3 2018 foi bem morna, sem grandes anúncios que nos pegaram de surpresa e deram aquela bica no pé de apoio que nos fez cair no chão sem saber como reagir. Sekiro: Shadows Die Twice nos surpreendeu como algo novo, Battletoads vai voltar e até mesmo Cyberpunk 2077 deu as caras, mas poucos títulos nos deram aquela sensação única de ficar na expectativa em saber o que está por vir.

Claro, estamos falando de um Remake e há pouco espaço para inovação, mas de alguma forma fora da curva, a Capcom conseguiu inovar (junto com Devil May Cry 5, diga-se de passagem). A produtora foi além: desviou dos rumores, driblou as expectativas e goleou no ângulo com uma apresentação de arrepiar.

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Um cuidado especial em mesclar legado com modernidade

Talvez seja um sacrilégio para muitos dizer isso, mas a Capcom inventou e pensou fora da caixa: as câmeras fixas foram deixadas de lado e merecem estar de fora. O valor de um remake varia de pessoa para pessoa, mas é seguro dizer que um conceito popular e bem aceito é que ele deve ser um “retrabalho” que se adeque à geração em que está: uma forma de trazer a mesma experiência, mas com outra abordagem, que ao mesmo tempo traduz a versão original e se pareça novo para novas audiências.

No fim, a retirada das câmeras fixas era o que precisávamos para respirar novos ares no remake de Resident Evil 2

É, meus amigos. Não é um trabalho fácil. É por isso que remakes são mais raros que remasters. Resident Evil 2 Remake demorou quase três anos desde o seu anúncio (talvez ainda mais tempo desde a produção) para aparecer e nos agradar, mas a Capcom caprichou em uma de suas obras mais queridas.

Resident Evil 2 Remake poderia ter sido assim, mas foi algo além:

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As câmeras fixas seriam ousadas? Seriam. E pode ter certeza que ficaram muito boas, se esse fosse o caso, e agradaria muitos fãs das antigas. Mas elas seriam óbvias demais. Fáceis demais. Seria muito cara de “remaster bem-feito com novidades”. O jogo já existe com câmeras fixas. Um novo game que mude isso, que se afaste suficiente da obra original, que pareça algo novo, é o que precisávamos.

Mais que remake: uma reimaginação de terror

Ué, inovação? Mas a câmera em terceira pessoa já não existe desde a época de andar pra frente? Sim, e isso é um ótimo ponto. A própria franquia Resident Evil já usou (e abusou, convenhamos) muito essa abordagem e não há nada de revolucionário aqui. Sim, também é verdade. A inovação fica em outro aspecto: a forma como a perspectiva foi utilizada.

A perspectiva em primeira pessoa também existe desde o tempo da onça e nem por isso Portal deixou de ser revolucionário em sua época, Fallout 3 ficou menos incrível como um RPG ou Gone Home contou uma história menos tocante. Veja bem: o destaque não é a ferramenta, mas sim o que se faz com essa ferramenta.

AResident Evil 2 Remake

Resident Evil 2 Remake é um jogo de terror genuíno. E quanto tempo faz desde que vimos um excelente game de terror em terceira pessoa? E um com perspectiva de câmera “sobre o ombro”? Dead Space de 2008, talvez? Resident Evil Revelations foi mais perturbador, mas não foi algo de outro mundo no gênero terror. The Last of Us, que aprendeu muito com Resident Evil, é mais sobre as pessoas do que os monstros. O próprio Days Gone, mostrado pela Sony e que também traz zumbis, carece desse sentimento de coisa nova. Como o nosso querido redator Bruno Micali relatou em sua jogatina, “falta sal e tempero” no game.

Por mais incrível que pareça, a indústria estava carente de um game assim. A aposta em primeira pessoa dominou o mercado, com muitos games indies e até Resident Evil 7 adotando o modelo. A Capcom já deixou bem claro: Resident Evil 2 é uma reimaginação. Usar a escuridão e a claustrofobia para nos tirar da zona de conforto no ambiente familiar de sempre é algo sensacional. O retrabalho da delegacia também será uma ótima maneira de nos surpreender e o game promete muito.

Qual foi o último jogo de terror de peso a chegar no mercado dessa maneira? Resident Evil 2 não reinventa a roda, mas surpreende e supre uma carência grande

Essa forma de reapresentar, reimaginar, retrabalhar e refazer é o que a Capcom acertou em cheio. Claro, o jogo está longe de ser lançado e algumas coisas podem nos desapontar. Mas honestamente: com o nível de qualidade do que já vimos, isso será um caso raro. Resident Evil 2 foi o brilho da E3 2018.

AA câmera sobre o ombro não é nova, mas o jeito de utilizá-la é

Por que Resident Evil 2 se destacou na E3 2018 no fim das contas?

Como mencionei no começo do texto, Resident Evil 2 Remake foi o jogo que nos pegou de calças curtas. Houve outros, claro (o próprio Devil May Cry 5 da Capcom teve muito disso, apesar de ter sofrido na mão dos rumores), mas talvez nenhum com essa escala. Nós sabíamos o que viria de The Last of Us, Ghost of Tsushima, Spider-Man, Gears of War, Forza Horizon, Anthem e muitos outros. Eram recepções previsíveis em algum tipo de escala.

Mas a E3 é o natal dos gamers, é a hora de ser surpreendido, é a hora de ser empolgado, de ter um vislumbre do futuro. A hora de abrir o pacote de presente e gritar de emoção! Alguns títulos entregaram isso, mesmo que com algum preço em certas cituações. Cyberpunk foi um deles: empolgou, mas sem data e gameplay; Battletoads vai voltar, mas sem um único trecho de jogo; The Elder Scrolls VI está longe de aparecer; sequer sabemos como Death Stranding será até agora, mesmo com gameplay.

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Resident Evil 2 Remake nos surpreendeu. Muito se falava, pouco se sabia. Foi a dose de surpresa que o finzinho da E3 necessitava. Em um evento em que até os grandes nomes foram pulados, como Final Fantasy VII Remake, Avengers Project, Metroid Prime 4, Star Wars da Rewspawn e muitos outros, qualquer dose de frescor viria a calhar. Não tivemos grandes anúncios surpreendentes como Shenmue 3 em 2015, retorno de God of War em 2016 e o anúncio de Kingdom Hearts 3 em 2013. De uma forma ou de outra, Resident Evil 2 Remake acabou assumindo esse papel.

E ouso dizer: assumiu tão bem, mas tão bem, que até mesmo alguns games aguardados como The Last of Us Part II não tiveram o peso que poderiam ter. Esse é o ponto que quero provar: já sabíamos o que esperar de The Last of Us Part II (alguém duvidava que seria uma evolução do que vimos no primeiro game?). Não sabíamos o que esperar de Resident Evil 2 ou alguns outros games fora da caixa, fora das expectativas e, principalmente, fora dos vazamentos.

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A E3 2018 foi morna no geral e teve pouco espaço para surpresas grandes: Resident Evil 2 abraçou a oportunidade e ganhou seu lugar ao sol

É a dose de frescor que não só nós precisávamos, mas que a E3 implorava. No calor do momento, a E3 2018 foi ótima. Com outros olhares, mais pareceu uma ressaca de uma ótima safra e a preparação de terreno de anos dourados pela frente do que um bom ano. Mas esse tempo em transição não nos faz bem em novidades. Por sorte, tivemos Resident Evil 2 Remake para nos surpreender. E que venho o hype!

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