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De lutadores coadjuvantes a astros do futebol. Como andam os brasileiros nos jogos eletrônicos?

schedule28/11/2008, às 11:22

O contador está quase chegando ao número 99. Com apenas um resto de energia, uma bestial criatura verde se lança sobre o seu adversário para uma última tentativa, agarrando o outro lutador e lançando uma série de mordidas que fazem com que a sua energia se esgote quase completamente. O guerreiro então se levanta e, ao tentar esboçar uma reação, acaba pulando e aterrissando sobre os milhares de volts de uma verdadeira usina de energia ambulante. Após isso, a orgulhosa criatura comemora virando piruetas e urrando ostensivamente.

Cadê minha bananaaa!Além de trazer à memória um dos maiores lutadores de um dos melhores jogos de luta já lançados até hoje, a cena acima também poderia reavivar a boa dose de controvérsias que acompanhou o lançamento de Street Fighter II: como o mundo lá fora realmente enxerga os brasileiros? Bem, estereótipos duvidosos à parte, aquela criatura tem o enorme mérito de ter sido o primeiro personagem tupiniquim a aparecer em um jogo de videogame.

Mas outros o seguiram, e hoje se tem já uma boa lista de personagens, locais e menções ao Brasil em vários estilos de jogos eletrônicos. É claro, talvez apenas um brasileiro apareça em cada centena ou milhar de personagens estadunidenses ou japoneses, mas o registro está lá. Bem ou mal, nós temos participado desde longa data de um meio de entretenimento que hoje até mesmo carrega uma inegável expressão cultural.

Assim sendo, o TecMundo Games resolveu revirar um pouco o já empoeirado baú do entretenimento eletrônico a fim de encontrar as marcas em verde amarelo. E elas existem. Às vezes mal retratadas, outras vezes misturando português com espanhol, mas existem. Vamos a alguns exemplos.


Personagens
Os brasileiros lá fora
 
  • Blanka (Street Fighter)
O Brasil certamente é mais do que sucuris, turistas japoneses e uma imensa porção da selva amazônica. Não obstante, a primeira aparição de um brasileiro em um jogo de videogame trazia exatamente essa visão: a de um aborígene bestial embrenhado na parte mais selvagem do Amazonas.

O pequeno Jimmy acabou sendo separado da sua família após um acidente de avião, sendo obrigado a sobreviver por sua própria conta no coração da selva amazônica — o que acabou por transformá-lo em um verdadeiro animal selvagem. Quem fechasse Street Fighter II com Blanka poderia ver então o personagem reencontrando a sua mãe, que o acaba reconhecendo graças às suas tornozeleiras.

Apesar disso, Blanka se tornou um dos personagens mais carismáticos da série Street Fighter, tendo participado em vários títulos da franquia. Seja pelo visual ultrajante ou pelos ótimos ataques (convenhamos, aquele ataque elétrico é realmente apelativo), fato é que o personagem se tornou um dos favoritos ao longo dos anos, com certeza indo muito além da pejorativa visão inicial.
 
Cadê os turistas?
  • Sean (Street Fighter)
A série Street Fighter também conheceria outro brasileiro, o jogador de basquete, capoeirista (e cover de Ryu/Ken) Sean Matsuda. Sean nasceu em São Paulo, onde aprendeu a lutar karatê com o seu avô japonês, aperfeiçoando-se posteriormente com o seu ídolo, Ken Masters. Embora os planos da Capcom para um lutador/jogador de basquete fossem bem antigos, Sean acabou aparecendo apenas em Street Fighter III. Posteriormente, o personagem daria as caras também em Marvel vs. Capcom.
Algum problema?
  • Eddy Gordo (Tekken)
Herdeiro de um riquíssimo empresário brasileiro, Eddy Gordo sabia que acabaria herdando os negócios do pai. Entretanto, o pai de Eddy acabou sendo morto após uma empreitada contra um cartel de drogas, o que acabou resultando em uma espécie de prisão facultativa do personagem — Eddy forjou a própria prisão para se proteger.

Enquanto estava na cadeia, o personagem teve o seu primeiro contato com a capoeira, arte marcial na qual ser tornaria um especialista. Tendo feito a sua estréia em Tekken III, o “Faísca” acabaria também participando direta ou indiretamente de outros títulos da série. Eddy Gordo foi citado até mesmo pelo comediante estadunidense Dane Cook em um dos álbuns.
Famoso por seu movimento "abrasileirado".
  • Brasileiros em GTA IV
Embora o protagonista de GTA IV esteja longe de ser um brasileiro (sendo, na verdade, um croata), Niko Bellic acaba cruzando com vários brasileiros entre uma missão escusa e outra. E, bem, digamos que os brasileiros retratados no jogo não são exatamente um orgulho para a terra do samba.

 
Isso porque quando aparecem, normalmente eles estão xingando o protagonista por algum motivo, ou simplesmente dizendo alguma bobagem. Enfim, embora tenha a sua graça, trata-se de mais um pouco da visão que se tem de brasileiros lá fora.




Cenários
O Brasil como pano de fundo


Não é só com personagens estereotipados e caricatos que o Brasil marca presença nos jogos. Vários títulos antigos e mesmo disponíveis hoje no mercado trazem algumas belas localidades brasileiras. E, é claro, não poderiam faltar os estádios de futebol, como o Estádio Olímpico, retratado pela primeira vez em Pro Evolution Soccer 2008.


O jogo de combate aéreo H.A.W.X do renomado Tom Clancy também traria algumas belas imagens brasileiras. Um dos mapas do jogo promete colocar os aviadores em uma batalha acirrada sobre a capital do Rio de Janeiro, sendo que vários pontos turísticos podem ser apreciados, como o Cristo Redentor e o Maracanã.
Olha lá o Maracanã e o Maracanazinho!
É claro que a visão estereotipada ainda predomina na maior parte das aparições de brasileiros. Certamente um efeito gerado pela falta de um mercado nacional de jogos realmente expressivo. Um mercado que permitisse veicular a imagem real do Brasil e dos brasileiros, mostrando pelo menos uma parte de toda a nossa diversidade cultural. Até lá, o Brasil deve mesmo continuar sendo retratado de forma parcial.

Conhece alguma outra localidade tupiniquim retratada em um jogo? Algum personagem brasileiro marcou aquele seu jogo favorito? Acrescente, dê a sua opinião. O TecMundo Games quer saber o que você pensa.

Fica também a questão: será que nós poderemos um dia ir além de coadjuvantes em jogos de luta e estrelas de futebol? Quem sabe o protagonista de um Resident Evil futuro pudesse escutar MPB entre uma missão e outra? Ou talve, quem sabe, algumas bandas nacionais famosas pudessem dar as caras em Guitar Hero ou Rock Band? É esperar para ver.
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