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Como começa a criação de um jogo?

schedule28/12/2009, às 16:14

Na hora de analisar um jogo, a maioria esmagadora dos usuários atenta para quesitos técnicos: jogabilidade, gráficos, áudio, apresentação. Até mesmo os quesitos objetivos de nossas avaliações aqui no TecMundo Games focam bastante nestes pontos, já que são os de mais fácil e rápida percepção, além de serem razoavelmente objetivos e diretos.

No entanto, existe um outro aspecto dos games que geralmente passa despercebido mas é um dos principais responsáveis pelo sucesso ou fracasso de um título: seu conceito. Você não ouve ninguém dizer “nossa, o level design deste jogo é uma porcaria” ou “este personagem é muito superficial e poderia ter sido mais bem elaborado”, com a exceção de críticos da indústria.

Isto é o que iremos explorar brevemente hoje, os estágios inicais do desenvolvimento de um jogo eletrônico, através da seleção de ideias e da elaboração de um conceito coeso que sirva de base para todo o resto, e que resulta no “esqueleto” do game, que dá sustentação ao projeto como um todo.
O início do vídeo trata de assunto similar ao tema deste artigo

Este tema cai dentro do espectro de atuação de um “game designer”. Este profissional é o responsável por elaborar as diretrizes do projeto e delimitar suas linhas gerais. Não trabalha necessariamente sozinho, o tamanho da equipe variando de acordo com o do game em questão, e a troca de ideias entre os membros do time é essencial para o desenvolvimento futuro do título.

Embora a profissão seja relativamente obscura no Brasil, nesta última década surgiram vários esforços para estimulá-la. Até mesmo este que vos escreve já fez um curso de game design, lá no início da década. Consequentemente, posso dizer que é um trabalho gratificante e frustrante ao mesmo tempo. Gratificante pois você tem a chance de transformar em realidade várias ideias malucas de sua cabeça, e frustrante pois nem todas elas serão materializadas.

Mas voltemos à criação de games, tema muito mais interessante do que minhas experiências profissionais e pseudo-filosofia. Nos estágios iniciais do desenvolvimento, o importante é definir de forma precisa qual será o contorno do jogo. Isto encompassa a seleção das ideias que serão utilizadas e quais serão descartadas, os conceitos gerais que guiarão a produção, a ambientação que será criada e os temas que serão abordados.


Game Design
A hora da criatividade


É difícil visualizar claramente este processo quando falamos de coisas tão abstratas, então passemos a um exemplo para ilustrar o cenário (qualquer semelhança com a ideia de jogo de meu curso de game design é mera coincidência).:

  • Qual é o tipo de jogo? Corrida.
  • Qual é a temática? Anões correndo a pé dentro de uma arena.
  • Qual é o objetivo do jogador? Terminar o circuito em primeiro lugar, utilizando qualquer meio.

Estes são apenas alguns dos elementos discutidos nesta fase de desenvolvimento, mas o importante é que a partir deles já é possível ter uma ideia do que se deseja criar e quais são os limites impostos sobre a equipe. No exemplo supracitado, já sabemos que se trata de uma competição de velocidade entre anões na qual tudo é válido para vencer — fontes internas me dizem que pode-se passar a perna em outros anões, arremessá-los ou até mesmo enterrá-los no solo ao pular sobre suas cabeças.Conceito original do protagonista de Assassin's Creed, abandonado na pré-produção

Vale lembrar também que jogos não precisam necessariamente ter conceitos narrativos discutidos, como este acima. Jogos de quebra-cabeça como Tetris ou Sudoku, por exemplo, ainda passaram por momentos de criação de diretrizes, mas as perguntas feitas — e consequentemente respondidas — foram outras, condizentes com a natureza do game.

Agora, a maioria dos jogos atuais, mesmo os que se inspiram nestes tradicionais citados no parágrafo acima, possuem algum tipo de ambientação; vide Trash Panic. Assim sendo, esta parte da produção de um título é extremamente criativa, e todo tipo de ideia louca pode aparecer — algumas delas produzindo resultados extremamente divertidos.

Afinal de contas, muitos jogos já surgiram das frases: “não seria legal se um jogo me deixasse fazer...” ou “esta história seria perfeita se pudéssemos interagir com ela!”. É claro que muitos jogos já estão praticamente prontos na cabeça de seu criador, bastando transpô-los para o meio digital, mas outros devem ser trabalhados e construídos do zero — algo igualmente divertido.


Antes da tela, o papel
Storyboards, scripts e artworks


Meu Deus, quantas palavras em inglês! Não há motivo para preocupação, os três elementos do subtítulo representam, respectivamente, a sequência de cenários que compõem a história, a história em si e as imagens que representam os diferentes conceitos elaborados na fase anterior da produção do game.

Este período é igualmente importante pois nele é que as ideias ganham forma. Aqui, os personagens são esboçados, as diferentes partes da história são construídas e os eventos que serão mostrados aos jogadores aparecem pela primeira vez. O que antes era apenas algo abstrato agora passa a ser um protótipo no papel.

No que diz respeito aos usuários, este é o primeiro momento em que começam a ser reveladas informações sobre o desenvolvimento do título. Algumas empresas preferem manter o processo em segredo até que as coisas estejam mais concretas, mas outras liberam artworks e imagens conceituais para que o público tenha uma noção do estilo.

Essa também é a hora em que geralmente surgem de forma concreta os personagens que cativam o público, como Master Chief e sua armadura icônica, por exemplo. Ou seja, é o momento de realmente tornar visual tudo aquilo que foi pensado e debatido pela equipe de game designers no início do projeto.
Um exemplo de storyboard. Este é de filme, o de games são menos lineares
 
Os profissionais envolvidos


Enquanto nos primeiros estágios as tarefas de criação são, primariamente, responsabilidades dos game designers, durante a transição para os meios materiais a equipe se expande consideravelmente. Embora os principais responsáveis por cada setor já contribuíssem anteriormente, para estabelecer o que é possível e o que não é, nesta hora é que eles realmente põem as mãos à obra e fazem acontecer.

E como o time é expandido... Artistas, designers, escritores, cartunistas. Dependendo do projeto, o número pode aumentar na casa das dezenas, com grande variedade de funções e objetivos. Algo interessante é que o trabalho de todos é importante para o de cada um — ou seja, a interação é constantemente necessária.

O porquê disso? Um exemplo ilustra bem. Peguemos um anão de nosso exemplo anterior. Ele é um dos personagens jogáveis e, como um dos game designers, quero que ele seja imponente e ameaçador, pois joga sujo e faz o que for preciso para ganhar. Assim, suas falas devem ser escritas em um determinado estilo, suas roupas devem estar de acordo e suas animações devem refletir o comportamento. Ou seja, no mínimo três setores devem estar na mesma sintonia.


Trabalho em equipe
Requisito essencial para o sucesso
Que todos tenham uma ideia clara do que se quer é essencial

Como se trata de apenas um produto final que é o resultado do trabalho de, por vezes, centenas de pessoas, é essencial que todos estejam focados em um mesmo objetivo. Isto permite que o conjunto seja coeso e coerente, um dos principais fatores na elaboração de um título de sucesso.

É óbvio que o ciclo de desenvolvimento não para por aí, e estas duas fases são apenas parte de algo muito maior — que, se fôssemos explorar por completo, duraria vários especiais... Quem sabe não faremos algo ao estilo daqueles sobre cinema e games.

E você, já pensou em trabalhar com games? Ou prefere simplesmente jogá-los em seu tempo livre? Você possui várias ideias loucas que gostaria de ver nos jogos eletrônicos ou se contenta em apreciar o que os outros conseguem realizar? É certamente uma profissão trabalhosa, mas igualmente recompensadora! Deixe sua opinião!
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