Como havíamos antecipado, nossa saga pela relação dos filmes e video games vai chegando ao final com este artigo. Uma jornada de cinco especiais que abrangeu diversos aspectos da interação entre a indústria de filmes e a de cinema. Porém, agora é hora de introduzir um novo ator na jogada: os livros. E uma pergunta: os games dependem do cinema? Pode parecer algo desconexo, mas explicaremos a seguir.
Vamos por partes — mas não como Jack, pois isso seria de mau gosto. Em primeiro lugar, por que decidimos falar sobre livros em uma matéria envolvendo games e filmes? A resposta é simples: livros constituem uma enorme parcela, e extremamente importante, das fontes de inspiração para longa-metragens. Assim, é inevitável que alguns temas que surgem inicialmente em livros passem para o cinema e, depois, para os video games.
Quanto à pergunta do primeiro parágrafo, sua razão de existir também é simples: por que não vemos video games baseados em livros (embora o contrário aconteça cada vez mais, mas isso é assunto para outro artigo) se estes têm tanto conteúdo para inspirar a indústria cinematográfica? Com a exceção de franquias enormes, pouquíssimas são as adaptações diretas do papel para os jogos eletrônicos.
O que não cabe nesta situação são os gibis, mangás e afins. Estes sempre foram suficientemente representados nos jogos, muitas vezes antes de sequer possuírem adaptações previstas para o cinema. Neste sentido, tal segmento da indústria do entretenimento é privilegiado, se sua situação for comparada à de livros.
Por isso nossa questão: será que os video games dependem da indústria de filmes para conseguir dar um rosto e uma ambientação aos temas de livros? À primeira vista, essa é a ideia que temos, já que existem muitas marcas que percorrem este caminho antes de chegar a nossos computadores e consoles. Mas será que esta é a única forma?
Adaptações de filmes
Uma bela fatia do mercado
Não existem números oficiais, mas diversas fontes reportam que aproximadamente 10% dos games existentes no mercado são adaptações de filmes — o que é uma quantia bastante considerável. Uma estimativa coloca o número de títulos que caem nesta categoria em torno de 3500, para alguns 500 longas-metragens.
Pode parecer muito, mas basta olhar mais de perto para o mercado que é possível ver a realidade: quantos games do Batman você já viu? Ou do Homem-Aranha? E não estamos aqui falando das adaptações diretas dos quadrinhos, mas sim aquelas em que os personagens possuem todas as feições dos seus intérpretes das telonas.
É claro que grande parte destas adaptações provém dos games que saem junto com os filmes, como parte da propaganda — e todos sabemos como eles geralmente são uma porcaria — mas ainda assim devem ser considerados em termos gerais, quando se analisa a situação do mercado como um todo.
As exceções
Grandes jogos baseados em livros
Nas décadas anteriores era mais comum vermos adaptações diretas, mas mesmo assim elas não eram, em geral, de títulos famosos. No entanto, existem sim jogos de qualidade que utilizam de fonte os livros de onde as histórias surgiram. Assim, vamos tratar de dois deles para exemplificar um tipo de produto que, pelo menos em minha opinião pessoal, deveria receber mais investimentos.)
O game se baseia na série de livros do polonês Andrzej Sapkowski, que retrata o caçador de monstros Geralt of Rivia. A franquia fez bastante sucesso em sua terra natal, sendo adaptada para a televisão e também para o cinema — embora estes não possuam relação com o que foi criado para os video games. Logo, não é surpresa que o mundo dos jogos eletrônicos também tenha recebido um produto.
Jogo este que foi bem recebido pela crítica e pelos usuários — e que, na minha opinião pessoal, é realmente muito bom — e gerou até mesmo uma sequência, The Witcher 2: Assassins of Kings, ainda em desenvolvimento. O título é um RPG de ação voltado ao público adulto, o que resultou inclusive em algumas censuras em certas regiões do mundo.)
Este game, ainda não lançado, vai ainda mais longe atrás de inspiração. A fonte é a primeira parte, chamada Inferno, do poema épico de Dante Alighieri: A Divina Comédia. Nele, o jogador atravessará todos os círculos do inferno atrás de sua amada, Beatrice, e combate todos que se colocam em seu caminho.
Existem altas expectativas para o título, com críticas e elogios surgindo por causa da semelhança aparente com God of War. Seja como for, não busca inspiração nos filmes já existentes a respeito do livro — na verdade, existem até projetos em desenvolvimento de alguns longas-metragens baseados no game!
O caso Senhor dos Anéis
Adaptando-se aos filmes
Um caso peculiar, para não dizer único, é o da franquia de Senhor dos Anéis. Sendo um grande nome há muitos anos, tendo obtido reconhecimento antes mesmo do surgimento dos video games e constituindo uma fonte de inspiração para diversas formas de entretenimento — séries animadas de TV, jogos de tabuleiro, jogos de RPG — era natural que os video games trouxessem o universo da Terra-Média para o meio eletrônico interativo.
Os primeiros games, ainda para os computadores pessoais do ínicio da década de 80, mal tinham gráficos como os concebemos hoje. Mas, até o lançamento dos filmes imensamente populares de Peter Jackson, não havia um padrão para a representação dos personagens e do cenário do mundo de Tolkien. Cabia aos artistas de cada uma das produções criar algo condizente.
Uma vez que a trilogia cinematográfica resultou em um sucesso estrondoso, tudo mudou. Os jogos passaram a associar as imagens dos personagens e o estilo de arte de seus cenários àquilo que foi visto nas telonas; as músicas neles utilizadas passaram a permear as trilhas sonoras dos games que abordassem o tema. Houve uma espécie de “dominação” por parte da visão dos cineastas.
Um problema óbvio desta situação é o fato de que nem todos os fãs de Tolkien gostaram da adaptação dos livros para o cinema, e tiveram que aturar jogos que se inspiravam nela daí em diante. Uma notável exceção é o MMORPG Lord of the Rings Online, que, por não possuir os direitos do filme, criou um mundo por conta própria, de forma mais fiel e sem se dissociar muito do imaginário criado pelo escritor.
Um mundo de possibilidades
E muitas delas inexploradas
)
Considerando que os livros existem há muito mais tempo do que o cinema ou os games e continuarão a existir por muito tempo, eles são uma fonte praticamente inesgotável de inspiração para a produção de games. Existem inúmeros títulos clássicos e contemporâneos que poderiam resultar em games excelentes se existisse um investimento legítimo em cima deles.
Grandes personagens, carismáticos e envolventes, como Sherlock Holmes, o Rei Artur ou mesmo heróis da antiguidade como os da mitologia grega, poderiam gerar tramas épicas e enorme diversão para os jogadores. Algumas tentativas já foram feitas, mas é fato que não foram muito longe.
Aqui caímos naquele velho quesito que permeia todo empreendimento: a questão do retorno com relação ao investimento. É inegável que se atinge muito mais gente ao trabalhar em cima de um tema visto no cinema do que em algum livro, devido à situação do entretenimento contemporâneo. No entanto, este última opção opde se revelar bastante atrativa ao invés de utilizar a mesma propriedade intelectual pela milionésima vez. Algo a ser levado consideração...
O fim ou o começo?
Você decide
Vamos por partes — mas não como Jack, pois isso seria de mau gosto. Em primeiro lugar, por que decidimos falar sobre livros em uma matéria envolvendo games e filmes? A resposta é simples: livros constituem uma enorme parcela, e extremamente importante, das fontes de inspiração para longa-metragens. Assim, é inevitável que alguns temas que surgem inicialmente em livros passem para o cinema e, depois, para os video games.
Quanto à pergunta do primeiro parágrafo, sua razão de existir também é simples: por que não vemos video games baseados em livros (embora o contrário aconteça cada vez mais, mas isso é assunto para outro artigo) se estes têm tanto conteúdo para inspirar a indústria cinematográfica? Com a exceção de franquias enormes, pouquíssimas são as adaptações diretas do papel para os jogos eletrônicos.
O que não cabe nesta situação são os gibis, mangás e afins. Estes sempre foram suficientemente representados nos jogos, muitas vezes antes de sequer possuírem adaptações previstas para o cinema. Neste sentido, tal segmento da indústria do entretenimento é privilegiado, se sua situação for comparada à de livros.
Por isso nossa questão: será que os video games dependem da indústria de filmes para conseguir dar um rosto e uma ambientação aos temas de livros? À primeira vista, essa é a ideia que temos, já que existem muitas marcas que percorrem este caminho antes de chegar a nossos computadores e consoles. Mas será que esta é a única forma?
Adaptações de filmes
Uma bela fatia do mercado
Não existem números oficiais, mas diversas fontes reportam que aproximadamente 10% dos games existentes no mercado são adaptações de filmes — o que é uma quantia bastante considerável. Uma estimativa coloca o número de títulos que caem nesta categoria em torno de 3500, para alguns 500 longas-metragens.
Pode parecer muito, mas basta olhar mais de perto para o mercado que é possível ver a realidade: quantos games do Batman você já viu? Ou do Homem-Aranha? E não estamos aqui falando das adaptações diretas dos quadrinhos, mas sim aquelas em que os personagens possuem todas as feições dos seus intérpretes das telonas.
É claro que grande parte destas adaptações provém dos games que saem junto com os filmes, como parte da propaganda — e todos sabemos como eles geralmente são uma porcaria — mas ainda assim devem ser considerados em termos gerais, quando se analisa a situação do mercado como um todo.
As exceções
Grandes jogos baseados em livros
Nas décadas anteriores era mais comum vermos adaptações diretas, mas mesmo assim elas não eram, em geral, de títulos famosos. No entanto, existem sim jogos de qualidade que utilizam de fonte os livros de onde as histórias surgiram. Assim, vamos tratar de dois deles para exemplificar um tipo de produto que, pelo menos em minha opinião pessoal, deveria receber mais investimentos.
)
O game se baseia na série de livros do polonês Andrzej Sapkowski, que retrata o caçador de monstros Geralt of Rivia. A franquia fez bastante sucesso em sua terra natal, sendo adaptada para a televisão e também para o cinema — embora estes não possuam relação com o que foi criado para os video games. Logo, não é surpresa que o mundo dos jogos eletrônicos também tenha recebido um produto.
Jogo este que foi bem recebido pela crítica e pelos usuários — e que, na minha opinião pessoal, é realmente muito bom — e gerou até mesmo uma sequência, The Witcher 2: Assassins of Kings, ainda em desenvolvimento. O título é um RPG de ação voltado ao público adulto, o que resultou inclusive em algumas censuras em certas regiões do mundo.
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Este game, ainda não lançado, vai ainda mais longe atrás de inspiração. A fonte é a primeira parte, chamada Inferno, do poema épico de Dante Alighieri: A Divina Comédia. Nele, o jogador atravessará todos os círculos do inferno atrás de sua amada, Beatrice, e combate todos que se colocam em seu caminho.
Existem altas expectativas para o título, com críticas e elogios surgindo por causa da semelhança aparente com God of War. Seja como for, não busca inspiração nos filmes já existentes a respeito do livro — na verdade, existem até projetos em desenvolvimento de alguns longas-metragens baseados no game!
O caso Senhor dos Anéis
Adaptando-se aos filmes
Um caso peculiar, para não dizer único, é o da franquia de Senhor dos Anéis. Sendo um grande nome há muitos anos, tendo obtido reconhecimento antes mesmo do surgimento dos video games e constituindo uma fonte de inspiração para diversas formas de entretenimento — séries animadas de TV, jogos de tabuleiro, jogos de RPG — era natural que os video games trouxessem o universo da Terra-Média para o meio eletrônico interativo.
Os primeiros games, ainda para os computadores pessoais do ínicio da década de 80, mal tinham gráficos como os concebemos hoje. Mas, até o lançamento dos filmes imensamente populares de Peter Jackson, não havia um padrão para a representação dos personagens e do cenário do mundo de Tolkien. Cabia aos artistas de cada uma das produções criar algo condizente.
Uma vez que a trilogia cinematográfica resultou em um sucesso estrondoso, tudo mudou. Os jogos passaram a associar as imagens dos personagens e o estilo de arte de seus cenários àquilo que foi visto nas telonas; as músicas neles utilizadas passaram a permear as trilhas sonoras dos games que abordassem o tema. Houve uma espécie de “dominação” por parte da visão dos cineastas.
Um problema óbvio desta situação é o fato de que nem todos os fãs de Tolkien gostaram da adaptação dos livros para o cinema, e tiveram que aturar jogos que se inspiravam nela daí em diante. Uma notável exceção é o MMORPG Lord of the Rings Online, que, por não possuir os direitos do filme, criou um mundo por conta própria, de forma mais fiel e sem se dissociar muito do imaginário criado pelo escritor.
Um mundo de possibilidades
E muitas delas inexploradas
)
Considerando que os livros existem há muito mais tempo do que o cinema ou os games e continuarão a existir por muito tempo, eles são uma fonte praticamente inesgotável de inspiração para a produção de games. Existem inúmeros títulos clássicos e contemporâneos que poderiam resultar em games excelentes se existisse um investimento legítimo em cima deles.
Grandes personagens, carismáticos e envolventes, como Sherlock Holmes, o Rei Artur ou mesmo heróis da antiguidade como os da mitologia grega, poderiam gerar tramas épicas e enorme diversão para os jogadores. Algumas tentativas já foram feitas, mas é fato que não foram muito longe.
Aqui caímos naquele velho quesito que permeia todo empreendimento: a questão do retorno com relação ao investimento. É inegável que se atinge muito mais gente ao trabalhar em cima de um tema visto no cinema do que em algum livro, devido à situação do entretenimento contemporâneo. No entanto, este última opção opde se revelar bastante atrativa ao invés de utilizar a mesma propriedade intelectual pela milionésima vez. Algo a ser levado consideração...
O fim ou o começo?
Você decide
Encerrado nosso tema do dia, gostaria de esclarecer algumas das dúvidas e comentários que surgiram no decorrer deste cinco artigos. Muitas pessoas comentaram, umas acharam que faltou abordar determinado assunto, outras consideraram que tudo poderia ser mais resumido em um número menor de especiais e outras queriam que a série continuasse. Como a equipe do TecMundo Games faz este site para você, gostaríamos da sua opinião a respeito do modelo. Se você perdeu os anteriores, segue uma lista abaixo:
(06/11/09): Uma jornada pelo mundo do entretenimento digital
(12/11/09): Quem é dono de quem na indústria de games?
(19/11/09): Os gigantes dos games se aventuram no mundo do cinema!
(24/11/09): Filmes com atores reais ou animações cinematográficas?
(02/12/09): Este que você está lendo, o quinto e último!
Agora, o que você acha de sequências de especiais com diferentes assuntos mas um tema comum, como este sobre a interação dos games com o cinema? Acha que vale a pena que um redator aborde determinado aspecto do mundo dos jogos eletrônicos em diferentes artigos, sob vários ângulos? Ou prefere coisas mais pontuais e menos densas, que tratem mais sucintamente de determinada coisa?
Pergunto pois este foi um experimento — e, sendo a primeira vez, admito que existem algumas coisas que poderiam melhorar. Poderíamos trazer mais números, fatos adicionais, curiosidades e exemplos mais detalhados caso repetíssemos a dose. Assim sendo, opine! Sobre tudo, desde o tamanho dos artigos até a quantidade (foram cinco), o grau de profundidade, se ficou maçante... Pense no que gostou e no que não gostou da série e mande ver. Você decide, vote e não esqueça de comentar!
Agora, o que você acha de sequências de especiais com diferentes assuntos mas um tema comum, como este sobre a interação dos games com o cinema? Acha que vale a pena que um redator aborde determinado aspecto do mundo dos jogos eletrônicos em diferentes artigos, sob vários ângulos? Ou prefere coisas mais pontuais e menos densas, que tratem mais sucintamente de determinada coisa?
Pergunto pois este foi um experimento — e, sendo a primeira vez, admito que existem algumas coisas que poderiam melhorar. Poderíamos trazer mais números, fatos adicionais, curiosidades e exemplos mais detalhados caso repetíssemos a dose. Assim sendo, opine! Sobre tudo, desde o tamanho dos artigos até a quantidade (foram cinco), o grau de profundidade, se ficou maçante... Pense no que gostou e no que não gostou da série e mande ver. Você decide, vote e não esqueça de comentar!
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