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Video games e cinema, uma jornada pelo mundo do entretenimento digital.

schedule06/11/2009, às 14:42

Ao invés de começar nosso especial de maneira tradicional e expor um pouco do raciocínio por trás da ideia que nos levou a escrever o artigo, correrei o risco de desagradar a alguns e fazer a coisa toda de uma forma diferente. Utilizando alguns elementos de trabalhos acadêmicos, partirei de pressupostos para em seguida construir uma discussão da qual quero que você, leitor do TecMundo Games, faça parte.

Isto porque nós construiremos vários artigos que lidam com a indústria de video games, a indústria de cinema e a relação entre as duas. Decidimos abordar estes temas devido ao crescente investimento — tanto de recursos quanto de mão-de-obra — no entretenimento interativo e a consequente influência que cada uma das áreas exerce sobre a outra.
Perfil do redator
 

Este é o primeiro de vários artigos — semanais, que durarão um mês ou mais, dependendo de seu interesse, leitor, no assunto — e servirá basicamente como uma introdução à discussão. Sendo mais abrangente, lidará principalmente com tópicos básicos que serão futuramente expandidos e detalhados. Portanto, essa é a hora: caso exista algum tema que você deseja ver nestes artigos e que envolva cinema e video games, mande-nos a sugestão. Nós consideraremos tudo o que for enviado para inclusão nós próximos textos.

Para poder fazer essa ponte entre os dois meios de entretenimento, receberemos o apoio de Wikerson Landim, nosso colega de trabalho apaixonado por filmes — alguns de vocês devem conhecê-lo do Portal Baixaki. Então preparem a pipoca, mas para comer com uma mão só: a outra estará segurando firme os controles de video game.


  • Ponto de partida

Passemos a nossos pressupostos: os video games atingiram um ponto em que possuem as ferramentas necessárias para competir diretamente com o cinema, tanto em capacidade de contar histórias quanto na qualidade audiovisual; e os video games atualmente conseguem expandir o que se vê em aproximadamente duas horas nos filmes para muito mais tempo de jogo e de exploração de um universo.

Explico o que quero dizer com pressuposto. Basicamente, estou assumindo as informações expostas no parágrafo acima como verdadeiras, e não debaterei se os video games conseguem ou não reproduzir o que se vê em filmes, por exemplo. Não levarei em conta plataformas específicas, como o Wii e sua capacidade gráfica inferior, mas o atual estado da tecnologia empregada no desenvolvimento de jogos eletrônicos.
Fusão sensacional entre game e elementos de filmes
 

O nosso principal objetivo é explorar o universo do entretenimento digital e as facetas que o compõem, permitindo uma maior compreensão destes que são os hobbies de milhões de pessoas mundo afora — e especialmente o nosso, que trabalhamos com video games, e o de vocês que prestigiam diariamente o nosso esforço de trazer o melhor sobre o mundo dos jogos!

Como sou uma pessoa um tanto quanto cruel, manterei a surpresa a respeito dos temas abordados, mas posso adiantar alguns dos assuntos de que trataremos: investimento em video games, qualidade das produções, compras e vendas de grandes empresas da indústria, boas e más adaptações de uma mídia para outra... Além, é claro, daquilo que você, usuário, irá nos enviar!


  • A pergunta que não quer calar
Niko contou uma história e tanto
Seguindo com nosso tema de hoje, portanto, vamos à pergunta implícita em nosso título: o cinema e os video games são aliados ou concorrentes? Quando é que eles podem coexistir pacificamente e quando é que começam a interferir um com o outro — seja para o bem ou para o mal? Não se trata aqui de uma pergunta direta, com o intuito de obter uma resposta, mas simplesmente de uma maneira de fomentar a discussão.

Vemos claramente que muitos dos títulos atuais conseguem transmitir histórias de forma tão impactante e envolvente quanto um filme. Isto fica óbvio com GTA IV ou mesmo Fable, que inserem o jogador em um mundo extremamente interessante e cativante. Desde o surgimento dos games, contar visualmente histórias épicas deixou de ser monopólio dos filmes e seriados, mas hoje em dia o nível de qualidade está chegando perto destes últimos.



Particularidades
O que caracteriza cada indústria


Mas então qual é a principal diferença? Antes de mais nada, o tempo de duração. Enquanto as produções cinematográficas nunca passam de três horas, os jogos têm longevidade muito maior — basta olhar para Final Fantasy ou Metal Gear Solid. Consequentemente, as informações podem ser diluídas e detalhadas, enquanto na telona é necessário condensar e apostar na intensidade — além de deixar muita coisa a cargo das entrelinhas e do subentendido.

Outro aspecto essencial é a expectativa de interatividade que ocorre nos games. O jogador espera que possa fazer parte da narrativa, ele quer poder influenciar o que está acontecendo para obter resultados que o agradem. O mesmo não ocorre em filmes, nos quais a pessoa é mera espectadora, assistindo a eventos que podem comovê-la — mas sem poder alterá-los ou mesmo entrar em contato com os personagens.
Todos os Final Fantasy possuíam enorme longevidade
 

O último dos pontos que eu gostaria de mencionar — mas nem de perto estes três itens englobam tudo o que poderia ser dito — é o da maturidade de cada uma das indústrias. Os games não chegam a meio século de história, enquanto filmes existem há mais de cem anos. As consequências de tal experiência são óbvias, além de o tempo contribuir para a confiança e a segurança de investidores.

Isto não responde à nossa pergunta inicial, mas nos ajuda a perceber que as duas formas de mídia são fundamentalmente diferentes, embora estejam se aproximando: games são interativos, mais longevos e novidade para muitas pessoas ao redor do mundo; filmes são passivos, curtos, intensos e já tradicionais, sendo um método de entretenimento extremamente difundido.



Concorrentes
Será que eles competem?


Olhando rápida e diretamente, podemos dizer que não. Afinal de contas, a maioria das pessoas que joga algum tipo de game não deixa de ir ao cinema, nem que seja para assistir somente a seu tipo de filme favorito. Obviamente que tudo depende de gosto, mas é difícil imaginar alguém que justifique não assistir a um filme para jogar alguma coisa, ou vice-versa.

Mas aí estaríamos considerando apenas o presente. Um excelente exemplo de competição é o curta-metragem, recentemente lançado, Assassin’s Creed 2: Lineage. A fonte da marca é o mundo dos games, mas a franquia expandiu seus horizontes e penetrou em território claramente pertencente ao cinema. O importante é que foi organizado e custeado pela empresa responsável pelos video games, não por um estúdio de Hollywood.



E mais, utilizou ferramentas da indústria de filmes, como empresas especializadas e efeitos especiais. Mas será que isto caracteriza concorrência? Talvez ainda não, já que o público que assiste a este tipo de produção ainda é o mesmo que jogou Assassin’s Creed, mas podemos imaginar que uma expansão ainda maior poderia extrapolar as barreiras dos jogos eletrônicos.

Cabe aí outro exemplo: World of Warcraft. O game está sendo adaptado para o cinema e, caso o projeto realmente saia do papel, será custeado principalmente pela Blizzard. Com seus mais de 11 milhões de usuários, difícil achar que não iria abocanhar parcela do mercado tradicional de filmes. Outro projeto em desenvolvimento, Prince of Persia, também o fará — embora este seja uma produção hollywoodiana.

Não é preciso dizer que muitos dos filmes já utilizam os video games como uma maneira de apresentar a marca, e a história, a uma outra audiência. E isto já existe há muito tempo. A diferença é que nunca foi considerado concorrência pois a qualidade destes títulos geralmente é tão baixa que mal consegue competir com outros jogos de peso.



Aliados
Como forma de expansão da história
Quem poderia interpretar Kratos no cinema?

Como fazer, então, que ambas as indústrias se beneficiem das características inerentes a cada uma? Uma solução simples e infalível não existe, mas alguns passos podem ser tomados para que a qualidade das adaptações melhorem e não vejamos somente estragos como os filmes de Street Fighter e Resident Evil. Ou os jogos nojentos que seguem o lançamento de vários filmes, como os de Senhor dos Anéis.

O primeiro seria o de realizar parcerias para aprender o que funciona em cada uma das mídias. Como já expusemos, elas são diferentes, e devem ser tratadas de formas particulares. Imagino que qualquer fã adoraria ver um filme de God of War que fizesse jus à franquia, ou um jogo de Piratas do Caribe que fosse excelente.

Fazer com que todos os envolvidos entendam as necessidades específicas de cada uma destas indústrias é um problema, e certamente algo que precisa de tempo para estabelecer-se. Mas os passos tomados por várias das figuras proeminentes dos video games indicam uma vontade genuína de aprender com o que é bem-sucedido nos filmes. O problema é que a recíproca dificilmente é verdadeira.



Futuro
Para onde vamos?
 

Em termos de interação entre as duas indústrias, sou uma pessoa otimista. Não acredito que chegaremos a um ponto em que uma delas tentará ativamente roubar público da outra. Creio que é possível que exista um relacionamento sadio que aproveita os melhores pontos de ambas e aproveite os imensos recursos disponíveis para investimento em entretenimento para criar verdadeiras obras de arte que abranjam vários segmentos diferentes.

Imagine como seria gratificante assistir a um filme para começar a entender uma história, participar de um jogo online que envolva milhares de pessoas, avance e desenvolva este mesmo universo — efetivamente continuando a história — para depois que este acabe ver outro filme em que os protagonistas são aqueles que surgiram na forma de jogadores do game, fechando o ciclo e terminando a história de forma épica.
De space opera para opera?
 

Posso estar sonhando um pouco, mas acredito que a busca por este tipo de entretenimento seria algo extremamente interessante. Algo como a tentativa de Richard Wagner em atingir uma obra-prima que englobe diversos elementos essenciais — uma espécie de Gesamtkunstwerk da era digital. O dia em que o entretenimento audiovisual atingir o escopo de uma ópera ao estilo de “O Anel do Nibelungo”, estarei realizado.

Divagações à parte, não é tão difícil conceber tal fato. Mass Effect já possui uma profundidade imensa e poderia ser facilmente complementado por filmes com a mesma temática. Falta apenas vontade, investimento, compreensão do conteúdo e das formas de mídia — e, acima de tudo, um apoio por parte do público.
 
Os próximos capítulos desta nossa saga pela indústria do entretenimento digital já estão no forno, então não esqueça de deixar suas colocações para que possamos trazer o que você acha importante!
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