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Como é retratado nos games este nosso querido país?

schedule23/10/2009, às 14:24

O mapa, nada oficial, que deu origem a todos os problemas legaisPodemos espernear, bater o pé, gritar até ficarmos roucos. Não vai adiantar. A imagem que é passada de nosso caro país para os habitantes do resto do mundo depende primariamente de fontes estrangeiras. A mídia é um dos responsáveis por criar conceitos na mente dos povos, especialmente através de imagens, e a mídia internacional é muito mais forte do que a nossa — mesmo com a Globo sendo uma gigante das comunicações.

Trazendo isto para os video games, nós podemos ter uma ideia mais clara do tema que estou tentando abordar. Como o mundo vê o Brasil nos video games? Como nosso país é retratado nos diversos títulos disponíveis no mercado? E, o mais importante, quão fiel é esta reprodução e ela pode ser considerada algo interessante para a reputação da pátria?

Perguntas dificílimas de responder, já que envolvem inúmeros aspectos subjetivos e de opinião, mas ao compararmos com as representações de outros países é possível começar a formar uma ideia coerente. Vamos começar com o Estado mais visto na indústria: os Estados Unidos da América.

Quantas vezes você já viu as forças armadas norte-americanas retratadas em um game? Mal dá para contar, certo? Pois é, agora pense em quantas dessas vezes elas foram retratadas como fracas, ineficientes, burocráticas ou agindo fora de seu escopo? Provavelmente nenhuma. Isto porque a imagem que é passada é a de uma instituição forte e que atua onde é necessário.

Por mais que isto já passe despercebido por nós, o conjunto ajuda a construir a imagem de um país robusto, que defende seus interesses e tem o poder de fazê-lo eficientemente. Além disso, a intervenção das diversas equipes de combate em suas respectivas tramas geralmente são representadas como a única solução para o problema em questão.



Guerras
O Brasil como um Estado fraco


Peguemos o exemplo da franquia Modern Warfare. Os exércitos dos Estados e da Inglaterra aparecem de forma proeminente, por exemplo. Já o país do Oriente Médio é retratado de forma instável e suscetível a golpes, sem nem mesmo ter seu nome mencionado. Obviamente que isto é feito para criar uma história, mas já dá uma noção de que tipo de visão está sendo impressa ao título — ou seja, uma ocidental.

Modern Warfare 2 fará as coisas de forma similar. O Brasil estará representado, mas não como um dos interventores  — e sim como um dos cenários. Você não controlará um membro das forças armadas nacionais, e sim um integrante de algum batalhão estrangeiro. E qual é a imagem que isto passa?

Basicamente, de que o país não tem capacidade de resolver problemas dentro de seu próprio território. Afinal de contas, o conceito de soberania impede que forças armadas estrangeiras ingressem no país a menos que seja com o intuito de cooperação, e mesmo neste último caso são necessárias várias negociações e tomadas de decisões em diversas esferas do governo nacional. Qualquer inserção de pessoal militar estranho é considerado um ato de agressão.



Qual fica sendo a mensagem final? De que o Brasil necessita de ajuda externa intrusiva para resolver problemas internos. Legal, não? Agora fica mais claro o porque da bandeira com as cores norte-americanas que colocamos em nossa imagem de capa. Independentemente de crenças políticas pessoais, creio que qualquer um irá concordar que seria muito mais adequado que o próprio Brasil resolvesse a situação.

A franquia Call of Duty não é a única que inclui exemplos deste tipo. Em Hawx o Brasil também é representado, só que mais uma vez como cenário — e não como uma das forças engajadas na resolução dos conflitos.



Subdesenvolvimento
O Brasil como um país atrasado


Isto não se resume aos jogos de guerra. Vários outros games retratam os lados mais obscuros do país ao invés de ressaltar sua inserção no cenário mundial atual. Um dos exemplos é Street Fighter, no qual Blanka não é exatamente um ser humano exemplar, no sentido fisiológico e estético do termo. Ele se chamava Jimmy e ficou daquele jeito após anos na selva.

Desde quando pessoas que moram na Floresta Amazônica tornam-se verdes e com unhas que mais parecem garras, sem falar em adquirir feições animalescas? Por mais que o personagem seja carismático e sirva pelo menos como um representante do país na lista de lutadores da franquia, é uma apelação bastante clara.
Cobras vivem em vilas, claro
 

Ao contrário do que poderíamos esperar, no entanto, não são apenas desenvolvedoras estrangeiras que retratam este lado do Brasil. Até mesmo Capoeira Legends, embora tenha escolhido um período específico da história, ajuda a perpetuar o mito no exterior do atraso brasileiro. Isto porque é um dos poucos games desenvolvidos aqui a serem vendidos lá fora.

Onde estão os títulos nos quais o exército brasileiro elimina eficazmente uma ameaça estrangeira a seu território? Ou então um game no qual um cataclisma dizima quase toda a população e os brasileiros é que tomam a frente para salvar a humanidade? Quem sabe até mesmo um em que um brasileiro seja o responsável por desvendar segredos há muito tempo escondidos?

Não dá para entender a falta de esforços neste sentido. Por que é que toda tentativa de resgatar o espírito nacional acaba no clichê de apegar-se a folclore ou a tradições populares regionais que não englobam a pátria como um todo? Mais uma pergunta de difícil resposta, mas que é uma daquelas que deveriam ficar no ar para servir de inspiração...



Lazer
O Brasil como um país nada sério
Esse cara passa uma imagem... boa

Parece que o único meio em que o Brasil consegue se destacar é o de jogos esportivos e similares. Games de corrida e, principalmente, de futebol, colocam o país em uma posição de maior qualidade, com competidores importantes. Também, não poderia ser diferente, já que quase ninguém — com a exceção dos argentinos e uns poucos outros — disputa que somos os mais bem-sucedidos neste último esporte.

Franquias como PES e FIFA certamente deixam o Brasil em posição proeminente, com sua seleção estando constantemente entre as melhores. Mesmo assim, estádios extremamente modernos, como o do Atlético Paranaense, custam a aparecer. Ao menos podemos nos contentar em massacrar os oponentes com nossos craques!


  • Nem tudo está perdido!

No final das contas, grande parte do problema deste retrato é a falta de desenvolvedores brasileiros, o que faz que a maioria dos jogos sequer se preocupe em retratar o país. O vindouro Max Payne 3 é uma exceção, já que toda a ambientação se dará na cidade de São Paulo. É claro que o protagonista é o famoso nova-iorquino, mas já é um bom avanço.

Em um país tão diverso como o nosso, é até difícil identificar algo que seria representativo de todas as regiões do país, como possuem os Estados Unidos após inúmeras décadas de criação de um sentimento nacional.

Muitos dirão “pelo menos somos importantes o suficiente para sermos inseridos em games”, citando que países como Peru ou Mongólia quase nunca aparecem nos video games. E estarão certos, mas nada impede que tentemos sempre buscar uma imagem que exponha nosso país sob uma luz positiva, ao invés do tradicional: favelas, festa e futebol.
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