“Tão real que machuca!”. Esta era a famosa frase utilizada na campanha de lançamento de um dos jogos mais famosos e controversos de todos os tempos: Mortal Kombat. Depois de presenciar o sucesso da série de luta Street Fighter, a Midway resolveu que também iria entrar na briga, mas com um game muito mais apelativo. O primeiro Mortal Kombat, assim como boa parte de seus herdeiros, simplesmente encharcava as telas com sangue. Obviamente, isso cativou a atenção do público, que fez da série uma das mais vendidas da história dos games. Alguns dizem que a violência extrema era uma espécie de estratégia da própria Midway para, realmente, atrair os gamers.
Com a chegada de Mortal Kombat, surgia também um novo órgão estadunidense que está presente até os dias de hoje na indústria do entretenimento eletrônico. A ESRB, ou Entertainment Software Rating Board (Quadro de Classificação de Softwares de Entretenimento, numa tradução livre) foi criada em 1994 por pais preocupados com a violência que estava sendo exibida em jogos como Doom e o próprio game da Midway.
O objetivo deste órgão é classificar o conteúdo de cada game lançado nos Estados Unidos. Todas as distribuidoras que lançam jogos nos EUA são obrigadas a adicionar uma marca de classificação na capa, nos sites e em outros materiais midiáticos relacionados a seus games. Sendo assim, é possível limitar o conteúdo que será visto pelos seus filhos, por exemplo.
Muitos jogadores simplesmente não estão nem aí para a classificação etária do jogo. A série Grand Theft Auto e jogos como Manhunt e Resident Evil 4, por exemplo, são alguns exemplos de títulos com vendas extremamente boas, mesmo sendo “restrito” aos jogadores com mais de 18 anos. Segundo pesquisas, estes títulos são mais jogados por pessoas que ainda não atingiram a idade enaltecida.
Um dos fatores decisivos para a classificação dos games é o sangue. Alguns games podem até conter violência, como é o caso de Mortal Kombat vs. DC Universe, por exemplo, mas o excesso de sangue é, muitas vezes, o que determina o salto para a classificação “M” (Mature, maiores de 18 anos).
Mas será que todo este sangue é realmente necessário? Será que ele realmente interfere na diversão? Ou, ainda, “faz mal à saúde mental”, como dizem pesquisadores? É isso que discutiremos.
Essencial
O sangue é vital para os games?
Boa parte dos jogos que se tornam grandes sucessos de venda contém sangue. Vamos analisar alguns dos jogos mais vendidos desta geração: Halo 3, Call of Duty 4: Modern Warfare, Grand Theft Auto IV, Gears of War, Assassin’s Creed e Metal Gear Solid 4: Guns of the Patriots. Todos contêm uma quantidade generosa do líquido vermelho, mas eles seriam os mesmos se a abundância de sangue não estivesse presente?
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Há quem diga que não, pois o sangue é essencial. Além de deixar o jogo mais realista, alguns jogadores desfrutam da brutalidade como uma válvula de escape para todo o stress acumulado no dia-a-dia. Sim, um método terapêutico nada convencional, mas utilizado por milhares de gamers.
Ninja Gaiden II é um dos títulos mais sanguinários de todos os tempos e suas vendas foram excelentes. O sangue está presente por toda a parte, e é um dos fatores que mais chama a atenção no game. Além disso, o jogador também pode desmembrar seus inimigos e executar finalizações completamente brutais. Certamente, o título também possui uma jogabilidade agradável e é desafiante. Mas nada que sobreponha o sangue.
Muitas vezes, todo este exagero acaba tornando o jogo ainda mais divertido. O resultado é um verdadeiro espetáculo virtual, em que a fantasia é disfarçada por um elemento real. Mas se tudo não passa de simples fantasia, por que o sangue causa tantas controvérsias?
O sangue real
Quando a coisa complica
O problema é que, em algumas ocasiões, o sangue acaba saindo do mundo virtual. Você já deve ter ouvido casos em que pessoas foram assassinadas por supostos gamers. Obviamente, isto não é uma culpa exclusiva dos video games, já que o entretenimento eletrônico é como outra mídia qualquer, como a televisão e o cinema, por exemplo.Entretanto, em alguns locais os games chegam a ser banidos pelo seu conteúdo, como na Austrália, por exemplo. Alguns pesquisadores afirmam que os jogos são uma ferramenta que pode induzir pessoas a cometerem delitos, mas nada é ocasionado exclusivamente pelos jogos. Pessoas com a saúde mental debilitada podem ser incentivadas pelas atitudes realizadas em um game.
E se tirassem todo o sangue de dentro dos consoles? O mundo dos jogos seria o mesmo? Provavelmente não. O grande problema é como o sangue é abordado em cada jogo. Alguns games simplesmente dependem deste elemento. Como é o caso de Dead Rising, que lota as telas do Xbox 360 com zumbis e litros de sangue.
Se analisarmos bem, quase todos os títulos que contam com uma trama bem elaborada — e, eventualmente, se tornam os preferidos pelos jogadores e críticos — contém sangue. Não há como afirmar se o elemento é realmente necessário para a criação de um jogo decente, mas, aparentemente, o pegajoso líquido vermelho acaba colaborando.
As duas faces de uma moeda
Sem graça ou violento demais
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Com a atual tecnologia, os games têm o poder de impressionar ainda mais, afinal, ninguém torcia o nariz com pixels vermelhos. Condemned 2: Bloodshot é um excelente exemplo que contém sangue à granel e um clima extremamente pesado. Jogar Condemned 2 é como participar de um filme de excelente qualidade.
Certamente, há muitas controvérsias que envolvem o sangue. Um assunto delicado, mas que deve ser sempre observado de vários pontos diferentes. Uma criança, por exemplo, não deve ser exposta a brutalidade de alguns games. Mas, nem por isso, tal jogo deveria ser banido.
Os desenvolvedores têm o desafio de situar seus jogos entre o “sem graça” e o “violento demais”, adequando cada tema de acordo com seu público alvo. A educação também é fundamental para construir um discernimento nos jovens, capacitando-os compreender o que é real e o que é virtual.
E você, acredita que o sangue é essencial para a criação de um bom game? Comente.
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