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A recessão afetou a indústria dos games? O Baixaki Jogos analisa alguns dados.

schedule15/07/2009, às 13:39

Recessão é uma palavra que costuma atormentar o público quando enunciada por setores líderes da economia mundial. Não é para menos, ela geralmente significa que a economia está enfraquecida e não cresce no ritmo a que vinha anteriormente. Isto não significa necessariamente que ela está em declínio, mas as consequências são típicas: desemprego, queda dos lucros e dos valores de ações de empresas.

Os que nasceram na década de 80 ainda devem se lembrar de como era ruim ter uma economia em frangalhos – não que isto esteja acontecendo agora – e entendem por que muitas pessoas se assustam quando o mundo mergulha em uma crise. Especialmente uma causada por cobiça exagerada de alguns agentes dos mercados financeiro e imobiliário norte-americanos.
Diminuíram as vendas, mas ainda saem que nem água
 


O impacto não foi tão grande na indústria dos games, no entanto. Embora o público certamente tenha deixado de comprar produtos de alguns setores, isto foi compensado em outros.  Enquanto alguns perdem público, outros ganham. E embora este não seja o melhor momento dos últimos anos em termos de vendas, as figurinhas carimbadas do mercado continuam lucrando.

No meio disso tudo vem o TecMundo Games com mais um especial para facilitar a sua vida: selecionamos algumas informações que consideramos relevantes para entender o atual cenário da indústria de video games. É claro que é uma análise superficial e resumida, já que seriam necessárias semanas de trabalho por parte de profissionais especializados para realizar uma análise completa.

As comparações serão feitas conforme disponibilidade dos dados, com cada período especificado nas diferentes seções. Comentários serão inseridos conforme necessário, assim como exemplos para ilustrar os números expostos.



Vendas de consoles
Como andam as plataformas?


A maioria dos analistas concorda: as vendas de consoles sofrerão uma queda severa em 2009 com relação ao ano passado. Entre as razões estão: manutenção dos preços das plataformas; falta de pacotes compostos do hardware e de um software de peso; e falta de franquias de peso. Realmente, é difícil bater 2008, que contava com Fable II, MGS 4, Fallout 3, Gears of War 2, Super Smash Bros. Brawl e inúmeros outros games sensacionais.

Entre as empresas norte-americanas de análise de mercado, a expectativa de queda varia em torno de 33 a 43% - uma diminuição extremamente impactante. Abaixo seguem gráficos de junho de 2008 e 2009 – do mundo inteiro - para termos uma ideia (com valores aproximados):
Consoles 2008
 
Consoles 2009

O domínio do DS é bastante óbvio, assim como a queda dos números – a única exceção é a X360, que teve crescimento nas vendas de incríveis 10%. O DS caiu em torno de 28% enquanto as outras plataformas todas caíram em torno de 50%. Números bastante drásticos que revelam o que muitos vêm dizendo: o Wii e o PS3 precisam baixar o preço; o DS e o PSP precisam de títulos mais impactantes; e o ritmo de defasagem do PS2 se acelera.

Obviamente estes números são fortemente influenciados por região: no Japão por exemplo, as vendas de portáteis devem compor uma parte ainda maior do mercado. Mas já dá para ter uma ideia das tendências.



Vendas de games
Como andam as plataformas?


Após nossa breve olhada nos consoles, partimos para o que os torna importantes: os jogos que rodam. Como será que está cada plataforma com relação ao número de títulos vendidos? No mesmo ritmo do hardware, ou será que o software compensa em alguns aspectos? Confira nos gráficos a seguir:
Games 2008
 
Games 2009

Podemos ver que as quedas não são tão grandes como as de consoles – com a exceção do PS2, que está em declínio acelerado, de 60%. A X360 ainda mantém um saldo positivo, com um aumento de 6% nas vendas; os PSP e o PS3 reduziram os números em torno de 34%; e os consoles da Nintendo, Wii e DS, tiveram uma redução em torno de 15%.

No entanto, é uma grande paulada para uma indústria que movimenta bilhões por ano. Podemos imaginar que o aumento na venda de software para a plataforma da Microsoft seja resultado direto do aumento na venda de hardware. Já no caso das outras plataformas, a queda reflete o menor número de consoles vendidos – mas também devemos considerar que nestes últimos dois meses não houve muitos títulos de peso.

É fácil verificar isto através dos games que estão no topo. Segue abaixo uma lista do game mais vendido de junho para cada plataforma e sua posição no ranking total de vendas – tanto em junho de 2008 quanto de 2009:

2008

2009
 
 
Consoles perdendo espaço
Mas então quem está ganhando?


A resposta curta é: jogos online. E não necessariamente MMOs ou títulos que possuem modos online – estamos falando aqui daqueles jogos mais simples e menores, através do navegador. Enquanto todas as plataformas sofrem reduções drásticas, o público deste tipo de game online subiu 22%.

Embora muitos jogadores mais aficionados automaticamente desprezem este gênero, ele evolui rapidamente junto com as tecnologias de internet que permitem a criação de jogos cada vez mais elaborados – e, geralmente, grátis e sem nenhum tipo de conteúdo a ser baixado pelo usuário, bastando entrar no site e jogar.
A área flash do TecMundo Games é um exemplo deste tipo de jogo
 

A facilidade de acesso e a contínua expansão do acesso e da velocidade da internet através do mundo certamente contribuem para a popularidade destes títulos, especialmente se considerarmos que muitas pessoas possuem tempo limitado para dedicar ao lazer – especialmente em forma de games interativos. Nos Estados Unidos, o público de jogos online cresce dez vezes mais rápido do que a taxa da população que possui internet.



Como reverter isso
O que pode salvar a forma “tradicional” de jogar
Virá Kratos salvar os consoles?

Para ser sincero, este tipo de fenômeno costuma ser impossível de frear. Muitos desenvolvedores resolveram até mesmo explorar este lado – é só ver títulos como Quake Live e Battlefield Heroes, que colocam pouquíssimo conteúdo no PC do usuário e são jogados através do navegador.

A outra ideia é de que a indústria pode estar passando por um momento baixo natural, que se renovará em ciclos no próximo ano. Podemos verificar isto ao dar uma olhada nos lançamentos programados para 2010 por parte de algumas distribuidoras. A Take-Two, por exemplo, terá Mafia 2, Red Dead Redemption e os recém-adiados Max Payne 3 e Bioshock 2. Outros exemplos são Heavy Rain, God of War 3 e Starcraft 2.

Se formos nesta vertente, estamos apenas em um período de hiato no qual as empresas desenvolvedoras estão guardando suas cartas na manga para aparecer de forma competitiva no ano fiscal de 2010. O que pode não ser uma coisa tão ruim, já que duvidamos que qualquer pessoa tenha esgotado seu estoque de games, mesmo os do ano passado.



Os portáteis
Moda que ainda não pegou de jeito


Outra coisa a ser considerada é a influência dos portáteis em outros países com infraestrutura mais avançada do que o Brasil – diga-se internet sem fio rápida e conectividade em quase todo lugar. Neles, jogar com outras pessoas, mesmo desconhecidas, é coisa fácil e prática, enquanto aqui nós ainda estamos um tanto quanto excluídos e não aproveitamos totalmente as características destes consoles de mão.

Uma grande prova disso é a expectativa toda criada em torno de Dragon Quest IX no Japão, onde filas enormes se formaram enquanto jogadores ansiosos aguardavam pela oportunidade de colocar as mãos no mais novo título da franquia. Franquia esta que é uma febre no país, sendo um sucesso maior do que o equivalente da Square no resto do mundo, Final Fantasy. Segue abaixo um vídeo dos eventos de lançamento:



Com quase dois milhões e meio de unidades vendidas em dois dias, o lançamento do game foi um sucesso estrondoso e quebrou recordes. Este número é o equivalente a aproximadamente 82% de todo o estoque disponível em território nipônico de Dragon Quest IX. Algo impressionante.



Conclusão
O que podemos tirar disso tudo?


Basicamente, que a forma de jogar está mudando. O setor de lazer é geralmente o primeiro a sofrer quando uma crise econômica acontece, mas a indústria de games está conseguindo se manter em forma. Neste último mês, que geralmente coincide com o início das férias de verão no hemisfério norte, os lançamentos foram mais fracos do que em 2008, o que explica uma redução tão grande.

O PC começa a retomar grande parte da força que anteriormente possuía enquanto os consoles devem repensar suas estratégias de venda, seus preços e os títulos que disponibilizam. O foco ultimamente tem sido colocado demais nas épocas festivas – talvez alguma inspiração pudesse ser buscada na indústria do cinema, em que grandes bombas são guardadas para o meio do ano.
Mais desenvolvedores deviam apostar nesta fórmula
 

Mas razão para desespero, certamente não há. As empresas sólidas do ramo continuam a preparar games de qualidade e certamente veremos o resultado disso em breve. É natural que com o passar do tempo os jogadores se tornem mais exigentes com relação às coisas em que querem colocar seu dinheiro – especialmente neste ponto das gerações de consoles – mas sempre haverá espaço para os títulos bem-feitos.

Enquanto isto tudo são apenas estimativas, assim que a NPD – grande empresa de análise de mercado que em breve lançará seus dados – compilar as informações referentes a junho e julho, teremos uma ideia mais concreta.
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