Eles são fortes, inteligentes e infinitamente habilidosos. Não obstante, mantém-se como figuras submissas à espécie humana, desdobrando-se a cada nova ordem arbitrária que recebem. Não bastasse isso, as pobres criaturas ainda acabam sempre ficando com os piores trabalhos, como desativar minas terrestres ou mesmo tratar o lixo tóxico.Mas afinal, que criatura assim tão poderosa poderia acabar com os piores legados? Sim, o assunto em questão agora são os robôs. Os grandes autômatos que ocupam a imaginação do ser humano desde a época da Grécia antiga, passando pelas mentes brilhantes do iluminismo italiano para desembocar, finalmente, na atual indústria cultural; sobretudo nos cinemas e, é claro, nos video games.
Mas eles nem sempre foram concebidos como nós os vemos hoje. Obviamente, a atual imagem arquetípica de robô — um autômato com inteligência limitada e enormes capacidades físicas — é um fruto direto do advento da engenharia eletrônica. Mas nem sempre foi assim.
A palavra robô foi utilizada pela primeira vez durante uma peça de teatro do dramaturgo checo Carel Kapek. O termo original, “robota”, que significa “trabalho forçado” acabou virando “robot” e, posteriormente, o nosso bom e velho robô.
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Entretanto, mesmo antes de o termo ter sido cunhado, a ideia de um ente mecânico a serviço da humanidade já existia, como na lenda do herói grego Cadmus, que semeava dentes de dragão para obter servos autômatos. Migrando um pouco para as lendas judaicas, pode-se encontrar o Golem, uma enorme estátua de argila animada que aparecia em tempos difíceis para defender o povo.
Além disso, há quem diga que o primeiro autômato movido a vapor foi construído ainda na Grécia antiga pelo matemático Arquitas de Tarento, um amigo do filósofo Platão particularmente inspirado. Tratava-se de uma ave no melhor estilo “steampunk”, movido a jatos de ar e varpor, que trazia o sugestivo nome de “O Pombo”.
Durante o século XX, um dos maiores nomes a abordar, no campo da ficção, as ideias e desdobramentos da robótica certamente foi o escritor estadunidense Isaac Asimov. O escritor projetou toda a sua obra relacionada ao assunto (na qual se pode encontrar incríveis desdobramentos) nas conhecidas “três leis básicas da robótica”:
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1ª Lei: Um robô não pode ferir um ser humano ou, por omissão, permitir que um ser humano sofra algum mal.
- 2ª Lei: Um robô deve obedecer às ordens que lhe sejam dadas por seres humanos, exceto nos casos em que tais ordens contrariem a Primeira Lei.
- 3ª Lei: Um robô deve proteger sua própria existência, desde que tal proteção não entre em conflito com a Primeira e Segunda Leis.
Nos primórdios dos video games
Os primeiros robôs em pixels
Com o surgimento dos primeiros videogames, era realmente bastante natural que o servo ideal da imaginação humana ganhasse vazão no mais novo fruto da tecnologia. É claro, os robôs aqui, bem com em boa parte das obras de ficção, não aparecem propriamente como entidades benignas a serviço da humanidade. Eles também são vilões, como no jogo Robotron 2084, lançado em 1982 – que, posteriormente, ganharia remakes para diversas plataformas.
Mas, convenhamos, durante esse início era realmente difícil diferenciar um personagem humano(no caso, o protagonista de Robotron 2084) de um robô; quer dizer, todos pareciam mais um amontoado de quadrados. Mas as coisas melhoraram, é claro.
Conforme as capacidades gráficas dos consoles melhoravam, também tornava-se cada vez mais possível criar a imagem de algo remotamente humano. Ou, é claro, um robô com aparência remotamente humana. Assim sendo, novamente um robô dava as caras nos videogames, originando uma das franquias mais prolíficas não apenas da Capcom, mas da indústria dos videogames como um todo.
Como um belo exemplo de robô pensante (não controlado diretamente por uma mente humana), surgiria em 1987 o primeiro título da série Mega Man. De lá pra cá, o minúsculo robô que atirava bolinhas não muito convincentes de energia ganhou uma infinidade de novas versões, garantindo um total de mais de 50 jogos diferentes e aproximadamente 28 milhões de cópias vendidas através do mundo.
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Mas nem sempre os robôs eram abordados como heróis supremos da humanidade criados por cientistas amorosos. Se não, basta observar a espécie de robô-prisão criada pelo famigerado Dr. Ivo “Eggman” Robotnik. Mas tudo bem, bastava pular na cabeça de um dos maldosos robôs para que brotasse de dentro um coelho, pássaro ou alguma outra criatura aflita. A franquia ainda conheceria uma versão robótica do ouriço, intitulada “Metal Sonic”, um dos vilões finais em Sonic 2.
Evolução robótica nos video games
Os robôs ganham forma... e também história
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Conforme a indústria de videogames abraçava uma tecnologia cada vez menos restritiva (sobretudo no que diz respeito às imagens), também os robôs passam a ganhar uma forma menos simplista; e também uma história.
Entre as aparições mais notáveis nos videogames, pode-se citar as armas robóticas — talvez não robôs, em um sentido mais estrito do termo — que dão nome à série Metal Gear. Embora o primeiro jogo da série ainda compartilhasse da simplicidade dos jogos da época (anos 80), os novos títulos da franquia apresentam abominações dignas de algumas das maiores películas dos cinemas. E o melhor? A cada novo jogo, uma nova arma com potencialidades tremendamente complexas dá as caras. Enfim, algo diferente do saudoso Robotron.
Mas o heroísmo a La Mega Man também não ficaria de fora, conforme o clássico robô “servo-da-humanidade” continuava dando as caras. Um bom exemplo dessa tendência é o leal e amigável D.O.G. da franquia Half-Life.
Preocupado com a proteção de sua filha, o Dr. Eli Vance cria o que seria inicialmente apenas um fiel cão robótico — o que acontece duas décadas antes dos eventos de Half-Life 2. Conforme a menina vai crescendo, novas partes são acrescentadas e, por fim, tem-se um enorme canino que acaba por salvar bravamente a vida do protagonista, Gordon Freeman.
E, por falar em robôs de “apoio tático”, não se pode esquecer o hilário Clank, icônica dupla da Sony Ratched & Clank. Tanto auxiliar quanto co-protagonista, Clank inclui várias parafernálias anexas, como um “helipack”, um “thrusterpack” (espécie de “jet pack”) e ainda uma “hydropack”. O robô ainda é capaz de aumentar o seu tamanho para enfrentar os inimigos maiores. Além disso, através das versões do jogo, Clank mantém a sua emblemática risada.
Por fim, “robo” (Chrono Trigger), Robocalypse (DS) ou ainda os “combots” de Red Faction. A lista vai ao infinito. Fato é que os robôs hoje se encontram tão enraizados na cultura popular, que nós, às vezes, até nem percebemos quando eles aparecem aqui ou ali em um jogo — seja vendendo um item ou mesmo salvando a humanidade do colapso iminente.
E você, se lembra de algum robô particularmente distinto? Talvez algum que tenha marcado naquele seu jogo (ou franquia) favorito? Comente. O TecMundo Games quer saber a sua opinião.
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